#5: 50 perguntas

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E se eu contar pra vocês que estou enrolando desde o ano passado pra responder este meme (roubado do blog da Lolla porque vocês sabem que eu sou dessas)????? O BEDA é esse evento salvador que faz a gente tirar tudo aquilo que ficou pegando pó nos rascunhos do blog por preguiça ou pura covardia mesmo.

1) qual foi a última coisa que você escreveu num papel?
Uma listinha de pacientes com horários a serem reagendados - the horror.

2) o que está sempre na sua bolsa?
Na bolsa do trabalho: chaves da clínica, relógio, celulares (agora eu só tenho um), óculos, crachá, agenda, caderno e caneta. Na bolsa de sair: celular, iPod e carteira (com frequência acompanhados de caneta, guarda-chuva e óculos de sol)

3) o que você costuma pedir num café?
Eu quase não frequento cafés, mas acho que meu pedido padrão é bolo ou empada.

4) quais websites você visita diariamente?
Nenhum, nem o Twitter. Mas ele e alguns joguinhos estão entre os sites que eu visito quase todo dia.

05) para quem você liga quando está triste/com raiva?
Minha mãe/Digníssimo, mas minha mãe é sempre a primeira opção.

06) de que cor é a sua escova de dentes?
Branca e laranja.

[kede as perguntas 7 e 8???? já tava assim quando eu cheguei]

09) você tem piercings?
Eu, hein. Nem os furos dos brincos eu ocupo direito.

10) qual a melhor época do ano na sua terra?
Natal? Gosto e maio e junho, que são os meses iniciais do inverno paranaense - frio mas não muito, e sem a aridez de julho e agosto. Mas, embora eu odeie as temperaturas, gosto do verão por motivos de horário de verão (me odeiem) e obviamente NATAL.

11) o que deixa você realmente triste?
Os tapas na cara que a realidade me dá toda vez que eu me perco nos sonhos. Gente grossa e ignorante. Pensar na morte das pessoas que eu amo e em como as coisas vão mudar depois disso.

12) o que deixa você realmente feliz?
Digníssimo diz que eu tenho baixa manutenção, e é verdade. Fico muito contente com coisas bobas como chamego, peripécias artísticas e ver o nascer do sol; apesar que gastar dinheiro com bugigangas também tem esse poder quase sempre.

13) qual o seu emprego dos sonhos?
Acho que escritora (ou pelo menos costumava ser), mas cada vez mais vejo que "não existe trabalho ruim, o ruim é ter que trabalhar". Por mais que você ame algo, fazer aquilo profissionalmente envolve todo um nível de angústia com o qual eu definitivamente não sei lidar.

14) você assina alguma revista?
Não, nunca; mas já tive sonhos de ser assinante de 90% do catálogo da Abril. Acho chique, risos.

15) qual foi a última coisa que você comprou?
LIVROS A ROLE no Amazon Day. To arrependida até agora do gasto, porém tão bonitos os embrulhos chegando.

16) você gosta de comida chinesa?
Não. Eu gosto é de carboidrato

17) qual foi a última vez em que você esteve numa igreja?
I haven't a goddamn clue. Acho que em dezembro de 2015 entrei porque queria ver o presépio (??????????)
(imagens aleatórias que estão aqui apenas pra entreter vocês desse monte de overshare)

18) qual foi a última pessoa que fez algo realmente especial para você?
Eu não sei???? Talvez o Digníssimo.

19) você já esteve em uma ambulância?
Nope.

20) você consegue enrolar a própria língua?
Sim, né

21) quanto tempo leva para se vestir antes de sair?
Depende da pressa, acho que cinco minutos é meu recorde. O ritual consiste em ajeitar o cabelo, passar protetor solar e corretivo nas olheiras, trocar de roupa (porque em casa estou SEMPRE vestida como mendiga) e por sapatos (que são sempre sapatilhas porque são as mais práticas).
Se por acaso eu precisar calçar um sapato com fivela e fazer alguma coisa remotamente parecida com MAQUIAGEM esse tempo sobe pra uma hora.

22) você fala palavrão?
Sim. É feio, mas tão libertador. Paciência *shrug*

23) você já acampou?
Não - tinha uma época em que eu queria muito, mas hoje em dia prezo demais pelo meu conforto pra mijar no meio do mato.

24) quantos irmãos você tem?
Um

25) qual é o seu nível educacional?
Curso superior completo (grandes bosta, né)

26) em quais lugares você já morou?
Cinco anos na Cidade Grande, vinte anos na Roça, três semanas em Ferrara RISOS

27) qual a parte favorita do seu corpo?
Mãos, ombros, olhos, lábios, cabelo?

28) qual a parte menos favorita do seu corpo?
O resto (mas acho que principalmente as olheiras)

29) você acha importante celebrar aniversários?
SIM! SIM! SIM! (Esse amor é tão profundo!) A vida adulta é uma merda e eu me sinto no direito de fingir que sou mais especial que o resto do mundo num dia do ano. Não só os meus, mas as pessoas de quem gosto também. Fico triste sempre que alguém nao faz questão.

30) você tem roupas da sua infância?
Muitas, tenho uma malinha cheia de roupas de bebê que minha mãe não se desfez não sei por que e uma sacola com peças aleatórias da adolescência, incluindo a blusa que usei na formatura da oitava série (um evento importantíssimo) e meus amados uniformes do futsal. Tenho também meu macacão de batismo que é de longe a peça de roupa mais bonita da minha vida.

31) uma coisa ruim sobre ter um blog?
A chance de um estranho que você não quer que te leia ler? É o risco que a gente corre pra que os estranhos gente boa nos leiam

32) quantos copos de água você bebe por dia?
Depende; mas gosto muito de beber água (gelada sempre). No verão devo beber em torno de uns dois litros, acho. No inverno, se for uma garrafinha de 500ml ja é milagre hue

33) a que horas você vai dormir?
Tento deitar por volta das onze/meia noite, mas de vez em quando a insônia se manifesta e durmo lá pelas duas da manhã.

34) matérias preferidas na escola?
Biologia, Inglês e Português

35) batata frita ou doces?
Doces. Adoro salgado, mas batata frita tá longe de ser o meu preferido (a menos que coberta de queijo, mas aí é apelação).

36) último filme que você assistiu:
Spider Man: Homecoming, no cinema.

37) a coisa mais romântica que você já fez:
Escrevi junto com as miga uma carta de metro pro nosso professor favorito, risos (tomara que ele tenha queimado). Ain't no crush like a teenage crush

38) o presente ideal para alguém que se hospeda na sua casa levar:
Torta salgada. HAHAHAHHAHA ou sei lá, bugigangas handmade - adoro todas.

39) qual a idade do seu pai?
Meio século

40) você já saiu no jornal?
Saiu uma notinha de duas linhas sobre o fato de eu estar trabalhando, o resultado do concurso público também. Minha mãe obviamente guarda os dois.

41) uma citação favorita?
"You can't save people, you can only love them". Não é A favorita, mas eu gosto bastante dessa. É algo importante de se ter em mente.

42) qual a sua cor de esmalte favorita?
Todas? Mas tenho muita preguiça de fazer as unhas atualmente, porque elas conseguem se autodestruir em menos de doze horas. Sempre. Gosto de vermelho, preto e os nude cara da riqueza.

43) em quem você se inspira?
Minha mãe no quesito estrutura mental pra continuar vivendo, Digníssimo no amor ao conhecimento, minha terapeuta no aspecto profissional e na capacidade de se manter calma (não sei se a gente pode chamar isso de inspiração, mas enfim). Também sou muito inspirável em certos fotógrafos da internet que fotografam sonhos e coisas fofinhas - gosto do sentimento de tranquilidade que me transmitem.

44) você é vaidosa?
Não, nunca, jamais. Sou um ogro da montanha - mas queria aprender a ser mais ajeitadinha

45) existe algo que você gostaria de comprar mas ainda não teve a oportunidade ou dinheiro?
HAHAHAHAHA, don't even get me started. No momento, queria muito umas lentes novas.

46) como foi seu noivado?
Uma resposta que vai ser decidida depois que a gente discutir qual a versão oficial da nossa história de amor.

47) você prefere comprar roupas, bolsas ou sapatos?
Prefiro roupas, mas acho que sapatos são mais úteis e duram mais. O dinheiro gasto com bolsas é quase zero.

48) você se sente jovem ou velha para a sua idade?
Minha alma tem eternos dezesseis, minha mentalidade tem pelo menos uns cinqüenta. Isso dá muita treta.

49) quais são os seus maus hábitos?
Dormir muito tarde, procrastinar, o sedentarismo, os pet peeves.

50) o que você vai fazer quando terminar de responder a essas perguntas?
Dormir (depois de perder meu tempo com joguinhos, claro).

#4: Watchmen (ou: a melhor história em quadrinhos da minha vida é para adultos)

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Se a memória não me falha, o primeiro gibi que chegou às minhas mãos foi uma revista da Mônica, provavelmente datada de 1996, que continua guardada junto com outras centenas de edições que vieram parar aqui em casa depois. Ler revistas em quadrinhos foi um hábito que adquiri muito cedo e cultivei com muito gosto até hoje; mas demorou muito, muito tempo mesmo pra que meu horizonte no país das HQs se expandisse para além da produção infantil nacional. Watchmen foi possivelmente a primeira dessas histórias que despertou meu interesse, quando fui assistir lá em 2009: o primeiro de alguns filmes de herói que torrariam minha paciência alguns anos mais tarde, mas com uma atmosfera pesada e tão diferente dos lançamentos futuros da Marvel que eu jamais diria que se tratava de uma adaptação, se ninguém tivesse me contado.
A proposta do autor - Alan Moore, nosso velho comunista favorito - era exatamente aproximar a mídia dos quadrinhos de temáticas e leitores mais maduros, e ele faz isso com uma excelência tão grande que nem meu ódio pelo final da história me fez deixar de espalhar a palavra de Watchmen por aí. A adaptação pro cinema é muito próxima da escrita original, e desde o filme prometi pra mim mesma que iria ler, mas oito anos se passaram até que eu processasse a história, lidasse com o final e meu irmão comprasse essa edição e decidisse me emprestar pra que eu sofresse outra vez.
Eu diria que foi na hora certa.
No universo de Watchmen, super-heróis são reais - pessoas comuns, com identidades mascaradas, dispostas a salvar o dia e derrotar o mal. Mas em 1985, a verdadeira ameaça que paira sobre as cabeças dos americanos é uma guerra nuclear com a Rússia, pronta a explodir a qualquer instante, como bem marca o Doomsday Clock. Em 1977, uma lei restringiu a ação dos vigilantes mascarados, exigindo registro e ação regulamentada pelo governo e fez com que todos pendurassem suas máscaras e capas - exceto pelo Dr. Manhattan, um físico, vítima de um experimento que desintegrou seu corpo e milagrosamente o transformou numa entidade com poderes divinos e pelo Comediante, um antigo vigilante independente que tinha trabalhado pro governo americano. É a morte desse último que faz Rorschach, um mascarado do submundo que quer fazer justiça e não se importa em fazê-la com as próprias mãos, investigar o caso e contatar seus antigos colegas - Adrian Veidt (Ozymandias), supostamente o homem mais inteligente do mundo, herói aposentado, empresário milionário, self-made man; Laurie Juspeczyk, filha de uma antiga vigilante chamada Espectral que foi treinada desde a infância pra assumir o traje da mãe e Dan Dreiberg, criança fanática por pássaros e invenções com dinheiro o suficiente pra se transformar em Asa Noturna quando adulto.

Embora seja a ameaça nuclear que mova as ações da série, Watchmen não é uma aula de história sobre a guerra fria ou um combate entre o bem e o mal. É uma síntese da humanidade, que fala sobre escolhas individuais, sobre a nossa impotência e limitação diante das ~forças do universo~ e nos faz pensar sobre o que faz nós, ralé, tão diferente de todos aqueles que tem poder e parecem voar sobre nossas cabeças. A conclusão a que chegamos é que ninguém realmente vigia os vigilantes - o que pode ou não ser terrivelmente assustador, quando enxergamos que ninguém está imune aos vícios e fracassos. Mesmo Dr. Manhattan, o único herói com poderes sobre-humanos - o que é visto como um presente de Deus pelo governo norte-americano - sente o peso de ser um semideus, já que a sua conexão com os dramas e emoções humanas passa a sofrer uma interferência irreparável. O Dr. pode desintegrar a matéria e perceber o fluxo do tempo acontecendo simultaneamente, e diante dessa nova perspectiva de quem entende o Universo com uns dez novos sentidos, as demandas e conflitos do planeta em que ele vive e que abriga a sua antiga espécie não chamam a sua atenção ou merecem seu julgamento.
Por outro lado, a inteligência de Ozymandias e a frieza de Rorschach também colocam os outros dois, Laurie e Dan, num patamar mais humano e menos super - ambos são um homem e uma mulher fantasiados pela noite dentro de uma nave em formato de coruja, às vezes sendo piegas e irritantes com seus dramas familiares e corriqueiros, em busca de amor, reconhecimento e paz familiar. Se talvez pareça óbvia a desvantagem entre eles e o restante dos vigilantes ao longo da história, o desfecho dado aos dois ainda é o melhor, o que nos faz pensar que mesmo apesar das falhas e limitações da humanidade, vivê-la ainda parece a melhor escolha, aquela com maior chance de dar novos sentidos à vida quando ela não dá certo (pelo menos quando você ainda sobrevive). No caso de Veidt, Rorschach e Dr. Manhattan, a posição onde eles se colocam é um pouco mais exigente quanto ao resultado final: ser super não tem muita tolerância pra falhas; e se graças aos seus talentos você está acima dos perigos que os reles mortais representam, são as exigências internas pra manter integridade moral digna de um herói que podem ser danosas. No final das contas, eu não sei se existe muita diferença.
Ao contrário dos gibis de super-herói, com heróis e vilões perfeitamente delineados, Watchmen não entrega nada igual a isso - mesmo o Comediante, que morre nas primeiras páginas, vai mostrando mais camadas do que gostaríamos de saber acerca de um homem que a princípio se vende como bruto, macho e perigosamente sarcástico. Nada é preto no branco, nem mesmo a máscara de Rorschach e suas dezenas de interpretações. Ele e Ozymandias talvez sejam os melhores candidatos ao posto de super-herói da história, mesmo que ainda estejam longe demais da perfeição - ou sequer de opiniões unânimes entre os fãs. É aí que Alan Moore acerta magistralmente quando se propõe a falar de heróis e usar as histórias em quadrinhos pra conversar com o universo dos adultos: não é uma história para acalmar nossos medos e incutir valores em ninguém. É a história do ser humano, falando sobre como tá todo mundo mal e como podemos sobreviver a isso. Não existe um final feliz, como Dr. Manhattan faz o favor de lembrar os leitores de que nada acaba realmente. Não há respostas certas nem prêmio para quem acertar mais, mas existem as respostas erradas - e o peso delas vai ser cobrado de alguém.
Watchmen é uma história sobre, entre outras coisas, como a humanidade é preciosa e como aceitá-la, com falhas e tudo, pode nos salvar de responsabilidades e consequências grandes demais (e sobre como, às vezes, a gente só quer um herói da Marvel pra nos salvar, ainda que só na fantasia). Não tenho muitos livros no rol das minhas leituras que deveriam ser universais, mas esse é um deles - é, ainda por cima, um daqueles livros que vai te fazer discutir no bar, debatendo os possíveis desfechos como se aquele fosse uma obra super gabaritada ao invés de um gibizão. Watchmen é algo que foge dos dualismos sendo as duas coisas ao mesmo tempo: valeu por essa, Alan Moore.

#3: Como sobreviver ao inverno

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Em pleno 3 de agosto, esse post poderia muito bem se chamar como sobreviver ao inferno - não sei se o mesmo se aplica a vocês aí, mas aqui por essas bandas agosto é o mês oficial da seca. Não tenho a menor ideia de quando foi a última vez que caiu água do céu, mas essa noite ouvi ruídos, o chão acordou meio úmido e - surpresa - o vento frio voltou com tudo, lembrando que ainda estamos nessa estação que alguns amam e outros tem verdadeiro terror. Acho que gosto do inverno desde sempre, já que ele é sinônimo de trégua naquela coisa abominável chamada calor, que é infalível em derrubar minha pressão (e a dignidade dos looks do dia); mas muita gente tem um relacionamento turbulento com os meses de maio, junho e julho por aí. Se o inverno já tiver acabado aí onde você mora, tanto melhor: no ano que vem você já vai estar preparado/a pra sobreviver sem maiores dificuldades.

1: BEBA ÁGUA

Tá frio e tudo o que você mais quer é ficar paralisada com as mãos juntinho ao corpo e ao lado de uma xícara fumegante de chá. Eu sei. É normal a gente esquecer de beber água normalmente, o que dizer de uma estação em que a ideia de fazer xixi (e sentar naquele assento gelado) é desconfortável? Ainda assim, manter a hidratação do corpo em níveis saudáveis vai te poupar de sofrer com mais mal-estar além das eventuais gripes - eu fico muito mal-humorada quando esqueço de beber água, sinto minha boca ressecada e a cabeça dói. A gente já sofre muito com pele ressecada nessa época, e não adianta se besuntar nos melhores cremes (creme Nivea do pote azul, eu te amo) se nosso organismo não tem a quantidade suficiente de água. Vale fazer aquilo que você faz o ano todo: por lembretes no celular, colocar garrafinhas em todo lugar e bebê-las durante o dia. Quer dizer, você faz isso, né? NÉ? Bebam água, gente.

2: Vista-se de acordo

Quem discorda daquilo que o inverno deixa as pessoas mais elegantes certamente ainda não descobriu os truques pra sobreviver no frio e continua tendo que vestir todos os moletons de uma vez. Em primeiro lugar: arrume um casacão ou jaqueta pesados de verdade. Ah, mas aqui quase não faz frio, eu nem tenho onde usar um casaco!!! Vai por mim - melhor ainda, ele vai durar décadas e você nunca mais vai ter que colocar dez camadas de roupas porque não tem nada suficiente pra aguentar aquela temperatura (e sair de casa se sentindo o boneco da Michelin). Eu sempre odiei essa sensação de milhões de roupas tirando minha mobilidade, e isso resolveu muito quando finalmente arrumei um casaco decente de frio - além ele vai te dar cinco pontos de elegância a mais, quando você sair pra almoçar meio-dia e o dia já estiver quente de novo, você só tem UM casaco pra carregar. Além disso, calça jeans é uma vestimenta extremamente gelada, então aquela coisa de vestir a calça do pijama por baixo continua valendo - e fica ainda melhor se você substituir ela por uma meia-calça (que dá pra usar debaixo do pijama antes de dormir, aí você tira o pijama, veste a calça e nunca mais precisa tirar a roupa às seis da manhã antes de ir trabalhar).
A gente também pode aprender com os europeus e incorporar acessórios, do tipo gorro e cachecol. Embora eles pareçam desnecessários - a gente tem essa mania de achar que não faz frio no Brasil, aí quando faz todo mundo se sente dentro de um freezer - fazem muita diferença na hora de manter o peito, pescoço e cabeça quentinhos, principalmente se você tiver que caminhar no meio da rua num dia de muito vento. Cachecóis são lindos, vão te dar mais cinco pontos no quesito elegância e você pode enrolar no pescoço, na cabeça, em volta das orelhas e se bobear serve até como mantinha. Eu lembro de ter visto em Curitiba um cachecol fantástico que também funcionava como touca e tinha mil jeitos de se enrolar nele pra proteger todas as partes do rosto; e não importa se você mora aí no Nordeste e 20ºC já te fazem pensar em se enrolar nas cobertas: frio é frio, e se a perspectiva de dias frios te fazem querer morrer, você precisa de tudo o que puder pra enfrentar o inverno.
Por fim, gente, meias de lã. Amo meias de lã e elas salvam meu inverno, são as únicas que aquecem meu pé. Quem tricotou essas foi uma vizinha que tem uma máquina de tricô, mas acho que dá pra pedir pra uma vó ou tia especialmente habilidosa, caçar em feirinhas de artesanato ou simplesmente comprar uma meia térmica por aí. Recomendo, melhor investimento que já fiz pro inverno.

3: Abuse de todos os truques do mundo

Se você não precisa sair de casa, dá pra esquentar água no fogão, mandar pra dento de uma garrafa pet e ter uma bolsa de água quente de 2L. Caso não, o jeito é se esquentar do jeito que dá: coloque chá quente na garrafa térmica pra ir trabalhar, sente do lado que o sol bate no ônibus, aproveite o horário de almoço pra ficar um pouquinho do lado de fora pegando sol também. Asse bolos e fique aproveitando o calor do forno, deixe pra lavar a louça e tomar banho nas horinhas mais quentes do dia, e se isso ainda não for suficiente, dá pra comprar um aquecedor portátil pra soprar vento quentinho nas suas mãos, pés e na roupa gelada antes de vestir. E óbvio: abrace e pegue na mão de todo mundo que você gosta usando a desculpa de se esquentar.

4: Aprecie

Eu odeio de verdade o verão, e entendo que é perfeitamente possível sofrer por causa de clima, especialmente se ele te traz alguma doença junto. No entanto, os meses quentes tem duas coisas imbatíveis pra mim: clima natalino e horas extras de luz solar, duas coisas que me deixam muito feliz, ainda que passando mal. Se a gente não pode mudar as temperaturas só com a força das reclamações, fica mais fácil tolerá-las quando encontramos algo bom pra curtir no meio daquilo. O inverno traz festas juninas, a florada dos ipês e uma infinidade de comida delícia quentinha, além de ser uma época muito boa pra se exercitar sem suar horrores. Também escurece antes, o que é uma ótima desculpa pra deitar mais cedo e dormir por mais horas (ou só ficar assistindo Netflix).

Alguém tem mais alguma dica? Como é sobreviver ao inverno pra vocês?

#2: 2017/1, uma playlist (e um desabafo)

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Eu sei, eu sei que apareci aqui ontem pra dizer palavras motivacionais e encorajar vocês a fazerem a magia acontecer nesse mês; e eu adoraria que o segundo post fosse sobre algo mais legal, útil e divertido - mas esse é, ainda, um blog pessoal, onde no final do dia eu venho pra desabafar e procurar conforto quando a vida real é especialmente malévola. Eu juro que me esforcei, inventei trocentas pautas diferentes e comecei nada menos do que quatro posts de número dois, mas... não deu.
por fora: fazendo piadinhas com gif do Kiko / por dentro: chorando
Durante os dias que passei escrevendo o post inaugural (que comecei uns dias antes, óbvio), eu pensei mais vezes do que gostaria em chutar o balde, desconectar o wi-fi e fingir que não tinha dito nada a respeito de bedar pra ninguém - dessa vez não por preguiça ou medo de escrever, mas por sentir a vida difícil demais. Junho não foi um mês muito legal na minha vida e julho passou trazendo uma cota de agravos em cima disso tudo, e enquanto estou aqui escrevendo essas linhas, deitada na cama, tem parte de mim que realmente adoraria desconectar o wi-fi, jogar a coberta em cima da cabeça e fingir que não estou aqui. Férias do universo é meu único sonho de consumo no momento, e é algo que simplesmente não vai acontecer - porque tenho um emprego com E maúsculo que só vai me dar 30 dias de férias remuneradas depois de 18 de outubro (se houver dinheiro em caixa pra isso, lógico) e surtar, ir pro psiquiatra e ganhar um atestado de um mês de afastamento não é uma opção, porque né
(tecnicamente, né. eu faço as avaliações e os encaminhamentos, but I guess it counts)
Meu trabalho é ficar aqui, convencendo as pessoas de que vai ficar tudo bem - o problema é que dentro de mim não tem nada em bom estado. Se em algum momento da última semana eu consegui transmitir calma e força pra alguém, atribuo isso a um milagre do sobrenatural. Por dentro eu estou devastada, sentindo a minha alma como um campo estéril e esturricado onde a única coisa que me resta a fazer é fechar os olhos e dormir pra sempre.
É uma sensação estranha.
Ficar putassa sentir raiva quando algo não dá certo é meu modus operandi pra lidar com problemas desde que me entendo por gente, e talvez a única vantagem da raiva é que ela faz a gente se sentir viva, fervilhando de adrenalina enquanto dilacero cabeças mentalmente. A Mia, lendo meu mapa astral, disse que sou muito mais agressiva dentro da minha cabeça do que fora dela e eu achei essa a definição mais bonita e sucinta pra quem sou eu - se não meto a porrada em todo mundo na vida real, ao menos dentro da minha cabeça eu saio triunfante das tretas; mas agora, nem isso acontece. Eu me sinto insignificante, irrelevante, pequena demais pra dar conta de tudo o que a vida exige de mim e uma presa pronta pra ser engolida viva por algum monstro a cada virada de esquina, pra depois ser cuspida num anticlímax e ficar lá, babada, no meio da rua. Me sinto constantemente anulada, imprestável até pra virar comida de monstro imaginário.
Desculpem a metáfora ruim. Tá difícil.
E nessas horas nós fazemos playlists.
Mesmo sendo pessoa que escreve, também sou pessoa que berra letras de música a plenos pulmões e chora em ônibus com foninhos no ouvido quando a vida alcança níveis críticos de saúde mental. Por isso o post de hoje, além desse chororô, também traz inteiramente de grátis uma incrível playlist pra você ouvir e remediar suas dores caso você esteja num estado emocional tão miserável quanto a pessoa que escreve esse post - ou caso você só queira curtir o bom e velho roquenrou, que nunca decepciona. Juntei The Police, que tem sido a banda mais sucesso de 2017 com o The Smiths de todas as fossas, o novo sucessinho da Lorde, a voz fora de série da Stevie Nicks e outras coisinhas que falaram junto ao meu coração nos últimos tempos - incluindo Radiohead, logicamente, pra não deixar ninguém duvidar que isso é um mixtape da categoria bad vibes.
Já comentei em algum canto que levo o conceito de trilha sonora tão a sério que tenho pastas de playlist temáticas no iTunes, cuidadosamente trabalhadas pra tocar as nuances mais sutis dos meus sentimentos; e se essa é uma playlist de dor-de-cotovelo, cheia de versos do naipe de I'm a liability, get you wild, make you leave; what the hell I'm doing here, I don't belong here e I am human and I need to be loved just like everybody else does, essas músicas não vão rasgar a minha alma e temperar a fossa emocional com álcool 70º como a famigerada playlist Queria estar morta - eu só quero alguma coisa que me faça sentir - que transforme meus sentimentos em algo real, válido, legítimo, capaz de ser compreendido e de se transformar. O refrão de Bad Day diz que It's been a bad day, please, don't take a picture - e de qualquer jeito, eu espero que o dia seguinte seja um bocadinho melhor do que esse. ❤


#1: Bedar ou não bedar

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Ou, como diria Ana Maria Braga: ACOOOOOOOOOOOOOOOOORDA BLOGOSFERA!!!

Então, eu bedei.

Bedei no ano passado e foi LINDO, caso você não tenha estado presente pra acompanhar a folia que rolou. Este festival anual de criatividade, superação e desespero foi uma das melhores coisas no ano de 2016, causou o maior agito na história de posts do Beyond até então e serviu de exemplo concreto pra mim de que é sim possível calar a voz no fundo do meu cérebro que gosta de repetir que meus posts são desnecessários e que não consigo escrever nada que preste. Quer dizer, talvez eles até sejam desnecessários - pro mundo, pra economia global, pra coisas Realmente Importantes; mas escrever sobre a minha vidinha pacata não foi nem de longe o fiasco que parte de mim acreditava - ouso até dizer que foi um feito e tanto. O disparador pra escrever feito louca no ano passado foi um post que tinha escrito na época (do qual ainda gosto muito), em que eu falo sobre escrever na internet e cativar pessoas; e se não me tornei internet famous depois disso, a recompensa veio em forma de vínculos ótimos, blogs novos pro blogroll e um grupinho no whatsapp cheio de gente bonita, carinhosamente batizado de CILADA TOP. Meus amigos, o BEDA 2016 foi um sucesso.
Mesmo apesar da ressaca que invariavelmente atinge a gente depois do dia 31, eu estava certa de que queria repetir a brincadeira. Eu podia repetir a brincadeira, porque tinha a prova de que era capaz bem ali. Eu queria ter emendado um BEDS, BEDO e quem sabe um BEDN, porque estava eufórica depois de trinta e um dias jogando fogo na lareira da criatividade, com o motorzinho da escrita ligado e a todo vapor. Tinha recuperado o ânimo pra falar sobre Tudo e Nada ao mesmo tempo - que é essencialmente a temática que move este estabelecimento - e NADA PODERIA ME DERROTAR.
Exceto, é claro, a preguiça. E a vida, lógico.

O problema é que coisas acontecem entre os meses que não bedamos, como arrumar empregos com horário de entrar e sair, além de cursos e concursos pra estudar. O medo de não dar conta foi, aos poucos, se instalando por aqui e me convencendo de que era melhor me recolher, assistir a coisa toda só do camarote e deixar pra tentar outros troféu numa outra ocasião; evitar as emoções fortes e continuar com minha vidinha pacata no ritmo cômodo que ela adquiriu nos últimos dez meses. À primeira vista, parece muito sensato dizer "não vou arrumar sarna pra me coçar". Eu quase consegui me convencer disso.
Mas chamar o BEDA de sarna seria grosseiro demais da minha parte; já que a ideia de blogar com frequência é exatamente aquilo que nós, pessoas que escrevemos aqui na internet, prometemos pra nós mesmas nas resoluções de ano novo e cremos que agora vai, até que a vida nos atropele com prazos, compromissos e boletos, e nos force a deixar nossos hobbies de lado. Como eu disse no trigésimo primeiro post do ano passado, agosto foi um mês que passei escrevendo, e de jeito nenhum isso poderia ter sido uma experiência ruim. Bedar é me comprometer a fazer algo que nunca falhou em me alegrar, mesmo que nem sempre seja fácil; é transformar as reclamações vazias que fazemos sobre não ter tempo praquilo que gostamos em algo eficaz e que mude isso. A possibilidade de não dar certo é real (como o Blogmas de 2016 tá aí pra provar), mas - pra fazer jus à tradição de começar isso aqui com clichês motivacionais - a gente realmente não tem nada a perder. A gente tá praticamente o tempo todo tomado por essa sensação de que tem coisa demais pra darmos conta na vida e talvez isso nos faça dizer mais 'nãos' do que deveríamos, especialmente quando se trata de coisas que gostamos de verdade de fazer.
Então cá estou eu outra vez, feliz por ter dito outro sim; e desesperada, como não poderia deixar de ser, mas devidamente eufórica e muito bem amparada também. Se no ano passado eu cheguei pra festa completamente sozinha e tentando me enturmar, o BEDA 2016 ajudou pra que eu achasse minha tchurma na blogosfera, e são essas as pessoas que botaram muita pilha e deram muito incentivo emocional pra que, mais uma vez, eu entrasse nesse barco furado que é assumir publicamente o compromisso de aparecer por aqui todos os dias no mês mais árido do ano. Vai ter BEDA em todo o Circuito Cilada de Blogs™, e convoco cês todos pra aparecerem nesse mesmo bat-local amanhã e também nos blogs da Mia, Michas, Ana e Tati - e caso você seja um bravo guerreiro desbravando sozinho os mares da blogosfera nesse agosto que promete durar tempo demais, dê um grito nessa caixa de comentários e vamos nos apoiar mutuamente!!!

FAQ rápido pra você que ainda está em dúvida:

Bedar ou não bedar? 
BEDAR!!!!!

Mas não dá mais tempo agora!!!!!
Dá sim! O BEDA 2016 foi escrito todinho quase em tempo real!! E esse provavelmente também será

É IMPOSSÍVEL escrever 31 posts diferentes!!!!!!
VAMOS RESPIRAR FUNDO: primeiramente, vamos expandir esse caderninho de pautas. Pode postar um meme por semana? Pode. Pode dividir pauta com as amigas e fazer blogagem coletiva toda semana também? Pode. Pode postar foto aleatória? Pode. 31 posts não querem dizer exatamente 31 textões - a gente sabe que isso é impossível, então é hora de abraçar a criatividade (e as ideias loucas de pautas).

Mas e se der errado????
Sempre tem o BEDA 2018, oras.


AAAAAAAAAAAA VAMO NESSA!!!!