Europa Tour: Termos e condições se aplicam

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Cá está a segunda parte da minha série "como dar rolezinho na Europa sem ter muito dinheiro", sendo o dinheiro em questão cinquenta euros por dia de viagem. Se na hora de trocar o dinheiro você se sentiu deixando fortunas na casa de câmbio, logo vai perceber que esses cinquenta euros não são muita coisa pra sobreviver ao longo de um dia de turismo. É possível viver dentro desse orçamento, mas é também necessário abrir mão de alguns luxos, conforme previamente estabelecido. Também é preciso um grande autocontrole pra não chorar horrores diante de todos os souvenires lindos que você não vai poder trazer pra casa. Shall we?
tá vendo a nota que sobrou? ela é seu limite. gaste com sabedoria
Pra todos os efeitos, to assumindo que você, viajante em potencial, fale inglês ou a língua do seu país de destino, e portanto sabe se virar sozinho e não vai pagar por áudioguia traduzido em museus. Continuamos trabalhando com a nossa hipotética viagem de dez dias, num total de cinco mil reais. Caso você não saiba de onde veio esse valor, clica aqui.

Acomodação
Você tem parentes vivendo no seu país de destino? Amigos? Colegas de intercâmbio que você jurou rever mas não lembrou de manter contato até hoje? ESSE É O SEU MOMENTO. A acomodação é o aspecto mais fundamental da viagem: você pode viver comendo salgadinhos baratos, pode fazer turismo baseado inteiramente em selfies na frente de prédios históricos, você pode trazer folhas de árvores como souvenir, mas você não pode dormir na rua. Pra quem viaja dentro de um orçamento e não pode se hospedar de graça, a melhor opção é escolher um hostel com cara de limpinho e se refastelar num quarto com oito beliches, que atendam três critérios de escolha: preço baixo, limpeza e facilidade de acesso.
Preço: no orçamento de 50 euros, 20 euros é seu teto, mas o ideal é gastar entre 12 e 15. É possível dormir num quarto limpinho por esse valor? Não é muito pouco? SIM, é possível (algumas cidades são mais caras que outras, mas é plenamente possível). Gastar menos sempre é o ideal, mas você precisa equilibrar isso com os dois critérios a seguir:
Facilidade de acesso: Hostels longe do centro podem ser mais baratos, mas também vão te obrigar a gastar com transporte, e nem sempre a economia vai compensar (mas às vezes compensa, depende da cidade). De qualquer jeito, é interessante se hospedar em algum lugar perto da estação de trem/ônibus que você vai usar pra chegar/sair do aeroporto, caso contrário você vai ou gastar com mais transporte ou passar minutos que podem parecer HORAS carregando sua mala pelo asfalto nem sempre plano. Não recomendo.
Limpeza: A gente é pobre mas é limpinho, e por isso eu não recomendo que você se hospede num lugar que cobra cinco euros e que não troca os lençóis. Eu achei as avaliações do Hostelworld bem compatíveis com as minha (pequena) experiência (não estou ganhando nada por esse jabá, me patrocina Hostelworld), então minha recomendação é pesquisar por lá e ler os comentários dos outros viajantes. Se possível, escolha aqueles que recebem a avaliação "excelente" de limpeza (a equipe pode ser mal-humorada, isso não é nada comparado com um ralo entupido no único banheiro, vai por mim). Notas acima de 8 costumam ser lugares confortáveis; você pode sobreviver a notas muito abaixo disso, mas o desconforto de não poder relaxar depois de horas de exploração na cidade nem sempre compensa a economia nos bolsos.
Se você tem parentes, amigos, ex-vizinhos, pessoas da igreja, pessoas da empresa júnior, primos de primos que te ofereceram um teto: SE JOGA, MEU AMIGO, SEJA CARA DE PAU. Também existe o Couchsurfing, onde você pode se hospedar de graça em troca de amor e gentileza, mas isso exige muito desprendimento e um domínio da Arte de Pedir que eu ainda não conquistei, mas é uma opção válida (eu acho, nunca ouvi falar de ninguém que foi vendido pro turismo sexual, então tá valendo)!

Alimentação
Experimentar a culinária local é ótimo e faz parte da ideia de conhecer outro país, mas às vezes, comer no McDonald's é mais barato. Fique com o mais barato. Na Itália, 90% das minhas refeições foram risoto, macarrão (quando tínhamos fogão), pizza de rua e sorvete (esses dois últimos custavam em torno de três euros e era a coisa mais barata que tinha pra comer HEHEHE). A ideia de comer sentado num restaurante descolado pode ser legal, mas fazer disso uma rotina de viagem é impraticável nesta economia.
Quanto gastar em média: Depende do quanto você precisa pra fazer as outras etapas da viagem (turismo, transporte, souvenires). Tenha em mente que ao lado dos pontos turísticos sempre existem vários restaurantes com garçons esfregando cardápios na sua cara, que vão reconhecer seu sotaque, identificar seu país e te convidar pra comer ali, e é muito fácil cair nessa cilada. É UMA CILADA, BINO. Comer na rua é provavelmente a solução mais barata - o equivalente a viver de pão na chapa e coxinha por aqui, mas não seria isso parte do turismo? Você não acharia absurdo que alguém viesse pra cá e fosse embora sem provar a coxinha de mandioca mais deliciosa do boteco da esquina (ou açaí, ou acarajé, ou tapioca)? Pois bem, deixe o contador de calorias de lado, peça a opinião dos locais e explore a gosto. Você também consegue gastar em torno de doze a quinze euros por dia em duas/três refeições, mas você também consegue gastar (facilmente) isso numa única refeição, e o segredo pra não estourar o orçamento aqui é ignorar completamente as refeições instagramáveis (tem muitas outras coisas de graça pra postar) e comer o baratão do dia. Se você tiver fogão disponível no hostel, passe no mercado e cozinhe. Se você não tiver fogão, passe no mercado e compre litrões de água ou suco. Essa é a parte menos glamourosa da viagem, que uma colega definiu com excelência como "todo mundo vê as fotos que eu posto mas ninguém vê as marmitas que eu como".
Café da manhã incluso: se estiver incluso e não implicar num aumento de preço, ótimo. Se você tiver que pagar por ele, só acho que vale a pena se for um café tipo buffet (às vezes é só um café e um croissant, risos) e você for uma daquelas pessoas que acorda com apetite de avestruz, pronta pra DEVORAR tudo o que puder e chegar sem fome até duas da tarde.

Transporte
Você pode ir a pé? Se sim, então vá a pé. Acho importante ressaltar que essa viagem de baixo orçamento tem TERMOS E CONDIÇÕES, e um deles é estar em condições de abrir mão de uns confortos, como ter uma dieta pouco balanceada e andar a pé. Alerta médico: se a sua saúde é delicada em algum desses aspectos, não seja mão de vaca e aumente seu orçamento, você não vai querer passar mal no meio do rolê e ter todo o transtorno de acionar o seguro saúde quando você poderia estar turistando por aí.
Se esse não é seu caso, não seja preguiçoso e coloque seu sapatinho confortável na rua: andar é um ótimo jeito de fazer turismo. Você pode descobrir restaurantes locais, parques bonitos que a internet não listou e lugares bonitos pra fazer uma foto ótima.
Se você não puder ir a pé (no caso de traslado pro aeroporto, pontos turísticos muito longe ou idas pra outra cidade), isso precisa ser calculado com antecedência, e as informações sobre preços normalmente estão disponíveis na internet. Se essa parte da viagem envolver passagens entre cidades, a compra com antecedência pode sair mais barata.
É importante pensar que numa viagem de dez dias, você pode:
a) conhecer uma capital com folga, explorar os bairros dela, conhecer a programação da semana (dependendo, tem até alguns dias do mês em que as atrações famosas não cobram ingresso) e se sentir um local arrumando um lugar pra tomar café da manhã em um ou vários lugares diferentes;
b) se dividir entre duas cidades próximas, com cinco dias pra cada uma, o que ainda dá pra fazer um turismo bem legal e sem afobação;
c) conhecer três cidades em três dias, o que pode ser meio corrido;
d) conhecer cinco países diferentes, passar 24 horas dentro de um veículo, morrer de exaustão.

Pode ser tentador adotar a opção D e emendar fotos na Torre Eiffel, na Torre de Pisa, no Muro de Berlim e no Big Ben (esse guia de viagem não garante o mesmo valor pra Inglaterra, a libra na presente data custa R$ 4,73), mas do ponto de vista dos custos isso também pode te falir, já que os trens podem ser carinhos e as companhias low cost de viagem cobram (cinquenta euros, no nosso caso) por bagagem despachada. Além disso, capitais são realmente grandes e tem MUITO a oferecer, e fazer turismo em dois ou três dias pode te deixar frustrado por não conseguir aproveitar tudo, e eu recomendaria as opções A ou B. Esse é um guia de viagem barato, e outro dos termos e condições é tolerar a frustração de ter de fazer algumas adaptações :)
A vantagem disso é que você pode conhecer alguma cidade não muito badalada e se apaixonar por coisas inéditas que nenhum blog de viagens esfregou antes na sua cara, como foi meu caso de amor com Bolonha. Abracem o desconhecido, gente.

Turismo
Você pode passar na frente de todos os pontos turísticos mais marcantes da cidade e tirar uma linda selfie inteiramente de graça!!!!!
Sim, abrace o espírito: você está num país totalmente novo, vendo pessoas falando uma língua diferente, respirando outro ar, numa temperatura diferente da sua terra brasilis, pisando em calçadas feitas de outros materiais do que a da sua rua. Tudo, absolutamente tudo é turismo. Pensar nisso vai aliviar um pouco a tristeza de não poder fazer todos os passeios maravilhosos que você viu por aí. Exemplo: fui pra Veneza e o role de gondola custava OITENTA EUROS. Podia ser dividido em seis pessoas, mas não tínhamos colegas, e não andei de gôndola, nem sequer de vaporetto (sete euros). Paciência. Não deixou de ser magnífico estar ali, olhar as pessoas andando de gôndola, os gondoliere cantando oooooooooo sole mio tal qual numa novela, a vista bem em frente ao Palazzo Ducale (onde o Pink Floyd armou um palco flutuante em 89 e fez o único show da história de Veneza, que afundou a cidade em cinco centímetros) (gente, eu acho essa história sensacional). Eu realmente acredito que, numa cidade desconhecida, tudo é turismo. Dinheiro permite acesso a certas experiências badaladas, mas não são as únicas experiências que você pode ter.
Dito isso, algumas cidades são mais baratas e algumas atrações são horrivelmente caras - como eu não sou uma expert em rolezinhos pela Europa, só posso dizer que as igrejas em Roma são geralmente gratuitas e o museu do Vaticano é caríssimo, mas vale o role. Carteirinha de estudante pode ou não funcionar (mas não custa levar, se você tiver) e as avaliações do Tripadvisor também costumam ser bem honestas, e você pode ler antes pra saber se a entrada daquele museu de 18 euros (estou olhando pra você, Museu Van Gogh) vale a pena. Se seu orçamento estourar num dia, aproveite o dia seguinte pra conhecer um parque e bater perna tirando selfies na frente de prédios fantásticos que tudo se resolve.

Compras
Você disse compras?
Minha opinião pessoal: fui pra Europa plenamente iludida que ia achar várias pechinchas em artigos de luxo ótimos e voltar cheia de ~comprinhas~, mas a real é que... tudo era caro? Os próprios italianos dizem que as coisas são mais caras por ali, então talvez a história seja diferente nos países vizinhos, ou talvez eu simplesmente seja pobre demais pra fazer turismo em euros (embora eu realmente tenha comprado uns vestidos bem bonitos no ofertão da Zara por 20 euros cada) (não existe Zara na Roça, eu não tenho ideia se fiz ou não um bom negócio, mas os vestidos são ótimos e ainda estão aqui). Vi várias promoções de maquiagem da Dior e afins que continuavam caras demais pro meu bico, mesmo estando lá em janeiro, que é em teoria a época das promoções. Se você tiver no orçamento gastos de quinze euros pra acomodação, quinze pra comida, quinze pro turismo e zero pro transporte, sobra uma quantiazinha que pode ser usada pra comprar souvenires, mas eu não consegui voltar carregada de sacolas e coberta de Valentino do brechó.

No próximo post dessa saga (que pode ou não ser publicado durante ou depois da viagem) eu vou falar sobre o que levar no role. Stay tuned!!

Europa tour: QUANTO CUSTA VIAJAR

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Oiiii meninas o post de hoje é sobre VIAGENS INTERNACIONAIS
Me deu na telha de falar sobre o assunto porque em alguns dias vou embarcar de novo num avião com destino à felicidade - isso foi decidido há alguns meses, mas só agora tive tempo e confiança pra contar pra todo mundo (vocês também são dessas pessoas que tem receio de sair contando as boas novas?). Não tenho muita experiência em sair do país, e decidi contar o que aprendi com a experiência neste blog porque pode ser que eu não seja a única pessoa perdida quando se trata de planejar uma viagem dessas. Desculpem qualquer possível erro e vamos lá:
Primeiramente, o dinheiro:
Não tenho muito a falar sobre esse tópico porque, veja bem, aparentemente nasci com a bunda virada pra lua e as pessoas PAGAM MINHAS PASSAGENS, não apenas uma mas duas vezes. Embora minha experiência juntando dinheiro pra viajar é nula, verdades precisam ser ditas: ir pra Europa é caro. Não é impossivelmente caro, não é caro igual um carro de luxo, mas considerando os últimos dados do IBGE de que o salário médio dos trabalhadores é de aproximadamente R$ 2200 reais (e 50% desses ganham menos de um salário mínimo), é meio irreal supor que todo mundo consegue juntar dinheiro rapidinho pra fazer uma viagem dessas. Dito isso, viajar pra Europa é menos caro do que eu imaginava antes de ir pra lá da primeira vez, e é possível fazer boas economias se você abrir mão de alguns luxos que as blogayras de viagem exibem por aí, viajar em certas datas, etc, etc; então se você tem renda estável e seu salário e seu estilo de vida te permitem alguns luxinhos, dá pra pensar em abrir um fundo Rolezinho pra Europa sim**** (****TERMOS E CONDIÇÕES SE APLICAM)

As passagens:
O Google tem uma ferramenta bem legal de preços de passagens que contém tabelas com os melhores preços e datas flexíveis. Segundo as últimas buscas que fiz, os preços mais baratos estão em março-maio (tipo esse aqui, 2600 reais de São Paulo a Roma pra 20 dias em março). Já vi gente recomendando o Skyscanner, que pro mesmo trecho no mesmo período achou passagens por 2440 reais*. Quanto mais flexibilidade você tiver, mais chances de pegar uma promoção legal tem. ASSINE OS ALERTAS POR E-MAIL: o Google Flights chega a ser chato de tanta atualização de preço que eles enviam, mas convenhamos que apagar e-mails é infinitamente menos dolorido do que ter de desembolsar centenas de reais a mais por uma passagem.
Mas eu não moro em São Paulo E AGORA COMOFAS
Bom...
Pra essa mesma viagem, os preços variam pouca coisa pra Brasília, Curitiba, Florianópolis, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador. Se você mora no Amapá, amigue, o negócio sobe pra SEIS MIL REAIS. Você pode fazer como eu e ir de ônibus até a capital mais barata da sua escolha ou pode chorar de desgosto com o absurdo dessa situação, ambas as soluções são apoiadas por este pequeno guia.

O dinheiro (de novo):
Na primeira vez que eu fui pra Europa, não tinha a menor ideia de como proceder: quanto custa viver por lá? De quanto dinheiro eu preciso? Num blog de viagens, alguém disse que seguia uma regra de cinquenta euros por dia. Procurei no Google, fiz as contas e parecia razoável, e foi com esse orçamento que sobrevivi 41 dias por lá. Faça as contas: Um euro custava R$ 3,50, o que multiplicado por 50 dava R$ 175 por dia. 41 dias comendo em moeda estrangeira vai fazer um baita rombo no seu cofrinho, mas... pode ser que uma viagem de dez dias não estoure seu cartão (passagens por 2500 reais, 2 a 11 de março aqui). Se você somar passagens de 2500 reais nesse orçamento, dá pra ficar abaixo dos R$ 5000 (eu disse que não era barato, mas é um valor que dá pra dividir aceitavelmente em parcelas a serem poupadas em dois/três anos enquanto você exercita sua paciência. É caro? Sim. É impossivelmente caro? Não. As pessoas parcelam CARRO, que é um troço muito mais caro, e ninguém morreu de fome por causa de um financiamento a perder de vista; imagino que não vá morrer por causa de uma viagem nessas condições.)
Aí tem o seguro de viagem: A maioria dos países signatários do Acordo de Schengen (um acordo entre quase todos os países da Europa que sanciona a livre circulação dos cidadãos entre as fronteiras, que garante seu role da Alemanha a Portugal sem ter que mostrar o passaporte toda vez) requer que os turistas que venham ao país tenham contrato de seguro de viagem com cobertura mínima de 30 mil euros. Então precisa desse troço? Precisa. Você pretende ficar no hospital? Não, mas tem que comprar assim mesmo. Qual comprar? O mais barato, risos - você está planejando uma viagem num orçamento limitado e o objetivo é exatamente não ter de usar o seguro, então quem oferecer o melhor preço dentro das condições leva. Pra nossa viagem fictícia de dez dias, achei um por 130 reais aqui. O preço aumenta com a duração da viagem, mas dá pra ver que não é o preço do seguro que vai determinar quantos dias você pode ficar fora.

O dinheiro, de novo (NÃO ACABA MAIS ESSA PARTE):
Agora que você guardou dinheiro no porquinho, achou passagens baratas, descobriu que podia tirar férias no dia, comprou as passagens, achou um seguro barato e viu se dava pra pagar a estadia, é hora de COMPRAR DINHEIRO. Encontre uma casa de câmbio e leve seus reais pra lá. Aí é o momento de você se sentir roubado: enquanto o Google diz que hoje (02 de janeiro) 1 euro equivale a 3,93 reais, o euro turismo custa 4,11 em São Paulo, 4,13 em Guarulhos e 4,15 na Roça. Cada compra de dinheiro efetuada tem maravilhosos IMPOSTOS incidentes sobre o valor: 1,1% se você for comprar dinheiro vivo (mais barato, aceito em todo lugar, se alguém te roubar SE FUDEU MEU AMIGO) e 6,38% se você for comprar dinheiro no cartão (seis vezes mais caro, alguns lugares não aceitam cartão, tem seguro e você pode ligar pra operadora do cartão em pânico de qualquer lugar da Europa que eles vão ao seu resgate).
No cálculo da nossa viagem hipotética: 2600 reais de passagens + 130 reais de seguro viagem + 500 euros de estadia adquiridos 40% em dinheiro vivo e 60% no cartão (a R$ 4,13) = pouco mais de 4900 reais. Ainda continuamos abaixo dos cinco mil, especialmente se você conseguir carona pra ir e voltar do aeroporto e não comer absolutamente nada enquanto espera o embarque, risos.
Aguardem posts futuros contando o que dá pra fazer com esse dinheiro!

PS: Eu pesquisei essa viagem hipotética no dia 27 de dezembro e acabo de ver que ela nem está mais disponível, mas acreditem em mim, gente. Ou sigam meu conselho e assinem os alertas por e-mail do Google Flights, uma hora vai aparecer um voo por 2300 reais aí.

Tag: Natal Literário

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PRIMEIRAMENTE FELIZ 2018, INTERNET
Segundamente, começamos o ano com o compromisso de dar mais atenção pra esse canto virtual, mas ainda tirando o atraso das postagens do ano passado. No meio de dezembro, as mocinhas Cilada e eu combinamos de postar juntas esse meme, mas enrolei horrores pra terminar a retrospectiva desse blog e quando vi já era 29 de dezembro, o ano já tinha acabado e o post continuava me esperando nos rascunhos.

1. Natal dos sonhos: um livro que se passe na cidade ou país onde você gostaria de comemorar o Natal 
Li Belgravia esse ano e, pra reparar a injustiça de não tê-lo citado na retrospectiva literária do blog, é ele que serve de resposta a essa pergunta. É um romance de época que se passa na Londres vitoriana, e se eu sempre amei essa cidade de graça, Downton Abbey me ajudou muito a romantizar os tempos monárquicos desse período da história britânica. É um baita sonho fantasiar que estou numa mansão, vestida a caráter, cercada pela alta sociedade numa mesa servida de um banquete enorme.

2. Árvore de Natal: um livro que tenha iluminado o seu ano 
A Guerra que Salvou minha vida aparece aqui, de novo, porque é um livro sobre guerra e sobre esperança, sobre crianças incríveis e sobre crer que o bem sempre prevalece no fim. É uma leitura muito recomendada pra quem ainda não fez!

3. Pisca-Pisca: um livro com assunto LGBT
Aqui eu fico devendo, porque se não me falha a memória (e olha, pode ser que ela esteja falhando sim) o único livro com temáticas LGBT que eu li foi Carry On, que sequer cheguei a terminar. Cês tem sugestões???

4. Papai Noel: um livro que você gostaria de dar de presente para todo mundo 
Embora existam muitos livros com os quais eu queira presentear pessoas, a única resposta possível pra essa questão é A Arte de Pedir, do qual já comprei três exemplares (um pra mim, um de presente e um pra rodar por aí emprestado). Já posso pedir música pra Amanda Palmer???? Eu definitivamente não sei calar a boca quando se trata desse livro, e agora estou empurrando ele à força pras pessoas também. Alguém me interdite!!!

 5. Presente: um livro que você quer muito ganhar de presente 
Quero DEMAIS a edição finada da B&N de Anna Karenina. Ou qualquer edição bonita (desculpa, Companhia das Letras) de Anna Karenina, pra entrar na onda das meninas que estão lendo e adorando.

6. White Christmas: um livro com a capa branca 
O outro livro com a capa branca que tenho por aqui é Ballet Shoes, que não é inteiramente branca, mas é o que melhor se encaixa na categoria e ainda tem enfeitinhos em bordô (vinho? púrpura? borgonha? vermelho escuro? maravilha? como vocês chamam essa cor, Brasil?) que combinam bastante com o clima natalino. Ó que boniteza:

7. Bengalas doces: 3 livros com a capa em "candy colors" 
Tenho as sequências My True Love Gave to Me e Summer Days e Summer Nights, e o outro único livro em tons pastéis da minha estante é Todos os Reis Estão Nus, que não terminei de ler até hoje mas é uma gracinha de livro (por fora e por dentro).
8. Roberto Carlos: um livro que você gostaria de ler pelo menos uma vez por ano todos os anos
O Amos nos Tempos do Cólera continua sendo o meu livro preferido e, mesmo eu não tendo o hábito de reler coisas e sabendo que estarei fadada ao fracasso, é um livro que eu sempre pego na mão todos os anos com a intenção de reler (e leio vinte páginas e desisto, mas não sem antes folhear algumas páginas e morrer de amor pelas minhas passagens favoritas).

9. Chocolate quente: um livro que trouxe um calorzinho no coração 
Extraordinário, hehe. Não foi uma leitura que eu fiz esse ano, mas como saiu o filme há pouco tempo acho apropriado citar ele aqui, já que foi um dos livros que mais me deixou quentinha por dentro. Histórias de crianças costumam ser infalíveis nesse sentido, e histórias de amizade são ainda melhores. É um calorzinho garantido no coração.

10. Voando em renas: um livro que te fez acreditar no impossível
Acho que nenhum livro fez com que eu acreditasse mais no impossível do que Harry Potter, ainda que eu tenha terminado a série há mais de dez anos. J. K. Rowling realmente me fez acreditar em bruxos e poderes e castelos educando toda uma geração de crianças especiais e destinadas a mudar a história do seu povo. Hoje em dia rola um abuso fenomenal dessa mulher e do que ela fez com a própria saga, mas Harry e sua magia ainda exercem muito poder sobre mim.

Ainda falando em livros, minha lista de leitura de 2017 foi um fracasso espetacular, mas continuo sem querer ler os livros que ignorei dali. Aceito sugestões de leitura pra esse ano: por enquanto, to procurando livrinhos leves e tranquilos de ler (e continuamos trabalhando com ficção de época, hein hein)

❤︎

Beyond Literary Awards 2017

Um comentário
MAIS UM POST QUE EU PUBLIQUEI SEM QUERER ANTES DE FINALIZAR. ESTOU VIRANDO A PRÓPRIA TIA DA INTERNET. MIDESGUPI.

A premiação literária mais desimportante do ano chegou, discutindo a marca medíocre de 21 livros lidos durante o ano de 2017. Essa foi minha menor marca desde 2014, ano em que fiquei desempregada saí da faculdade e comprei um Kobo, e confesso que rola uma decepção real ao pensar no significado disso: 2017 é o ano em que tive menos tempo livre desde então, mas é também o ano que desperdicei a maior parte do meu tempo livre com ocupações inúteis (horas absurdas jogando The Sims). Também foi um ano de leituras meio aleatórias e menos proveitosas do que eu gostaria, razão pela qual essa retrospectiva literária está meio pombo. Bear with me, gente.

Maior livro: As estatísticas do Goodreads dizem que foi Watchmen, com 448 páginas em formato gigante. Acho uma picaretagem muito grande dar esse título pra um livro onde só 15% da superfície dele é coberta com texto, então uso as estatísticas não oficiais, que dizem que esse troféu é um empate entre The Dream Thieves e The Raven King, livros 2 e 4 da saga dos Garotos Corvos, ambos com 439 páginas que foram devoradas sem cerimônia.

Serendipity: O Azarão, do Markus Zusak. Eu baixei esse livro no Kobo há séculos e nunca tinha dado uma olhadinha pra ele desde então, mas conhecer os irmãos Wolfe foi uma surpresa agradável e gostosa. Cameron é muito fofinho (do seu jeito) e eu to torcendo pra leitura dos próximos livros da série ser tão prazerosa quanto a desse primeiro.

Melhor HQ: Li quatro HQs nesse ano: três da Graphic MSP (aquela que lança histórias da Turma da Mônica com motes sérios e artes maravilhosas) e Watchmen; e embora todas tenham sido boas leituras, é claro que não posso deixar de enaltecer mais uma vez esse [voz de faustão] MONSTRO SAGRADO [/voz de faustão] da literatura de quadrinhos. Tudo o que precisa ser dito sobre Watchmen já foi dito por aí, então só me resta falar que o hype é bem merecido.

Aquisição favorita: 2017, o ano em que comprei vários livros lindos e não li nenhum. Acho que minha aquisição favorita, no entanto, foi a edição de The Great Gatsby na qual eu paguei absurdos OITENTA E CINCO REAIS só porque ela tem uma capa meio art deco que, diga-se de passagem, é extremamente frágil. Ser colecionadora de livros é uma maldição terrível.

Pior livro Livro mais decepcionante: O Papel de Parede Amarelo. Não foi um livro ruim, eu acho. Eu só ??????não entendi?????nada????? Esse é o problema de criar expectativa com algumas leituras. É por isso que eu gosto de ler sem conhecer a história.

Melhor livro: Já falei de Watchmen Embora a quadrilogia dos Garotos Corvos tenha feito a minha cabeça com força em 2017, o livro que recebe o título de Melhor Leitura do Ano é A Guerra que Salvou Minha Vida, pelos motivos que já citei na tag dos 50% que respondi em agosto: é um livro sobre a Segunda Guerra com Crianças Incríveis, um mix de duas das minhas coisas favoritas na ficção. Ada é uma garotinha muito amável e forte, e eu espero ler mais histórias tão cativantes quanto essa no ano que vem.

Melhor personagem: Embora não seja um personagem que eu conheci somente nesse ano, acho que o melhor personagem dos livros que li é definitivamente Rorschach, um dos meus heróis favoritos no eixo ficcional Marvel-DC. Ele pode não ser o baluarte da moral e dos bons costumes, mas é provavelmente o tipo de salvador megalomaníaco que eu seria. Se o futuro da humanidade estaria a salvo ou não, só Alan Moore pode nos dizer PAU NO CU DO OZYMANDIAS.

Maior crush: Esse ano essa categoria precisou aparecer aqui por motivos de RONAN LYNCH. Meus amigos, que homi. Fazia anos que eu não encontrava numa leitura alguém capaz de me fazer querer voltar a escrever fanfics ridículas com protagonistas misteriosos e com cara de mau - e mesmo sabendo que esse tipo de boy na vida real é uma furada inquestionável, eu me permito fantasiar a role com mil diálogos e situações mirabolantes pras quais esses carinhas são o material perfeito. Ainda bem que a gente tem a ficção pra isso. Leiam Raven Boys, crianças!
eu acho o ápice do lifestyle de fã essa coisa de headcannon. 100% FANFIC MATERIAL
Melhor quote: Richard Campbell Gansey III definindo a pobreza foi, provavelmente, a melhor coisa que li impressa em 2017. Segue a minha tradução do trecho:
"Os Ganseys não precisavam ter um monte de coisas em casa porque cada objeto que eles tinham era exatamente a coisa certa pro seu propósito. Eles não tinham uma estante barata utilizada como um armário pra pratos sobressalentes. Não havia uma escrivaninha que guardava papelada junto com material de costura junto com brinquedos. Não tinham panelas e frigideiras empilhadas em armários ou escovas de privada em baldes baratos de plástico. Ao invés disso (...), tudo era esteticamente aprazível. Era isso que o dinheiro fazia. Colocava desentupidores em baldes de cobre, pratos extras atrás de portas de vidro, brinquedos em baús entalhados e pendurava frigideiras em ganchos."
Ouch.

Me recomendem livros pra 2018 além de todos aqueles que eu comprei e ainda não li??

Beyond Music Awards 2017

2 comentários
A onze (!) de terminarmos o ano, é com o Beyond Music Awards que eu inauguro a temporada de premiações retrospectiva deste humilde blog.

Banda de 2017: Hamilton cast
JUST YOU WAIT JUST YOU WAIT
POR ONDE EU COMEÇO? Inesperadamente, Hamilton virou meu grande mozão de 2017. Comentei num outro post que a obsessão começou com Digníssimo e rapidinho ganhou meu desprezo, porque eu não entendia nada e achava aquela mistura de rap com história BIZARRA. Vejam bem, amigos, vejam bem; eu entendo exatamente o que se passa na cabeça de vocês, não-convertidos ao culto. Olhando assim, parece bizarro, parece overrated, parece nada a ver mas a verdade é que é realmente ótimo, especialmente se você também gosta de musicais.
Hamilton é a história real de um bastardo, órfão, SON OF A WHORE AND A SCOTSMAN, DROPPED IN THE MIDDLE OF a forgotten  que transformou a história de fundação dos Estados Unidos falando mais do que a boca e fazendo Grandes Coisas com isso. Também é uma história sobre como a escrita sempre leva você a algum lugar, sobre como morrer é bem mais fácil do que viver, sobre a importância de quem fica pra contar a história no final e sobre como gente morta nunca vai ser mesmo presidente. Mas acima de tudo isso, Hamilton é um imenso rap bem humorado cheio de palavras difíceis e rimas compridas, com citações que podem ser usadas em quase tudo, e eu não resisto a esse tipo de coisa. VEM, GENTE

créditos: @hamiltonasbr
Blue tune: Liability (Lorde)

Baby really hurt me / crying in the taxi / he don't wanna know he says he made the big mistake of dancing in my storm / says it was pooooooooison / so I guess I'll go home / into the arms of the girl that I love / the only love I haven't screwed up / she's so hard to please but she's a forest fire / I'll do my best to meet her demands / play it romance / we slow dance in the living room / but all that a stranger would see / is one girl swaying alone stroking her cheeeeeeeeeeeeeeek

Melodrama foi um baita sucesso em 2017, do qual eu não partilhei. A Lorde ainda não é a rainha da minha vida e eu continuo preferindo o Pure Heroine dentre os dois cds dela, mas Liability é uma música irresistível, a letra falando exatamente sobre essa sensação de ser um peso gigantesco que tem me acompanhado desde que eu me entendo por gente. Chorei no ônibus ouvindo essa música, não há nada mais triste. Nenhuma outra poderia ganhar isto aqui.

Melhor vocal feminino: Karen Carpenter. A Karen Carpenter não é por si só uma entidade musical - ela era irmã do Richard Carpenter, e juntos os dois compunham isso mesmo os Carpenters, uma dupla meio pop que fez um sucesso absurdo nos anos 70. É por conta desse sucesso que reverberou até hoje que eu já conhecia o Carpenters desde criança, mas foi só nesse ano que prestei atenção em como a voz da Karen é maravilhosa e incomparável. O estilo da dupla é muito marcante e além de dar uma paz danada no coração, tem o fato de ela cantar muito bem. Algo que eu também aprendi esse ano é que a Karen faleceu com trinta e poucos anos, por complicações decorrentes da anorexia que ela desenvolveu numa época em que ninguém nem sabia que isso era uma doença. Rest in peace, Karen Carpenter ❤

Serendipity: A trilha sonora de Guardiões da Galáxia volume 2. Eu já escrevi aqui no blog sobre esse filme e como ele por si só foi uma serendipidade na minha vida, e a mesma coisa não poderia deixar de ser aplicada pra trilha desse filme. Ali tem músicas ótimas que eu dificilmente teria ouvido em outro lugar e que fizeram muito pra embalar meu ano, como Mr. Blue Sky e Come a Little Bit Closer. VEM GUARDIÕES 3

Pet peeve superado: Muse
E assim seguimos com uma streak de quatro anos superando pet peeves da industria musical (nas edições passadas: Taylor Swift, Katy Perry e Lana del Rey)!! Não me apaixonei perdidamente pela banda, mas pelo menos agora consigo curtir umas musiquinhas sem revirar meus olhos como acontecia sempre que eu lembrava que certas pessoas já tinham curtido essas músicas juntas. A única que peguei pra mim foi Uprising, mas já considero uma vitória. #winning

Melhor solo de guitarra bateria: 2017 foi o ano do The Killers volume cinco e se eu falhei miseravelmente em encontrar uma música com um solão de guitarra memorável pra representar esse ano, Ronnie Vannucci não me deixou na mão em Run for Cover, que, inclusive, foi a segunda faixa mais tocada por mim nesse ano.  O que é que eu posso dizer do The Killers que ainda não foi dito? Essa banda sabe como tocar as cordas do meu coração, senhoras e senhores.

A mais pedida: O last.fm tá aqui dizendo que foi Lucky Girl, do Fazerdaze. Ouvi essa música em loop um final de semana inteirinho, porque essa bandinha é muito maravilhosa; e mesmo embora ela não tenha recebido tanta atenção no resto dos meses, acho que o prêmio é merecido por ser algo diferente de tudo o mais que tocou nos meus foninhos em 2017 e eu realmente ter precisado da tranquilidade da voz da Amelia Murray em vários momentos.

Troféu QQ CE TÁ FAZENDO AQUI: 
eu me dei ao trabalho de fazer esse gif biográfico. GIFS BIOGRÁFICOS, MELHORES GIFS
No meio desse ano, rolou uma fase muito Roberto Carlos na minha vida, coisa impensável pra mim, que sempre achei esse cara meio abominável esquisito demais. O fato é que minha mãe tinha razão e, antes de viver atirando rosas em cruzeiros e fazendo o especial de Natal da Globo, Robertinho escreveu e interpretou um número absurdo de músicas, muitas das quais regravadas e conhecidas (e adoradas) por mim na voz de outras pessoas. Não há como negar, esse cara fez a música brasileira. Minha preferida, de longe, é aquela onde você estiveeeeeeeeeer, não se esqueça de mim. Sério, gente, que musicão. Cantem isso com a mãe de vocês e saboreiem o momento.

Sertanejinho do ano: Retrovisor (Fagner)

Fagner não é bem um sertanejinho, mas é o xodó da minha mãe, ninguém com menos de trinta anos curte e fala sobre todas essas coisas não-millenials que volta e meia afetam o coração da gente que mora aqui na roça. É uma música perfeita pra se ouvir às seis da manhã, comendo um pão na chapa com café num bar de rodoviária enquanto se pensa na vida, apreciando o gosto agridoce desses momentos em que a gente não está em lugar nenhum; e talvez a coisa que eu mais tenha desejado esse ano foi estar em lugar nenhum, comendo um pão na chapa às seis da manhã, pensando em todas as possibilidades que a vida tem pra mim longe dali. Certas coisas só o sertanejinho do ano consegue.

É isso aí. OUÇAM HAMILTON. LOOK AROUND, LOOK AROUND. TALK LESS, SMILE MORE. OUÇAM HAMILTON.