O que eu fiz em setembro

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Devidamente acordada conforme a profecia de Billy Joe, é hora de atualizar esse blog e contar pra vocês o que eu fiz nesse mês pós-BEDA em que me dei o direito de não me preocupar com os posts. Meu principal objetivo era dormir em horários regulares e mimar de volta todo mundo que passou por aqui - que eu não consegui cumprir completamente (então sim, podem me odiar, eu mereço), mas realizei até que satisfatoriamente, então é hora de seguir em frente com a programação do blog porque se a gente enrolar muito, de repente já vai ser 2018 (já recebi imagens de panetone no mercado, vejam que heresia).

EU LI. TCHARAMMMMMMMMMMMMMMMM

Logo no finalzinho do BEDA, eu e a Michas coversamos sobre como estávamos insatisfeitas com nosso ritmo de leitura em 2017, e decidimos que o mês seguinte ia ser aquele em que nos dedicaríamos a tirar uns minutinhos por dia pra ler. Minha meta foi a de ler um mínimo de dez páginas por dia em quatro dias por semana pelo menos, e nessa brincadeira consegui a marca recorde do ano de ler TRÊS livros num só mês, com mais de 100 páginas e nenhuma HQ. A Emi de 14 anos ficaria bem pouco impressionada, mas enfim. Ela também não tinha dois empregos e uma especialização pra dar conta.

Comecei pela aclamadíssimo Raven Boys, esse livro que bombou absurdamente em sei lá, 2015, e como boa diferentona que sou, só arrumei lugar pra ele agora em minha vida. Amo quando pago a língua por não ter lido um livro antes, porque essas histórias sempre me arrebatam de um jeito tão maravilhoso que sequer tenho cabeça pra me recriminar pela teimosia. A história tem protagonistas impossivelmente ricos, magia, mistérios sobrenaturais e Blue Sargent, a filha de uma vidente que cresceu sabendo que caso ela beije seu amor verdadeiro, ele vai morrer. Meu único apelo é pra vocês lerem também (já convenci Michas e Vanessa, mas espero arrebatar mais gente).
Depois, li The Book of Hygge, mais um desses livros de lifestyle que estouram e fazem nossa cabeça. Caso você esteja por fora do hype internético, hygge é uma palavra dinamarquesa (aparentemente a pronúncia é hoogah) que representa todo um conceito de conforto e aconchego e que é considerado uma das razões pra Dinamarca estar todos os anos no top 5 países mais felizes do mundo. O livro é legal e tem umas observações interessantes do autor, que é CEO do Instituto de Pesquisa da Felicidade (aparentemente é algo sério), mas também tem seus momentos auto-ajuda pedante, oferecendo receitas cheias de ingredientes que não se acham nessa terra brasilis e sugerindo que você acenda velas e lareiras a rolê. Se o hygge tem tanto a ver com calor, o brasileiro estaria no top 10 nações hygge. Leiam sem muita expectativa.
Depois peguei O Conto da Aia, por sugestão da Mia. Não era uma leitura que eu estava muito entusiasmada pra começar, depois que a sinopse que tinha lido falava em estupro - agosto tinha sido muito exaustivo e eu só queria CONFORTO MENTAL, mas acabou que a história é bem menos agressiva do que eu imaginei e a temática gera umas reflexões importantíssimas. Não seja como eu, essa pessoa que torce o nariz pra tudo que é hype, e leia. A Mia disse que se cansou um pouco da escrita da autora no começo; eu, pelo contrário, gostei bastante. De qualquer jeito, a recomendação pra ler esse aqui permanece mesmo se a história parecer difícil de engrenar (e pode nutrir algumas expectativas com esse aqui, tá).
Terminei o volume 2 dos Garotos Corvos no comecinho desse mês e só posso dizer RONAN LYNCH ME BEIJA É MINHA MAIS NOVA CRUSH LITERÁRIA. LEIAM OS GAROTOS CORVOS.

Também comprei coisas!!! Sapatilhas, porque a coisa tava feia (foram 3 por 99 na Zattini, comprem lá e usem o cupom OIZATTINIMEPATROCINAPLMDDS. Mentira, não tem cupom, porém se a Zattini ou a Moleca quiserem me patrocinar MEU CONTATO TÁ ABERTO), e duas brusinhas pelas quais estou apaixonada. Olha, acho que chegou a hora de assumir que camiseta é uma das minhas peças de roupa favoritas. A tendência 90's revival por mim podia durar pelo resto do século. Além das coisas aí em cima, comprei uma bolsa e uma vela com cheiro de melão no Paraguai. Viajei 400km pra trazer só isso pra casa, porque o que eu queria MESMO era uma lente nova mas ainda não tenho os monies pra comprar. Se vocês fizerem uma vaquinha pra me comprar uma 35mm, prometo fazer ensaios de todo mundo de graça.

Também foi o mês em que o The Killers finalmente desencantou e lançou o cd novo, Wonderful Wonderful. Até agora não sei o que sentir: é bom, mas eu esperava mais. Das faixas que não tinham sido lançadas antes, a única que amei com vigor foi Tyson vs Douglas, mas tem mais duas ou três que são bem cativantes. O resto eu achei meio meh mesmo. No restante do tempo, continuei meu culto a Hamilton, o musical que fodeu minha cabeça e me prendeu nas garras de um amor gostoso, que sequer consegui falar a respeito no BEDA porque o tempo era curto e a necessidade de elaborar os sentimentos era GRANDE DEMAIS. Se você se interessa por história, gosta de musicais, quer ver bastardinhos revolucionários apavorando geral e não se importa de chorar no meio ou passar semanas com as mesmas músicas na cabeça, o link pra trilha sonora é esse (tem o musical todo na internet também mas não vou sair postando links por aqui com medo das pessoas acharem e tirar do ar RISOS):
E A ELIZA É A ÚNICA PESSOA POSSÍVEL NESSA HISTÓRIA. Um fato interessante: quase todo o elenco do musical é composto de atores não-caucasianos pra contar a história de um dos pais fundadores dos EUA. Valeu por essa, Lin-Manuel Miranda (e pelo resto do musical também).

O que espero de outubro: Dormir bastante no feriado e juntar dinheiro pra comprar a lente que eu to querendo. Leiam Raven Boys e ouçam Hamilton pra gente comentar juntos depois!

#31: Wake me up when september ends

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(Se vocês não viram esse título vindo, vocês definitivamente subestimaram meu amor pelos clichês cafonas. HEHEHE)
ACABOU AGOSTO AEEAEAEAEAEAEAEAEAEAEAEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE
Se o sentimento de 365 dias atrás era o de Gif do Tetra, a minha versão escrevendo essas linhas só quer mesmo cair na cama e dormir durante um mês. Agosto definitivamente não foi bonzinho comigo, e eu não fiz nada pra facilitar.
Se em 2016 eu tinha alguma dúvida sobre a conclusão dessa empreitada e a euforia por chegar no final foi absolutamente genuína, em 2017 eu sabia exatamente como e quando fazer - só que não fiz. Prometi pra Deus e o mundo ouvir que só conseguiria bedar se me organizasse pra fazer isso desde julho, pra conseguir postar, comentar, ler, responder, linkar as pessoas, dormir 8 horas por noite e chegar até setembro tão radiante como gente em comercial de maquiagem. Ao invés disso eu procrastinei, enrolei e cheguei na linha de largada com UM mísero post programado, perdendo feio pros sete posts do BEDA anterior. Pessoas que conseguem escrever posts maravilhosos DURANTE o mês de agosto, eu gostaria de premiar vocês com todo o meu respeito e adoração, porque eu sou feita de rascunhos no google keep e memes que ficam um ano esperando nos drafts do Blogger.
Então chegamos ao dia de hoje cumprindo a meta dos 31 posts, mas ainda com a frustração de não ter conseguido participar direito da melhor parte do BEDA: A FOLIA. No ano passado, visitei uns trocentos blogs novos, conheci pessoas (A CILADA) e troquei mimos com pessoas, tanto nas caixas de comentários quanto no Facebook. Essa segunda foi uma experiência solitária, da qual gostei bem menos, porque me senti egoísta e isolada - as pessoas vinham aqui e liam, mas eu não via o que elas estavam falando e nem respondia ninguém. Se rolar um terceiro BEDA, me vejo facilmente sacrificando o compromisso do post diário por mais tempo pra foliar pela blogosfera; mas como missão dada é missão cumprida, até aqui nós seguimos a programação tradicional. Essa foi a principal lição aprendida e, de resto, não posso dizer que foi de todo um mau emprego do meu tempo: Durante esse mês, teve VÁRIAS pessoas saindo da toca pra comentar aqui (yaaaaaaaay!!), e se eu ainda não tive a capacidade de retribuir as visitas como a boa anfitriã que sou, farei isso em setembro (junto com as doze horas diárias de sono que pretendo ter). Juro. NÃO DESISTAM DE MIM EU SOU UMA MULHER DE PALAVRA OLHA SÓ
Também reafirmei o fato de que qualquer coisa vira post se a gente sentar a bunda na cadeira e escrever a respeito e pude sair um pouco da velha zona de conforto onde a gente se coloca ao longo do ano, que rendeu uns posts bem legais: meus favoritos foram o post sobre moda, aquele em favor de Mary Crawley e o guia da discografia do The Killers, e aquele onde postei um vídeo (!!!!!!) sobre meus livros merece um destaque já que fazia ANOS que eu queria produzir uns videozinhos. Meus menos preferidos são provavelmente todos os que tentei falar sobre livros, mas também foi nesse mês que me toquei que finalmente posso fazer isso de uma maneira diferente e mais legal. Ao mesmo tempo em que quero dormir pra sempre, continuo com o foguinho da criatividade aceso, pronta pra continuar escrevendo mais um post sobre a Taylor Swift (AGUARDEM) ou tirar algum dos posts que deixei nos rascunhos de lá antes de agosto de 2018. Não foi o BEDA que eu esperava, mas bedei assim mesmo. Bedar é escrever, é existir no espaço e no tempo, é me conectar com pessoas por aí, então a grande questão sobre ter valido ou não a pena todo o sono perdido e eventual estresse causado tem como resposta um grande SIM. Vai ter no ano que vem? Aí eu já não sei, mas conversamos depois. Me acordem quando setembro acabar.

A NOSTALGIA, AAAAAAAAAA

#30: A casa dos meus sonhos

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OPA, HOJE AINDA É DIA 30
Voltamos a ter imagens nos posts. Que progresso, amigos. 
Já contei aqui pra vocês que eu sou completamente apaixonada pelo Pinterest e volta e meia perco horas rolando e rolando e rolando a tela pra cima. Tenho pastas pra tudo o que cês imaginarem, desde artesanato a festa mexicana, e é lógico que ideias de decoração não faltam: são nove pastas diferentes de cômodos e fachadas que fomentam meus sonhos de princesa. Nesse momento eu adoraria estar construindo casas no meu país The Sims, mas já que o BEDA precisa ser escrito, nada melhor do que unir o útil ao agradável e contar meus fetiches de decoração e construção pra vocês:

1: Uma casa pequena
Exato. O ditado é aquele: Quem gosta de mansão é adolescente, adulto gosta é de casa pequena porque não dá muito trabalho pra limpar. Atualmente, eu e Mamai moramos numa casa pequena, e embora não tenha tudo aquilo que eu quero (em especial, um quintal florido), sinto que o espaço daqui é bem mais adequado pra nós duas do que um sobradão com quatro quartos, duas salas e três banheiros. Não é de todo ruim ter um lar menor: além de custar mais barato (risos), ele te obriga a praticar o minimalismo e o desapego com quinquilharias que juntam pó e atravancam a casa, e foi assim que eu descobri na prática que a gente realmente precisa de menos pra viver do que imagina. Quero uma casa aconchegante, o suficiente pra respeitar o espaço pessoal das pessoas mas que traga todo mundo pra perto.

OIE QUANDO É QUE EU POSSO ME MUDAR?
2: Piso de madeira
Quando eu era adolescente, morei num apartamento antigão que tinha piso de tacos, o que na época não parecia muito legal, porque eu tinha que encerá-lo e volta e meia um ou outro taco saía do lugar. Depois, as residências seguintes tinham piso de...piso. É piso de cerâmica que chama? Só sei que eu o odeio com vigor, já que a escolha do antigo proprietário não poderia ter sido pior. É terrível, é frio e é cafona. Aceito pisos que imitam madeira (desde que não seja cerâmica imitando madeira), que tragam mais amor pro meu coração e uma carinha melhor pro lar.

3: Plantas
É realmente bizarro como um pouquinho de verde dentro dá sua casa dá toda uma sensação de VIDA RESTAURADA, por mais que isso exija da gente a capacidade de ser responsável por uma plantinha. Aqui, atualmente, minha mãe é a doida das suculentas no jardim, mas não temos mais nada do lado de dentro. Lembro que quando eu era criança, a gente tinha praticamente uma selva (tinha uma samambaia na sala, ah, os anos 90), mas minha mãe logo ouviu que aquilo sugava o ar das pessoas à noite e expulsou as plantinhas todas. 20 anos depois e nenhuma delas retornou ainda, apesar dos meus apelos.

4: Janelonas
O karma da minha vida são esses apartamentos novos com essas janelas minúsculas HORROROSAS que eu costumo definir como pequenas demais até pro caso de a gente querer se matar. De muitas, eu realmente duvido da capacidade de abrir o suficiente pra permitir a entrada/saída de um ser humano. Isso pode parecer bom se você considerar que ladrão nenhum também vai ser capaz de entrar pela sua janela; mas segurança é algo meio secundário quando você tem de abrir mão de luz solar. Um dos meus quartos tinha UM mísera hora de luz solar por dia e foi uma das experiências mais tristes da minha vida (junto com a outra janela que não fechava direito e todo dia de chuva era garantia de inundação). 

5: Mais madeira
Unpopular opinion time: FODA-SE ESSE ESTILO CLEAN ~ESCANDINAVO~ HORROROSO QUE MAIS PARECE UMA GAVETA DE NECROTÉRIO. Desculpa. A verdade é que ambientes brancos demais sempre me deram muita agonia, e por mais que pareça legal no Instagram, a cara da riqueza e bem visite o decorado, eu tenho certeza plena de que jamais conseguiria habitar alegremente uma casa assim. Gosto muito dos tons de madeira, é algo que traz muita vida à casa na minha opinião. Acho que dá pra equilibrar ela com o branco e criar um ambiente bem bonito, que realmente pareça habitável. Fui tristemente informada de que madeira e seus derivados é um troço muito caro, o que eu nunca tinha considerado, então a partir de hoje passarei a aceitar pagamento em mobília de madeira maciça.


ESSA FOTO TEM TUDO O QUE EU FALEI, olha só que lindo

6: Um sofá incrível
Basta UM. E nem precisa ser daqueles sofás modulares imensos, de canto: a ideia que eu tenho da minha família futura é pequenininha, e acho que todo mundo caberia num sofá só - mas precisa ser um senhor sofá. Sonho com um de couro (#sorrynotsorry), embora claramente ele não caiba no meu orçamento de millenial, e não tenho nenhum familiar que possa me deixar um de herança; então aceito um de qualquer outro material, desde que extremamente confortável, já que é ele meu habitat natural.

7: Tapetes e cortinas maneiros
Tapete é algo que vai contra a praticidade do jovem millenial, já que junta pó, mas eu acho um negócio maravilhoso: esquenta os pés e deixa a casa muito mais bonita, alegre e com cara de casa de gente. A mesma coisa vale pras cortinas: ODEIO cortina blackout (a luz natural, gente, que coisa maravilhosa acordar com ela na sua cara) e só recentemente comecei a reparar como existem tipos diferentes, de tecidos diferentes, que deixam o ambiente com muito mais ~personalidade~. Depois de trazer as plantas pra dentro de casa de novo, meu próximo objetivo é convencer minha mãe a fazer cortinas legais e colocar tapetes (outra coisa abolida nos anos 90 graças às minhas infinitas crises alérgicas na infância).

Estou aqui no Pinterest. POR FAVOR, ME MANDEM FOTOS DE CASAS LINDAS POR LÁ 

#29: Eu não sei falar sobre livros

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Quando, há 94 anos, eu decidi que bedaria de novo, fiz um cronograma bonitinho e decidi que dedicaria um dia da minha semana pra falar sobre livros. O meme que respondi na semana passada contou um pouquinho da minha frustração: eu, pessoa que lê e pessoa que escreve, sinto quase uma obrigação de comentar as minhas leituras - se não isso, é uma baita comichão de dividir todos os pensamentos sobre aquilo que li - mas na realidade, cada post que me proponho a escrever aqui é um parto. Como as pessoas fazem isso regularmente - e ganham DINHEIRO o fazendo - é algo bem além da minha compreensão. Na minha cabeça, eu só me sinto uma fraude gigante.

O grande problema é que falar sobre livros na vida real não é a mesma coisa que Falar de Livros Na Internet™. Na vida real, eu falo de livros o tempo todo: já proclamei as maravilhas de A Arte de Pedir pra 90% das pessoas que eu conheço e recentemente, convenci a Michas a ler Raven Boys só com a minha euforia pelos meninos de Aglionby. Mas na internet, quando você abre o editor do blogger ou grava um vídeo, dizer meia dúzia de linhas parece insuficiente, e aí a gente precisa dissecar o livro de todas as maneiras possíveis. A gente precisa FALAR sobre a história, comentar os personagens e discorrer sobre o estilo do autor. Precisamos dizer nossa opinião e justificá-la de todas as formas, já antevendo a possibilidade de algum hater aparecer e invalidar tudo o que dissemos jogando um "ai mas essa é só a sua opinião" - já que afinal de contas, não é só a minha opinião. Né?
Né????
Ontem, conversando com as mocinhas Cilada sobre o booktube e a responsabilidade das pessoas ao falar sobre livros, me dei conta do que talvez nunca tenha feito sentido pra mim nessa brincadeira: Falar de livros na internet, ao meu ver, sempre foi só uma opinião. Assim como muitas outras, sou uma pessoa que lê mas que tem zero conhecimento teórico sobre o assunto, e que lê por simples e puro entretenimento. Alguns livros mexem com a nossa cabeça e merecem servir de referencial pro resto da vida, mas alguns são só um passatempo - nada de errado até aí. Se me lembro bem, os blogs que acompanhei desde o começo começaram a falar de livros dessa forma tão despretensiosa como eu: uma forma de compartilhar opiniões e mostrar seu livro preferido pro mundo, quase como uma conversa entre amigos. Só que de repente, todo mundo se transforma em expert em literatura, editoração e design, e se propõe a fazer uma crítica muito informativa e detalhada sobre a obra em questão.
Mesmo que ninguém tenha perguntado.
Uma questão que deixou as meninas muito incomodadas na conversa (todas elas comunicadoras por formação, ao contrário de mim) foi exatamente a irresponsabilidade das pessoas que, ao se proporem a cumprir essa tarefa de definir o valor de um livro, acabam confundindo opiniões com fatos e produzindo conteúdo carregado de um falso valor absoluto. Quantas coisas na internet a gente viu chegarem até nós cheio de um hype fortíssimo positivo ou negativo, e na hora de apreciar, a conclusão que tiramos foi completamente diferente? A real é que, hoje em dia, um bom número de pessoas que ocupa esse cargo de ~digital influencer~ continua sem a menor ideia do que tá fazendo. E não haveria problema nenhum, já que dar a nossa famosa Opinião de Merda™ é a coisa que mais fazemos na internet (O QUE É ESSE BLOG SENÃO ISSO, MEU DEUS????); desde que você não se venda como autoridade no assunto e convença as pessoas de que o fato de ter centenas de milhares de seguidores magicamente transforme o que você tem a dizer em algo profundamente relevante. Beleza, você é famoso, mas as pessoas não estão procurando por análises teóricas e técnicas dos livros - elas estão em busca de entretenimento (e se tem uma coisa que eu aprendi, é que ~qualidade~ de entretenimento não tá completamente ligada a qualidade daquilo que você usa pra se entreter). As pessoas podem curtir seu conteúdo como mero entretenimento, sabe????? Booktubers, pelo amor de deus, parem de se levar tão a sério e voltem a conversar sobre livros como pessoas normais.

Uma das coisas que sempre me assombrou demais ao tentar falar de livros aqui era exatamente o fato de sentir que alguém interpretaria minha opinião simples como uma Verdade Absoluta, responsabilidade que eu nunca desejei. A Mia, pessoa essa que cês sabem que eu admiro e acho que arrasa escrevendo, não tem problema nenhum em fazer isso. Já pedi ajuda pra ela umas quatro vezes pra aprender a escrever sobre livros, e a única coisa que ela me diz é "escreva do jeito que você gostaria de ler alguém falando a respeito disso". Menina Mia está corretíssima e acho que eu finalmente entendi como e porque ela faz isso tão bem - se a única coisa que tenho pra oferecer sobre os livros e sobre tudo o que vem parar nesse blog é minha opiniãozinha e ponto de vista, não tem como eu fingir que posso fazer diferente. Talvez seja esse o segredo, estar confortável com a nossa opinião ~pequena~ e mesmo assim poder falar a respeito pra quem quiser ouvir. Gera muito menos angústia no leitor que não se sente obrigado a concordar com quem fala, e muito menos angústia em quem fala porque não tem que se sentir uma FRAUDE GIGANTE, e assim todo mundo pode conversar de novo e trocar figurinhas sobre as coisas legais de antes. Vamos falar sobre livros?? 

#28: À procura da aesthetic perfeita

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Já faz uns dois meses que, num dia lindo de sol, a Ana e eu começamos a surtar por não termos um feed perfeito do Instagram. Essa era uma reclamação que ela tinha feito há algum tempo e eu não tinha entendido a gravidade dela, porque convenhamos: que coisa mais fútil. Certo? Certo. Pelo menos foi o que a Ana disse e eu repeti, plenamente consciente do ridículo dos meus sentimentos, mas isso não me impediu de chorar por não ser bonita como uma dessas meninas altamente produzidas e surrealmente bonitas na internet. Eu ponho a culpa na minha tpm.
Quem nunca sofreu rolando o feed das redes sociais e se sentindo a mais ogra das criaturas, usando pijama velho enquanto via meninas maquiadas de pele perfeita, não é mesmo??? No fundo do nosso cérebro, a gente sabe que aquilo tudo é photoshop e produção, mas assim mesmo, essa produção toda parece inalcançável pra gente, reles mortais que tem que bater cartão/responder chamada todos os dias no mundo real. Então eu resolvi escrever esse post, onde compartilho minhas impressões sobre como proceder pra conseguir ser igualmente linda. Não pus nada em prática ainda, mas quem sabe até o final do ano eu vire a nova musa do Instagram? HAHAHAHAHHA. Se funcionar pra vocês, por favor, lembrem-se desse guia e me mandem uns jabás.

1. É preciso entender que o conceito de aesthetic é algo que só existe dentro de um recorte espaço-temporal: não é viável VIVER 24/7 dentro de uma estética visual, como se a sua vida fosse um filme do Wes Anderson. Talvez você precise usar uniforme pra ir trabalhar ou ir pra escola, talvez você adore ficar em casa usando pijamas altamente unaesthetics de mendigo, talvez você não possa usar seus lukinhos de piranha chic pro almoço de 90 anos da sua vó. Tudo bem. Delimitar um espaço pra sua aesthetic é algo que ajuda na construção dela - é um espaço físico? (Seu quarto, sua sala, seu trabalho) É um espaço virtual (seu Tumblr, feed do Instagram)? Tem hora pra acontecer? Locais específicos? Envolve pessoas em particular? Pensar assim controla nossa ansiedade de transformar nossa vida instantânea e magicamente no feed do VSCO.

2. Escolha uma paleta de cores. Isso é fundamental! Não quer dizer que você é automaticamente obrigado a usar preto, cinza e rosa pro resto da vida - até porque isso não é viável. Mas como eu disse, aesthetic é um recorte da sua vida; então acho razoável supor que nesse recorte, algumas cores são a base de tudo e outras são proibidas. Considere as suas cores antes de tudo: o subtom da sua pele e a cor atual do seu cabelo combinam e destacam melhor algumas cores do que outras. Preto e branco não são básicos curinga, eles contam como cores. Escolha duas principais e três secundárias, adicione variações de acordo com as estações do ano e ~VUALÁ~!!!

3. MAQUIAGEM!!! Não adianta, você precisa dela. As meninas realmente parecem impecáveis, com aquele brilho saudável e cara de quem nasceu assim, linda e maravilhosa; mas é pra isso que servem base, blush e iluminador. E sobrancelhas: eu não acho que todo mundo tem que ser uma Kardashian, mas modelar e preencher suas sobrancelhas é algo que faz toda a diferença no lukinho. Também é legal prestar atenção na sua pele e cuidar dela antecipadamente pra não precisar carregá-la com camadas e camadas de base e estragar seu visual natural; e acho que o lance da maquiagem vale pra todos os estilos: mesmo os menininha natural da floresta até os princesa do swag. Não estamos trabalhando com coerência aqui, e sim com o que fica bonito - essa é a palavra de ordem, aliás, né?

4. Os lukinho: eles precisam se adequar à sua paleta de cores. Você pode ter um closet inteiro de roupas tipo tumblr, mas acho que se a gente começar por baixo e eleger um vestido/saia, duas calças, três blusas e um casaco/jaqueta/moletom (pode ser um vestido e duas saias se o seu estilo é contra calças), dá pra conseguir resultados igualmente legais sem quebrar a banca. Escolha dois sapatos e uma bolsa também - que sejam básicos o bastante pra poder ser usados com o resto do seu guarda-roupa, mas que complementem suas brusinha. Seu guarda-roupa básico vai continuar ali, mas com um toquezinho mais legal - que pode ser complementado ou substituído pelo guarda-roupa temático.

5. Embora o rolê do aesthetics pareça altamente natural etc etc, isso é tudo fingição e existe ALGUÉM por trás da bagaça toda. Eleja alguém pra isso - alguém que entenda o conceito e não tenha frescura pra tirar fotos suas fazendo carão no meio da praça. Alguém pra ser seu produtor, diretor e fotógrafo, que não tenha medo de pagar uns micos. Fazer toda essa produção sozinha dá muito trabalho, e essas mocinhas do Instagram tem equipes inteiras à disposição delas. Quanto mais gente, melhor (só não vale ficar pentelhando os outros, hahaha).

6. Observe e cace inspirações - quanto mais, melhor também. O Instagram e o Pinterest são seus amigos! Todo mundo já aprendeu que se inspirar não é copiar, mas quanto mais conteúdo você consome, mais vai poder absorver informação pra montar uma estética do jeito que você quer. Fazer boards no Pinterest é um dos melhores jeitos de criar uma noção estética e permitir uma visualização de qual estilo você quer criar pra você.

Mais alguém tem sugestões? De preferência sem envolver cirurgias plásticas ou nascer de novo numa família rica?
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