#17: Aquele pro meu irmão mais novo

4 comentários
Querido irmão mais novo,

Quando eu me tornei uma irmã mais velha, aos nove anos de idade, nenhum de nós soube disso de imediato - você por ainda não ter a menor condição e eu, por estar há dez mil quilômetros de distância. Tinha sido filha única até então e passado todo esse tempo sendo a única princesa de casa e do sobrado da minha nossa (até então) minha avó, enchendo o saco de todos os adultos do mundo pra brincar comigo e, quando isso falhava, inventando mil jogos sozinha. Aos nove anos, eu já estava na quarta série e tinha cansado de pedir um irmão (ou irmã) pra minha mãe; e o destino de ser filha única e não ter de dividir o computador do meu pai com mais ninguém parecia muito bom, obrigada.
Então você nasceu.
Não foi da minha mãe, como eu tinha cansado de pedir - foi da sua mãe, outra mulher, em outro país. Você era meu irmão-por-parte-de-pai, meu meio-irmão, - ainda que as pessoas me dissessem que isso não existia - uma enxurrada de malinhas e mantinhas azuis que chegou pra roubar ocupar espaço na casa onde eu tinha (até então) reinado sozinha. São nove anos entre nós, mas só conheci você às vésperas do meu décimo-primeiro aniversário, às vésperas do pior ano da minha vida escolar. É óbvio que eu enxergaria você como um intruso.
Talvez eu devesse pedir desculpas por isso. Talvez não (você faria o mesmo, eu sei).
Você era um bebê loirinho que se tornou o xodó das minhas amigas, que carregava pra todo lado uma bola do Palmeiras e pouco depois se tornou obcecado pelo Homem-Aranha, e depois vieram os anos em que fui estudar fora; e quando voltei, você tinha 12 anos e gostava dos Transformers. Acompanhei a mudança dos seus gostos pra heróis da Marvel e quadrinhos, sua mudança de escola e todas as outras coisas que fizeram de você um adolescente no auge dessa fase terrível.
A verdade é que mesmo às vésperas de fazer dezesseis, você não é terrível - não pra mim, pelo menos.
O acaso fez com que nós dois compartilhássemos um mesmo ramo da árvore da vida, mesmo sem termos dividido teto por um único dia sequer - e isso faz com que você seja a única pessoa no mundo além de mim que é capaz de entender certas coisas sem que eu sequer precise esboçar uma explicação. Fico surpresa como nossa forma de lidar com as frustrações é idêntica, e como você também carrega as mesmas inseguranças que eu tinha na sua idade (e que na sua idade eu também jurava que jamais iriam te afligir). Passei a maior parte da minha adolescência sendo atormentada por uma raiva inexplicável e inominável de tudo, algo que ninguém jamais entendeu e me fez ser vista como a menina esquisita por um longo tempo. Ver você passando pela mesma coisa é algo que me deixa ao mesmo tempo feliz por não estar sozinha nessa tormenta que volta e meia ainda me abala e triste, porque meu papel como irmã mais velha é sabiamente proteger você de todos os males do Universo, esse maldito. É óbvio que falho nisso porque não tenho a força incrível da Jessica Jones ou o sangue frio do Rorschach - eu sequer tenho a minha vida arranjada, quem dirá a dos outros - ou quiçá uma fórmula mágica que possa decifrar tudo o que você não consegue me dizer. É lógico que as nossas diferenças tem de aparecer em algum lugar, e elas estão nas escolhas que fazemos ao lidar com as pessoas: você não liga pra ninguém, eu ligo pra todo mundo. Cada um tem de descobrir sua maneira de como pode ser salvo, e enquanto estou aqui, desabafando nesse site e tocando bateria imaginária ao som da nova do The Killers, você deve estar matando gente jogando Battlefield. Paciência.

Eu sei o quanto é estranho não dizer pessoalmente o quanto você significa pra mim e fazer isso por meio de um blog na internet que estranhos podem acessar e ler, mas não escrevo isso aqui pra me expôr ou expôr você - sim, eu sei o quanto essa ideia te aborrece, mas eu escrevo porque sou gente que escreve desde antes de você nascer. Eu escrevo essa carta post babaca porque falar sobre o que eu sinto e penso em forma de texto corrido é a melhor maneira que conheço de me expressar, e por mais que nós dois passemos tardes falando de vídeos bobos, do Ensino Médio e suas dores e da raiva que sentimos do mundo, sei que falamos muito pouco da gente. Do que somos e do que sentimos. Das outras coisas feias e tristes, dos medos e das tristezas, desses sentimentos extremamente vulneráveis que eu sei que você tem tanto quanto eu, mas nenhum de nós parece ter coragem pra abrir a caixa de Pandora enquanto estamos juntos. Nós crescemos longe um do outro e as trivialidades da vida nos escaparam, o que talvez dificulte essa coisa de expôr nossos piores sentimentos - e eu sei que ninguém nunca te ensinou muito bem como fazer isso, mas eu queria usar esse post - que nem sei se você vai chegar a ler, porque eu sei que você gostava de ler esse blog mas a minha vergonha idiota das coisas que penso e escrevo te expulsou daqui - pra comunicar meus sentimentos, numa tentativa meio besta de que eles talvez cheguem até você um dia.
Você e eu temos muito mais em comum do que admitimos ou sabemos, e mesmo sem saber comunicar isso da maneira ideal, isso forja um vínculo entre nós que sei que não poderia ser substituído por mais nenhum. Você também tem ciúme da casa e das tranqueiras da casa da minha nossa avó e cresceu comendo dos mesmos pratos, ouvindo as mesmas histórias e eventualmente tomando banho de banheira, assim como ocupando um lugar na história do nosso clã que de certa forma, também parece bastante com o meu.
Irmão mais novo: as pessoas que não são unidas pelo amor, são unidas pelas tragédias em comum, e o que eu sinto por você tem um pouco dos dois. Nunca usei a palavra amor falando contigo porque também sou uma menina jeca, arisca e noiada demais pra abrir meu coração a torto e a direito, mas você merece saber da sua importância pra mim. De como eu gostaria de fazer com que você se sentisse amado nesse mundão véio e cruel e de oferecer suporte pra que você enfrentasse tudo aquilo que realmente te perturba. Eu gostaria de poder dizer tudo isso de uma maneira melhor, assim como gostaria que você entendesse que pode confiar em mim, mesmo que o mundo diga o contrário sobre as pessoas.
Você me faz entender que família é todo mundo que deixa a nossa longa caminhada pela Terra menos solitária; e se é que em algum momento da história tive a opção de reconhecer você como meu irmão por inteiro ou como irmão nenhum, eu estou feliz com a primeira opção. Obrigada por existir. Obrigada por estar segurando minha mão, metaforicamente, mesmo sem saber, nesses anos todos. Estou aqui pra segurar a sua também.

#16: Um guia para a discografia do The Killers

3 comentários
O THE KILLERS VAI LANÇAR CD NOVO DIA 22 DE SETEMBRO E EU ESTOU EMPOLGADA. Deu pra perceber? Falei disso em praticamente todas as oportunidades que tive. O THE KILLERS VAI LANÇAR OUTRO ÁLBUM, DEUS DO CÉU, ME SEGURA.
Eu já conhecia Somebody Told me desde o lançamento (quem não ouviu essa música em 2004, némesmo) e era fã de Mr. Brightside e Bones, mas só fui conhecer a banda de verdade em 2012, num final de semana prolongado em que deveria ter dedicado ao meu projeto de pesquisa na faculdade mas procrastinei horrores jogando Candy Crush e ouvindo música. Mr. Brightside é uma das poucas músicas por cujo clipe sou apaixonada e pode ser que eu estava ouvindo ela, quando perdi o controle e a ferramenta de reprodução automática do YouTube foi me levando pra outras drogas. Lembro que a terceira música a me conquistar foi Read My Mind, seguida por This is Your Life, e a partir daí fui puxada pra drogas mais pesadas como When You Were Young e o resto é história, já que há cinco anos essa banda ocupa o pódio de Minha Banda Preferida.
Dito isso, não sou a melhor e maior fã do mundo, sequer sigo a página deles nas redes sociais ou dei dinheiro pra eles comprando um mísero chaveirinho, mas me sinto no direito de fazer alarde e ficar histérica porque as músicas deles me causam SENTIMENTOS. Sinto arrepios, aperto no peito, vontade de gritar, arrancar os cabelos e qualquer outra coisa que pode ser confundida com loucura pura, mas é só a arte deixando suas marcas em mim. Obrigada Deus, pela existência de um grupo que consegue traduzir o que eu sinto e não sei explicar em faixas de quatro minutos.
Outra coisa: Esse post vai ser ilustrado com gifs do Brandon Flowers porque não basta o The Killers ser essa banda doida que me causa os sentimentos mais intensos, o vocalista deles também é gatíssimo e eu tenho vontades de lamber a cara dele. Me liga, Brandon, xoxo.
#1: Hot Fuss (2004)
O que é: O primeiro álbum de estúdio
Também conhecido por: Ter lançado os mocinhos do Killers pro mundo e por ter 2/3 da ~trilogia da morte~. Também é o preferido de um monte de gente.
O que eu acho dele? Acho que é meu menos preferido, não me odeiem. É um álbum de estreia e não tem a vantagem da ~maturidade~ que os músicos adquirem com o tempo, o que não quer dizer que eu o odeie. O Hot Fuss foi lançado há 14 anos (eita) e se parece muito com de o som outras bandas que faziam um sucesso tremendo na época, e talvez essa seja exatamente a chave pra entender porque todo mundo ama esse álbum e ama ao mesmo tempo as outras bandas de indie rock e eu, bom, não. As faixas são mais "pesadas" do que as dos álbuns seguintes, tem uma vibe mais dark, distorcida ou algo assim. Me falta o vocabulário pra explicar.
O que ouvir daqui: Provavelmente tudo o que você já ouviu  Mr. Brightside é de longe a melhor, seguida de Somebody Told Me (é boa sim, vai) e All These Things I Have Done, que foi a única surpresa realmente boa que esse álbum me trouxe. Gosto de Change Your Mind e Under the Gun (apesar do Sawdust ter uma versão melhor dela); mas esse é meu gosto pessoal - as pessoas AMAM Jenny Was a Friend of Mine, Midnight Show e Smile Like You Mean It (e eu também gosto, dependendo do estado de espírito). Se qualquer uma dessas combinações te agradar, você é uma victim em potencial, risos (essa alcunha é muito brega, fazer o quê).
#2: Sam's Town (2006)
O que é: O segundo álbum de estúdio, que tem um som bem diferente em comparação com o primeiro
Também conhecido por: Ser o MELHOR ÁLBUM DO ROLE ATÉ AGORA. Não é meu preferido por razões sentimentais, mas é claramente o melhor, e a enquete que fiz no Twitter diz que a galera concorda.
O que eu acho dele? É bom, muito bom, e envelhece ainda melhor. O Sam's Town já fez dez anos, já foi relançado com música extra e continua excelente como no primeiro dia que o ouvi. Eu sinto uma diferença notável do indie ~genérico~ do Hot Fuss pro rock que eu reconheço como sendo o The Killers - a banda é de Las Vegas, cultivada no meio de letreiros de neon e poeira do deserto, e de alguma forma eu consigo sentir essa mistura altamente americana nas músicas desse álbum, que é extremamente energético - o bagulho é loko, eu avisei.
O que ouvir daqui: Tudo? Sério, é muito dificil escolher o que deixar pra trás, porque esse é um álbum muito homogêneo em termos de qualidade. Minha favorita de longe é When You Were Young, um HINO, um Musicão da Porra, chamem do que quiser. This River is Wild é meu segundo lugar, uma música pra amar do começo ao fim. Bones, Sam's Town, Read My Mind e Bling seguem como as minhas outras eleitas, embora esse seja um cd que não tenha uma música ruim.

#3: Sawdust (2007)
O que é: Um álbum só de B-sides, remixes e outras músicas não lançadas oficialmente
Também conhecido por: Ser absurdamente ignorado e ter a minha capa favorita. Também tem a primeira parte da ~trilogia da morte~, um trio de músicas que juntas contam a história de um assassinato passional.
O que eu acho dele? SUBESTIMADO. São 17 músicas e das 13 que só estão nesse álbum, seis delas ganharam meus coraçõezinhos no iTunes. Pra mim, ele tem a mesma vibe indie do Hot Fuss, com um pouquinho mais do segundo álbum, e merece ser levado em consideração tanto quanto os outros.
O que ouvir daqui: ROMEO AND JULIET - é cover do Dire Straits e AMO COM FORÇA ESSA MÚSICA. Tem Shadowplay, um cover do Joy Division que todo mundo também ama. Minhas outras favoritas: Tranquilize (que tem o Lou Reed), Show You How, Under the Gun e Sweet Talk, que me passam sentimentos muito bons. Também tem All the Pretty Faces, é muito boa e deveria ser um single do Hot Fuss.
#4: Day & Age (2008)
O que é: O terceiro álbum de estúdio da banda
Também conhecido por: BRANDON FLOWERS EM SUA MELHOR FORMA 
O que eu acho dele? MEU FAVORITO, mesmo que a referida enquete no Twitter não tenha concordado. Acho o Day & Age e o Sam's Town muito parecidos, numa vibe diferente (e melhor) do que o antecessor e o sucessor. Muitas das minhas músicas favoritas estão aqui, então o Day & Age reina no meu coração, mesmo não sendo constantemente bom como o Sam's Town.
O que ouvir daqui: A DUSTLAND FAIRYTALE, POIS EU AMO ESSA MÚSICA COM TODO O MEU CORAÇÃO e faço questão de gritar o nome dela aos quatro ventos (o clipe dela é uma maravilha tal qual o de When You Were Young, assistam). Losing Touch é outra música que me faz querer gritar de tão maravilhosa!! Spaceman, Neon Tiger e Human são as minhas outras indicações - O Day & Age pode não ter os mesmos números que o antecessor, mas das cinco músicas que citei, as quatro primeiras estão no meu top 10 da banda - são músicas muito intensas, que me fazem sentir coisas, que fazem com que eu me sinta muito viva. Esse cd é injustiçadérrimo, por favor ouçam ele também.

#5: Live From the Royal Albert Hall (2009)
O que é: Como o nome diz, é um álbum ao vivo
Também conhecido por: Ter a mesma capa do Day & Age
O que eu acho dele? Então, gente. Eu não gosto de álbum ao vivo, a maioria das músicas acabam sendo versões piores das versões de estúdio, então é o primeiro que eu mandaria pra fogueira se tivesse que escolher, heh. Tem quem goste, tho.
O que ouvir daqui: Aquelas que não indiquei nos álbuns passados Acho que a única música que eu gosto de verdade daqui é a versão no piano de Sam's Town, que originalmente soa bastante agressiva mas que fica muito boa na versão acústica também.
#6: Battle Born (2012)
O que é: O quarto álbum de estúdio
Também conhecido por: Ser o pior dos quatro álbuns de estúdio
O que eu acho dele? Não é o pior, só fica em penúltimo RISOS. O Battle Born foi lançado alguns meses depois de eu me descobrir fã do The Killers, e me lembro que depois da expectativa pelo cd, o lançamento me decepcionou um pouquinho, porque esse cd também escapa um pouco do ritmo construído pelos anteriores. Não é, assim como o Hot Fuss, um álbum ruim - mas sinto que as músicas daqui dão mais destaque pros vocais e menos peso pros instrumentos. Amo demais a voz do Brandon, mas sou igualmente fascinada pelos shows de bateria e guitarra que eles deram em Sam's Town e Day & Age; e talvez isso justifique minha preferência.
O que ouvir daqui: Obviamente, comece por Miss Atomic Bomb, uma música que tem ligação láaaa com Mr. Brightside (e um clipe maravilhoso). Runaways é a minha segunda preferida, seguida por Deadlines and Commitments (eu amo o ritmo dessa musica), A Matter of Time e The Way it Was.
UNICO BRANDON FALSO POSSÍVEL
#7: Direct Hits (2013)
O que é: A única coletânea dos melhores sucessos da banda
Também conhecido por: Ser um filler pra matar a nossa vontade por coisa nova, já que o Battle Born não foi esse graaaaaaaaaaaaaande hit. Se não me engano, depois da última turnê a banda entrou num hiato, e pra comemorar os dez anos de história da banda, veio esse cd.
O que eu acho dele? Um álbum BEM jóia - sempre começo baixando coletâneas quando não conheço alguma banda, e acho que o Direct Hits entrega isso aí que ele promete no título. O Sam's Town merece mais atenção? Merece. Comecem por esses dois, então.
O que ouvir daqui: TUDO, afinal, é uma coletânea de sucessos. Tem as únicas músicas que prestam do Hot Fuss e do Battle Born (hahahaha) e faz um bom trabalho compilando os outros dois álbuns, que merecem mais atenção. Ele tem duas inéditas que definitivamente VALEM O MATERIAL: Shot at the Night e Just Another Girl, que está no meu top favoritas do The Killers.

#8: Don't Waste Your Wishes (2016)
O que é: Um álbum com músicas natalinas. O The Killers lança, desde 2006, um single de Natal cujos lucros são revertidos pra caridade, e no ano passado saiu um álbum compilando dez anos de história natalina.
Também conhecido por: Me ajudar a deletar aquele monte de pastinhas de singles de Natal e juntar tudo num cd oficial.
O que eu acho dele? Olha, eu não gosto de música de Natal, então acho esse cd meio dispensável, salvo por umas duas músicas - mas fã que sou, qualquer coisa que eles toquem e cantem tá valendo, então mantenho esse álbum aqui porque às vezes sinto a louca de ouvir.
O que ouvir daqui: Minha preferida é Don't Shoot me Santa (2007), que é a única que eu ouço voluntariamente e não só quando o iPod está no shuffle e também é a primeira parte de uma trilogia que envolve um Papai Noel rancoroso e continua em I Feel it In My Bones (2012) e Dirt Sledding (2015) - também são boas músicas pra se ouvir, mas não tanto assim como a primeira. Além dessas, Christmas in L.A. (2013) tem uma vibe melancólica e não fosse pelo refrão, ninguém diria que é um jingle de Natal.
#9: Wonderful Wonderful (2017)
O que é: O ÁLBUM NOVO - o quinto de estúdio.
Também conhecido por: Ser o único álbum a não ter o nome da banda na capa, o que invariavelmente me deixa irritada por quebrar a estética - mas também por ser o álbum novo depois de CINCO ANOS de Battle Born.
O que eu acho dele? Mal conheço e já considero PACAS. Eles mesmos disseram que esse é o álbum mais parecido com o Sam's Town da história da banda, então só me resta ficar ansiosa e histérica até o mês que vem.
O que ouvir daqui: Por enquanto, só tem duas músicas: The Man e Run for Cover. Ambas são incríveis - Run for Cover é uma música cheia do que eles fazem de melhor e The Man tem Brandon Flores fantasiado de homão o clipe inteiro, meusamigos. Não tem como dar errado.


The Killers num top 10:
Tem playlist, né? Lógico. Com muito esforço, selecionei minhas dez músicas preferidas e montei uma listinha pra deixar vocês no mesmo clima que eu até setembro. SÓ VEM THE KILLERS!!!

#15: Saber não ocupa lugar

4 comentários
Ou: aquele sobre as casas de Hogwarts que eu deveria ter escrito uns seis meses atrás
Ou ainda: IH FOI MAL A MINHA É A CORVINAL

ERA PRA SER UMA ÁGUIA, CACETE
É missão praticamente impossível falar de Harry Potter sem trazer à tona um baú cheio de sentimentos datados da época em que a gente naufragou sem perceber naquelas páginas e quis, mais do que nunca, acordar com uma coruja trazendo no bico nossa carta de Hogwarts. Comigo isso aconteceu quando eu tinha uns oito anos, e mesmo sendo jovem demais pra embarcar no trem naquele primeiro ano de Ron, Harry e Hermione, foi impossível não fantasiar minha própria vida como bruxa - comprando meus materiais no Beco Diagonal, escolhendo uma coruja de estimação e sentando ao lado do trio na mesa do café da manhã.
Usando as cores da Grifinória. Óbvio.
Que atire em mim a primeira pedra quem nunca se imaginou como o novo amigo do Harry; cruzando os corredores de Hogwarts  ou arrasando no campo de Quadribol de uniforme vermelho e dourado, se sentindo o máximo por não ter caído naquela casa que só tem panacas, aquela outra onde estão todos os vilões (com uma COBRA como emblema, francamente), ou aquela outra completamente irrelevante. No princípio, era a Grifinória, porque nenhuma outra opção parecia boa o bastante pra um protagonista - e também porque sabíamos pouco demais sobre as outras três.
Então eu cresci. E aí vieram as fanfics. E claro, Draco Malfoy.
E a Sonserina.
A ideia de que em algum lugar do espaço tempo eu poderia ser aceita na Sonserina é tão maluca que me faz RIR - embora claramente minha versão ficrwiter não estava nem aí pra isso. Não tenho sangue nobre e muito menos ambições de poder, além ter de uma tendência a colocar o bem-estar dos outros na frente do meu, o que faz de mim uma legítima panaca. Passei um bom tempo imaginando que por conta disso, seria bem recebida da Lufa-lufa - a casa mais subestimada de Hogwarts, a mais inclusiva e que teve o menor número de bruxos das trevas da história. Mas aí veio o Pottermore, e J. K. Rowling me botou na Corvinal.
Sabemos muito pouco sobre a Corvinal, e J. K. Rowling não nos faz nenhum favor na hora de apresentar os alunos: Cho Chang é odiada por metade do fandom, Lockhart é um palhaço mentiroso, Trelawney é charlatã e doida ao mesmo tempo... e tem a Murta-que-geme, a maior piada pronta dos livros. Prof. Flitwick, mesmo sendo um professor talentoso (que também foi hatstall), é metade duende. E claro, temos Luna Lovegood.
Ela é boazinha, ela é do bem, ela salva o dia, mas ela é estranha. As pessoas riem dela, colocam apelidos lunáticos e somem com as coisas dela, porque isso parece ser um passatempo de primeira. Luna é uma doida varrida, e seu comportamento gentil não é suficiente pra que as pessoas deixem de julgá-la ou tentem se aproximar dela de verdade, incluindo Harry e seus amigos.

A Corvinal embora seja completamente esquecida nos livros tem essa suposta fama de abrigar um bando de CDFs neuróticos que não ligam pra nada e nem ninguém e fariam qualquer coisa mesmo pra ter boas notas. Mas a verdade é que talvez o Chapéu Seletor do Pottermore tenha lá seus poderes; e embora a Lufa-lufa pudesse me receber com amor, minha verdadeira casa em Hogwarts só poderia ser um lugar onde livros são mais importantes que pessoas. Às vezes. Mas ainda assim.

Se a Luna andava por aí sozinha usando brincos de rabanetes e caçando Bufadores de Chifre-Enrugado, eu também passei bons recreios na biblioteca, abraçada aos meus livros de ficção sobre um menino que frequentava uma escola mágica sobre os quais ninguém queria saber. Livros são mais importantes do que pessoas porque às vezes, pra alguns de nós, o único conforto possível de ser encontrado pra nossas emoções ou ideias não está nas pessoas de verdade que nos rodeiam, mas sim em ideias de outros igualmente doidos e esquisitos que deixaram isso registrado no papel. A sala comunal, de teto alto e decorado com motivos celestes e janelas em arco parece o lugar perfeito pra passar o dia todo lendo, sendo transportado para um outro lugar- qualquer lugar, em qualquer época, desde que seja diferente do aqui e do agora que às vezes são tão limitados e torturantes. Os alunos não estão mortalmente interessados em validação, poder ou status - a Corvinal é a casa dos introvertidos, das pessoas quietas com mentes barulhentas demais, que mergulham muito fundo dentro de si mesmas e às vezes basta saber que existe alguém ali, igualmente interessado em discorrer sobre teorias suspeitas ou ideias não-conformistas pra afastar de vez o desconforto da solidão. Aliás: estar sozinho não é um horror pros Corvinais, já que no fundo, no fundo, nossa jornada não vai ser percorrida por ninguém além de nós mesmos; e dizer sim pra nós e nossas ideias invariavelmente se afasta de seguir as ideias e a companhia de algumas pessoas ao longo da vida.
A Lufa-lufa pode aceitar as diferenças, mas é a águia da Corvinal e não esse raio desse corvo que, lá de cima, consegue enxergar mais longe e mais além e abraçar as pessoas realmente estranhas - sem pedir desculpas por isso, sem minimizar os tiques e as manias irritantes, sem esperar que elas abram mão das suas ideias pra parecerem adequados em Hogwarts. Rowena Ravenclaw entendia que a verdadeira inteligência e esperteza não estavam somente nos livros - ou ela teria deixado questões de provas pra serem resolvidas pelos alunos ao invés de enigmas. Pra responder um enigma, é preciso além de conhecimento, pensar fora da caixa e arriscar hipóteses, mesmo que elas estejam erradas. É necessário tentar o novo, algo que muitas vezes envolve falhar também - algo que os alunos detestam, mas assim mesmo entendem que devem arriscar. A Corvinal celebra a originalidade e a criatividade dos estudantes de encontrar suas próprias soluções, já que duas cabeças pensam sempre melhor do que uma e, cada uma à sua maneira, tem ainda mais chances de encontrar uma saída para uma dificuldade. A criatividade também pode ser conhecida por germinar ideias horríveis; mas não se pode fazer um omelete sem quebrar os ovos e o preço que se paga pela liberdade de gerar ideias fabulosas são as ideias ruins. A Corvinal tem várias histórias de bruxos que inventaram alguma sandice - assim como nós temos nossos dias ruins e o próprio BEDA serve para provar isso. Os dias de posts ruins existem, mas não tem como escrevermos os posts bons se deixarmos de escrever at all.
Os Corvinais também são corajosos, não por lutarem contra dragões a sangue frio ou saírem por aí caçando bruxos das trevas, mas por exporem seu eu verdadeiro pro mundo acima de qualquer outra coisa. O verdadeiro tesouro de cada um está ali entre as orelhas e diz respeito àquilo que cada pessoa viveu, pensou e levou adiante, e cada bagagem é única e preciosa. Os testrálios que a Luna enxerga são uma boa metáfora de como nossos olhos podem ver coisas que outras pessoas não percebem quando não possuem uma história que dá sentido àquilo - e saber que o mundo poder ser mais do que a sua percepção te comunica é de uma capacidade muito maior do que apenas decorar livros e tirar boas notas.
O real trunfo da Corvinal não é dar sempre a resposta certa, mas sacar que podem existir múltiplas respostas certas - e ainda saber quando e como usá-las. O lema da casa, em inglês, usa a palavra wit, e acho engraçado como essa palavra não tem uma tradução exata pro português: pode significar inteligência, esperteza ou até mesmo miolos. Pra além do conhecimento acadêmico, alguém que é witty é uma pessoa divertida, espirituosa, rápida e sagaz no humor. Wit beyond measure talvez queira dizer isso: de pouco adianta fama, riqueza ou outros troféu, quando a coisa mais preciosa é aquilo que somos, sabemos e pensamos. Não se trata somente do cérebro e do intelecto, mas sim do espírito e do nosso "eu" em todos os sentidos. O avô que eu só pude conhecer por meio de histórias dizia que saber não ocupa lugar e, mesmo sendo de uma família que não pode optar pelos estudos, acumulou conhecimentos de todas as fontes que pôde pra passar adiante. A única riqueza possível, aquela que não pode ser roubada, é a riqueza do pensamento, do nosso mundo interno. Amém, Rowena Ravenclaw.

#14: Gente talentosa: Jerianie

8 comentários
A Jerina (que segundo o Google Tradutor, se pronuncia Ierina) é finlandesa (!!!!) e ilustradora, mas como se não bastasse, ela também é uma obra de arte - RISOS RISOS - Fiquei impressionada quando o Twitter me recomendou ela e dei de cara com fotos maravilhosas, quase uma pintura do século 21.
Acho ela a cara da Bela Adormecida e morro de vontade de catar minha trouxinha e #partir #finlandia - to seguindo ela há pouco tempo então não peguei a temporada das fotos de inverno, mas agora ela posta bastante coisa do verão e eu confesso que to surpresa por lá não ser um grande bloco de gelo. Num dos posts, ela diz inclusive que é muito fácil pros finlandeses encontrarem áreas verdes perto da cidade e isso com certeza explica as fotos nos lugares maravilhosos que ela tira.
Vocês já estão carecas de saber como a fotografia me inspira. A primeira vez que me deparei com alguém que me causou sentimentos maravilhosos com um simples clique foi em 2012, quando enfiei na cabeça que deveria insistir na ideia de comprar uma câmera e brincar disso também. O tempo passou, a fotógrafa em questão mudou o estilo dela e me tornei órfã de alguém que enchesse meu coração de amor e beleza com tanta precisão, até encontrar a Jerina. Eu andei meio desanimada de pegar na câmera, mas o Instagram dela restaurou com toda a força isso em mim.
Logo no primeiro dia que encontrei ela pela internet, rolou aquele sentimento de "meu Deus, que menina perfeita, quero ser igual a ela ou a vida não vale a pena AAAAAAAAAAAAA". Vocês sentem isso também rolando por certos feeds? Eu sinto mais vezes do que gostaria - mas esse não é mais um caso de uma menina com cara de modelo perfeitinha disseminando uma vida surreal na rede - os posts que ela escreve pra acompanhar as fotos são igualmente lindos e muito reais. Dá pra perceber o quanto ela gosta do verão (rindo - menina, você não conhece os trópicos) e o jeito honesto de falar sobre questões pessoais, como a história dela como artista, o intercâmbio que ela fez no Japão e pensamentos sobre aparência e autoestima, postando também umas fotinhas sem maquiagem sem problema nenhum. Acho ela muito linda por dentro e por fora do mesmo jeito.
Tenho andado profundamente apaixonada por essa estética de flores e natureza e os looks outonais dela. Tudo tão simples e maravilhoso, tão prático mas ainda assim muito fofinho. Além de ser essa beleza toda, a Jerina estuda Mídia Interativa e já estudou Design e Ilustração. Ela compartilha as artes dela no twitter e no tumblr, e de vez em quando posta uns progressos do próprio trabalho. As ilustrações também são muito lindas - ela pinta tanto com tinta quanto digitalmente, e de vez em quando ilustra alguns dos próprios lookinhos bonitos. Também já comentei aqui que eu adoraria saber desenhar, e ver a evolução dela como desenhista me deixou pensando em tomar vergonha na cara e praticar desenhos todo dia, já que essa é a única forma dolorida de aprender a fazer arte.
A conta dela tem sido uma das minhas favoritas de acompanhar, porque sempre me sinto bem de ler e ver os posts que ela faz. Sinto um verdadeiro carinho na alma e não só nos olhos; e que bom seria se a internet fosse só essa pracinha recheada de gente legal, né? A gente tenta fazer isso selecionando esses perfis e passando adiante (aceito sugestões de vocês também).
Resolvi não fazer montagens com as ilustras dela porque mesmo sendo uma artista muito boa, são as fotos que ela posta (sobre as quais não sei muita coisa, mas adoraria saber quem tira) que me fazem sentir dez mil coisas diferentes, e eu queria mostrar o máximo possível delas aqui, mas os links pra checar todos os posts da Jerina nas redes sociais tão aqui: @jerianie (instagram) - @jerianieart (instagram) jerinart (tumblr) - @jerianie (twitter)

#13: Exausta demais pra aguardar até outubro

4 comentários
Eu juro que pensei que não fosse conseguir chegar até esse post, mesmo tendo dito que depois da semana passada não morria mais. Quero FÉRIAS, meus amigos. Tenho direito a férias remuneradas só depois da metade de outubro; e o plano é utilizá-las em janeiro. Será que consigo passar pelos meses remanescentes sem cometer algum crime ou atentado contra algo? Ta aí uma questão que não posso responder com certeza. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
Assim mesmo, parece que @Deus ouviu algum dos meus apelos desesperados e mandou um sinal de que tempos melhores estão por vir - sendo esse sinal A MÚSICA NOVA DO THE KILLERS. Acho que nunca dediquei a eles aqui no blog o espaço que merecem pra fazer algum post (e posso ou não fazer isso nessa próxima semana, veremos), mas já comentei em vários lugares que o status de banda preferida do momento (nos últimos cinco anos, actually) é deles. Me tornei fã da banda no ano que o Battle Born saiu, ouvi todos os cds até a exaustão e mais um pouco, e ultimamente andava meio enjoada cansada das músicas e vazia, em busca de um hit novo pra ouvir em loop. Reclamei disso na terça-feira e eis que na quarta, Run For Cover surgiu pra mim numa revelação divina. Até o fechamento desta edição, continuamos piradas no ritmo da música e agradecendo ao senhor todo-poderoso por The Killers continuar VIVÍSSIMO. Já linkei o clipe de The Man por aqui, então vocês fiquem com Run for Cover agora (que é muito mais legal, mas não ganha os brownie points de ter Brandon Flores vestido de cowboy no vídeo).

Ninguém perguntou, mas minha obsessão por Hamilton continua. Agora aprendi a cantar Non-Stop. Acho que ninguém comprou minhas indicações musicais, né? OUÇAM HAMILTON, EU JURO QUE É BOM.
Digníssimo me transformou num monstro.


Uma pausa pra reclamar do trabalho: são dez meses como funcionária da saúde pública deste país e eu quero ARREGO. Trabalhar com pessoas doentes traz todo um nível diferente de estresse laboral porque, veja bem, as pessoas estão doentes. A gente sempre acha que nossa vida está ruim, mas aí a gente fica doente - uma gripe, tosse persistente, unha encravada - e aquilo ali é o suficiente pra abafar todas as outras misérias e te deixar pior; e quando a coisa se torna uma Doença de Verdade, o buraco aumenta. As pessoas não estão felizes, as pessoas não estão em condições de facilitar a vida de ninguém, e às vezes por mais que a gente queira (e a gente quer), também não podemos facilitar a vida delas porque faltam RECURSOS - tempo, dinheiro, pessoal, instalações. Quer dizer, a gente até pode, mas com um custo enorme pros funcionários - eu poderia salvar a vida de todo mundo que precisa de mim, se trabalhasse por 50 horas semanais, 30 delas de graça. E é assim que chegamos rapidinho nesse tipo de dilema - devo me matar de trabalhar pra ter a consciência em paz de quem fez tudo o que pôde e não pode ou simplesmente dizer o famigerado NÃO e colocar os limites onde eles devem ficar, e assim resguardar parte da minha saúde mental ao custo da das pessoas? Eu poderia salvar o mundo e passar adiante o altruísmo irrestrito, mas acontece que essa merda já tava assim e não foi por minha culpa, eu não tenho os poderes reais pra resolver as coisas da maneira certa. Eu não sei responder isso. Estou cansada. POR FAVOR, ME DÊEM FÉRIAS.
Desculpem o assunto meio bosta, mas esse é o resumão da semana, o post onde me dou ao direito de falar qualquer coisa que cruza minha mente porque é domingo. Semana que vem eu melhoro, não desistam de mim.

Previously on BEDA: Revivi a categoria 7 on 7, falei da mulher incrível que é Mary Crawley, mostrei meus livros bonitos (num vídeo que enrolei quase um ano pra fazer), falei sobre uns clipes musicais que vi (THE MAN, MEUS AMIGOS), desabafei sobre o transporte coletivo e homenageei os doces esquecidos pela galera.
No BEDA das amigas, teve a Cacá fazendo um tutorial de caligrafia ~falsa~ (porém TOPPER DEMAIS), a Natalia fez um post com joguinhos de celular #top, a Tati falou sobre essa coisa maravilhosa que é ESCREVER, a Isa falou sobre finanças (já que somos todas adultas e responsáveis com nosso dimdim) e o drama de querer estar fit x a dificuldade de navegar na academia, a Ana falou de Downton Abbey num meme (assistam Downton Abbey, se lady Mary não te convenceu deixe a Ana convencer você), e a Mia bateu um papinho sobre fobias e gente escrota. Ufa.
Eu juro que to tentando ler e mimar todo mundo como cês merecem mas estou há quatro horas aqui na frente do pc tirando o atraso do Feedly e lendo uns oitenta posts, e minha cabeça já começa a doer. Perdão. Quem eu esqueci de linkar aqui eu link no próximo post.
Hoje é dia dos pais e aproveitem pra beijar o de vocês e mimá-lo de qualquer maneira que pareça adequada - falando nisso, é o primeiro dia dos pais que posso passar com o meu pai desde que a gente fez as pazes oficialmente. Aproveitem os pais de vocês :)