#2: 2017/1, uma playlist (e um desabafo)

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Eu sei, eu sei que apareci aqui ontem pra dizer palavras motivacionais e encorajar vocês a fazerem a magia acontecer nesse mês; e eu adoraria que o segundo post fosse sobre algo mais legal, útil e divertido - mas esse é, ainda, um blog pessoal, onde no final do dia eu venho pra desabafar e procurar conforto quando a vida real é especialmente malévola. Eu juro que me esforcei, inventei trocentas pautas diferentes e comecei nada menos do que quatro posts de número dois, mas... não deu.
por fora: fazendo piadinhas com gif do Kiko / por dentro: chorando
Durante os dias que passei escrevendo o post inaugural (que comecei uns dias antes, óbvio), eu pensei mais vezes do que gostaria em chutar o balde, desconectar o wi-fi e fingir que não tinha dito nada a respeito de bedar pra ninguém - dessa vez não por preguiça ou medo de escrever, mas por sentir a vida difícil demais. Junho não foi um mês muito legal na minha vida e julho passou trazendo uma cota de agravos em cima disso tudo, e enquanto estou aqui escrevendo essas linhas, deitada na cama, tem parte de mim que realmente adoraria desconectar o wi-fi, jogar a coberta em cima da cabeça e fingir que não estou aqui. Férias do universo é meu único sonho de consumo no momento, e é algo que simplesmente não vai acontecer - porque tenho um emprego com E maúsculo que só vai me dar 30 dias de férias remuneradas depois de 18 de outubro (se houver dinheiro em caixa pra isso, lógico) e surtar, ir pro psiquiatra e ganhar um atestado de um mês de afastamento não é uma opção, porque né
(tecnicamente, né. eu faço as avaliações e os encaminhamentos, but I guess it counts)
Meu trabalho é ficar aqui, convencendo as pessoas de que vai ficar tudo bem - o problema é que dentro de mim não tem nada em bom estado. Se em algum momento da última semana eu consegui transmitir calma e força pra alguém, atribuo isso a um milagre do sobrenatural. Por dentro eu estou devastada, sentindo a minha alma como um campo estéril e esturricado onde a única coisa que me resta a fazer é fechar os olhos e dormir pra sempre.
É uma sensação estranha.
Ficar putassa sentir raiva quando algo não dá certo é meu modus operandi pra lidar com problemas desde que me entendo por gente, e talvez a única vantagem da raiva é que ela faz a gente se sentir viva, fervilhando de adrenalina enquanto dilacero cabeças mentalmente. A Mia, lendo meu mapa astral, disse que sou muito mais agressiva dentro da minha cabeça do que fora dela e eu achei essa a definição mais bonita e sucinta pra quem sou eu - se não meto a porrada em todo mundo na vida real, ao menos dentro da minha cabeça eu saio triunfante das tretas; mas agora, nem isso acontece. Eu me sinto insignificante, irrelevante, pequena demais pra dar conta de tudo o que a vida exige de mim e uma presa pronta pra ser engolida viva por algum monstro a cada virada de esquina, pra depois ser cuspida num anticlímax e ficar lá, babada, no meio da rua. Me sinto constantemente anulada, imprestável até pra virar comida de monstro imaginário.
Desculpem a metáfora ruim. Tá difícil.
E nessas horas nós fazemos playlists.
Mesmo sendo pessoa que escreve, também sou pessoa que berra letras de música a plenos pulmões e chora em ônibus com foninhos no ouvido quando a vida alcança níveis críticos de saúde mental. Por isso o post de hoje, além desse chororô, também traz inteiramente de grátis uma incrível playlist pra você ouvir e remediar suas dores caso você esteja num estado emocional tão miserável quanto a pessoa que escreve esse post - ou caso você só queira curtir o bom e velho roquenrou, que nunca decepciona. Juntei The Police, que tem sido a banda mais sucesso de 2017 com o The Smiths de todas as fossas, o novo sucessinho da Lorde, a voz fora de série da Stevie Nicks e outras coisinhas que falaram junto ao meu coração nos últimos tempos - incluindo Radiohead, logicamente, pra não deixar ninguém duvidar que isso é um mixtape da categoria bad vibes.
Já comentei em algum canto que levo o conceito de trilha sonora tão a sério que tenho pastas de playlist temáticas no iTunes, cuidadosamente trabalhadas pra tocar as nuances mais sutis dos meus sentimentos; e se essa é uma playlist de dor-de-cotovelo, cheia de versos do naipe de I'm a liability, get you wild, make you leave; what the hell I'm doing here, I don't belong here e I am human and I need to be loved just like everybody else does, essas músicas não vão rasgar a minha alma e temperar a fossa emocional com álcool 70º como a famigerada playlist Queria estar morta - eu só quero alguma coisa que me faça sentir - que transforme meus sentimentos em algo real, válido, legítimo, capaz de ser compreendido e de se transformar. O refrão de Bad Day diz que It's been a bad day, please, don't take a picture - e de qualquer jeito, eu espero que o dia seguinte seja um bocadinho melhor do que esse. ❤


#1: Bedar ou não bedar

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Ou, como diria Ana Maria Braga: ACOOOOOOOOOOOOOOOOORDA BLOGOSFERA!!!

Então, eu bedei.

Bedei no ano passado e foi LINDO, caso você não tenha estado presente pra acompanhar a folia que rolou. Este festival anual de criatividade, superação e desespero foi uma das melhores coisas no ano de 2016, causou o maior agito na história de posts do Beyond até então e serviu de exemplo concreto pra mim de que é sim possível calar a voz no fundo do meu cérebro que gosta de repetir que meus posts são desnecessários e que não consigo escrever nada que preste. Quer dizer, talvez eles até sejam desnecessários - pro mundo, pra economia global, pra coisas Realmente Importantes; mas escrever sobre a minha vidinha pacata não foi nem de longe o fiasco que parte de mim acreditava - ouso até dizer que foi um feito e tanto. O disparador pra escrever feito louca no ano passado foi um post que tinha escrito na época (do qual ainda gosto muito), em que eu falo sobre escrever na internet e cativar pessoas; e se não me tornei internet famous depois disso, a recompensa veio em forma de vínculos ótimos, blogs novos pro blogroll e um grupinho no whatsapp cheio de gente bonita, carinhosamente batizado de CILADA TOP. Meus amigos, o BEDA 2016 foi um sucesso.
Mesmo apesar da ressaca que invariavelmente atinge a gente depois do dia 31, eu estava certa de que queria repetir a brincadeira. Eu podia repetir a brincadeira, porque tinha a prova de que era capaz bem ali. Eu queria ter emendado um BEDS, BEDO e quem sabe um BEDN, porque estava eufórica depois de trinta e um dias jogando fogo na lareira da criatividade, com o motorzinho da escrita ligado e a todo vapor. Tinha recuperado o ânimo pra falar sobre Tudo e Nada ao mesmo tempo - que é essencialmente a temática que move este estabelecimento - e NADA PODERIA ME DERROTAR.
Exceto, é claro, a preguiça. E a vida, lógico.

O problema é que coisas acontecem entre os meses que não bedamos, como arrumar empregos com horário de entrar e sair, além de cursos e concursos pra estudar. O medo de não dar conta foi, aos poucos, se instalando por aqui e me convencendo de que era melhor me recolher, assistir a coisa toda só do camarote e deixar pra tentar outros troféu numa outra ocasião; evitar as emoções fortes e continuar com minha vidinha pacata no ritmo cômodo que ela adquiriu nos últimos dez meses. À primeira vista, parece muito sensato dizer "não vou arrumar sarna pra me coçar". Eu quase consegui me convencer disso.
Mas chamar o BEDA de sarna seria grosseiro demais da minha parte; já que a ideia de blogar com frequência é exatamente aquilo que nós, pessoas que escrevemos aqui na internet, prometemos pra nós mesmas nas resoluções de ano novo e cremos que agora vai, até que a vida nos atropele com prazos, compromissos e boletos, e nos force a deixar nossos hobbies de lado. Como eu disse no trigésimo primeiro post do ano passado, agosto foi um mês que passei escrevendo, e de jeito nenhum isso poderia ter sido uma experiência ruim. Bedar é me comprometer a fazer algo que nunca falhou em me alegrar, mesmo que nem sempre seja fácil; é transformar as reclamações vazias que fazemos sobre não ter tempo praquilo que gostamos em algo eficaz e que mude isso. A possibilidade de não dar certo é real (como o Blogmas de 2016 tá aí pra provar), mas - pra fazer jus à tradição de começar isso aqui com clichês motivacionais - a gente realmente não tem nada a perder. A gente tá praticamente o tempo todo tomado por essa sensação de que tem coisa demais pra darmos conta na vida e talvez isso nos faça dizer mais 'nãos' do que deveríamos, especialmente quando se trata de coisas que gostamos de verdade de fazer.
Então cá estou eu outra vez, feliz por ter dito outro sim; e desesperada, como não poderia deixar de ser, mas devidamente eufórica e muito bem amparada também. Se no ano passado eu cheguei pra festa completamente sozinha e tentando me enturmar, o BEDA 2016 ajudou pra que eu achasse minha tchurma na blogosfera, e são essas as pessoas que botaram muita pilha e deram muito incentivo emocional pra que, mais uma vez, eu entrasse nesse barco furado que é assumir publicamente o compromisso de aparecer por aqui todos os dias no mês mais árido do ano. Vai ter BEDA em todo o Circuito Cilada de Blogs™, e convoco cês todos pra aparecerem nesse mesmo bat-local amanhã e também nos blogs da Mia, Michas, Ana e Tati - e caso você seja um bravo guerreiro desbravando sozinho os mares da blogosfera nesse agosto que promete durar tempo demais, dê um grito nessa caixa de comentários e vamos nos apoiar mutuamente!!!

FAQ rápido pra você que ainda está em dúvida:

Bedar ou não bedar? 
BEDAR!!!!!

Mas não dá mais tempo agora!!!!!
Dá sim! O BEDA 2016 foi escrito todinho quase em tempo real!! E esse provavelmente também será

É IMPOSSÍVEL escrever 31 posts diferentes!!!!!!
VAMOS RESPIRAR FUNDO: primeiramente, vamos expandir esse caderninho de pautas. Pode postar um meme por semana? Pode. Pode dividir pauta com as amigas e fazer blogagem coletiva toda semana também? Pode. Pode postar foto aleatória? Pode. 31 posts não querem dizer exatamente 31 textões - a gente sabe que isso é impossível, então é hora de abraçar a criatividade (e as ideias loucas de pautas).

Mas e se der errado????
Sempre tem o BEDA 2018, oras.


AAAAAAAAAAAA VAMO NESSA!!!!

Liebster Award

Um comentário
Depois de um mês de atraso, estou aqui honrando minha palavra de compromisso com os memes e respondendo essa tag que a Tati indicou o blog pra responder. Dois fun facts: essa é a segunda vez que alguém indica este humilde endereço virtual a responder essa tag, mas a primeira mofou nos drafts por tempo demais, tempo o bastante pra pessoa que tinha me indicado largar a blogosfera e ir fazer outras coisas na vida, risos - e to aqui me comprometendo que isso não aconteça dessa vez. Liebster é ~querido~ em alemão, e eu acho isso o máximo, porque é exatamente o que penso dessa criaturinha fofa que é Tatiane 💕💕💕
Inclusive, alguém se recorda que uma vez mencionei que estava tentando aprender alemão sozinha? Não? Que bom
As regrinhas são as seguintes:
Escrever 11 fatos sobre você.
Responder às perguntas de quem te indicou.
Indicar de 11 a 20 blogs com menos de 200 inscritos.
Fazer 11 perguntas aos blogs indicados.
Colocar o selo do Liebster award.
Linkar quem te indicou: Tatiane, essa menina TOPSTER

1. Eu ganhei meu primeiro computador com uns oito anos;
2. Ao mesmo tempo em que eu tenho vontade de sair comprando tudo, sou muito mão de vaca e quase nunca compro algo de verdade;
3. Talvez meu maior pet peeve seja gente que joga lixo no chão, tenho vontade de fazê-las COMER o lixo;
4. Brinquei de dividir quarto com a minha melhor amiga no primeiro ano da faculdade e terminamos mortalmente brigadas heheh;
5. Eu já fiz ginástica rítmica e era péssima;
6. Estudei inglês no CCAA (bjs pra quem sente saudade da turma do Daniel);
7. Eu queria me chamar Tiffany quando era criança;
8. Não gosto de piscina/mar;
9. Meu primeiro livrinho infantil foi "A Cigarra e a Formiga";
10. Não sei usar pijama - meus pijamas são todos roupa velha;
11. Passei minha infância todinha tenho paixonites não correspondidas.

Qual sua melhor lembrança da infância? Uma só??? Gente, isso é muito difícil. Com certeza algum momento com a minha mãe - lembro de um dia muito mágico em que ela costurou pra mim de uma vez só umas vinte roupinhas da Barbie e eu nunca tinha me sentido especial como me senti naquele dia até então.
Quando a blogosfera passou a ser parte da sua vida? Eu criei meu primeiro blog em 2006, no weblogger - e depois dele criei outro no blogger, e outro, e outro, até inaugurar esse em 2012. Mesmo antes disso, eu gostava muito de ler blogs de gente desconhecida na internet, desde que descobri esse rolê de blog numa revistinha da Witch em 2004.
Se você só pudesse ouvir uma música pelo resto da vida, qual seria e por quê? Isso seria IMPOSSÍVEL!!! Tenho umas trinta mil músicas hoje em dia no pc - não rola nem escolher umas dez? Pra fins de resposta, uma das dez provavelmente seria Electric Bones
Qual seu self-care favorito? Eu não sei responder a essa pergunta do jeito que ela merece porque eu não tenho nenhum ritual oficial de self-care digno de nota, mas o que eu faço basicamente é deitar na minha cama e ouvir música quando to me sentindo mentalmente estropiada - e ajuda que é uma beleza.
Se precisasse escolher, preferiria uma viagem com tudo pago para a Itália ou uma biblioteca completa dentro da sua casa? Eu já fui pra Itália, então escolher a biblioteca doeria um pouquinho menos no coração.
Qual foi o último filme que você viu no cinema? Mulher Maravilha!!
Como diria Kelly Key: mais uma noite chega, e com ela a depressão? Como diria o K-sis, tem dias que a noite é foda HAHAHAHAHAHAHA (por onde anda K-sis?????), mas gosto bastante da noite - normalmente posso descansar no meu quarto e ter a famosa #pas de espírito.
Mil reais ou uma foto com o Raça Negra? Raça Negra é top, mas MIL REAIS COM CERTEZA
Qual sua palavra preferida? Supercalifragilisti Em português, eu gosto muito de palavras ultrapassadas e incomuns, tipo esdrúxulo (mas acho que não tenho uma preferida).
O que o ano de 2017 está sendo para você? A experiência fantástica de ter dinheiro caindo na minha conta num determinado dia do mês!!
Se precisasse escolher um dos namorados da Taylor Swift para ficar com ela pra sempre, qual seria? HARRY STYLES, ÓBVIO. O único sentimento que tenho por esse menino é no ship Haylor

Não sei quem eu deveria indicar aqui pra responder essa tag, porque as migas já foram devidamente tagadas no post da Tati e eu ando tão sumida do universo blogueiro que não sei quem mais ainda acompanha o Beyond :3 Mas de qualquer forma, aí vão onze perguntas naquele esqueminha "quem quiser se tagar/responder isso aqui de bobeira/usar esse post pra sair da seca":

1. Quem é seu herói de infância?
2. Qual o último livro que você leu?
3. Qual seu atual meme favorito?
4. Tem alguma comida que você não come por dinheiro nenhum?
5. Natal: TOPSTER ou um saco?
6. Qual seu meio de transporte preferido?
7. Descreva sua casa dos sonhos:
8. Qual foi a última coisa que você comprou (e por que a comprou)?
9. Cite seu sertanejo anos 90 favorito:
10. Escolha uma celebridade atual pra ser sua melhor amiga:
11. Que coisas ou pessoas te inspiram?

💕💕


OLAR

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*chegando de mansinho pra ver se ninguém percebe que fiquei DOIS MESES sem dar um oi*

Me digam: vocês também tem essas crises horríveis em que começam a sofrer porque procrastinaram demais uma tarefa e a angústia advinda disso não te deixa fazer nada além de procrastinar MAIS? Porque com que cara eu vou aparecer lá e fazer isso depois de tanto tempo? Nem faz mais sentido. Que desculpa eu vou dar?
Falando nisso, saibam que eu estou há quase dois ANOS protelando a colocada de uma placa com meu nome e telefone no meu estabelecimento comercial. Acho que vocês são muito sortudos.

O que aconteceu em maio/junho: as plantas da minha mãe cresceram. Essa suculenta maior aí em cima era um brotinho minúsculo que comprei numa feira no ano passado e agora ela tá essa coisa linda e gigantesca - percebam que o vaso fica muito em cima. Aliás, não sei como proceder: a gente pode podar ela? Replanta num vaso maior? É assim mesmo? A internet me disse que é falta de sol, procede? Eu sou uma ostra quando se trata de jardinagem, mas confesso que ver as plantinhas todos os dias e acompanhar o crescimento delas tá me deixando animada com a ideia de me envolver - especialmente porque agora temos três roseiras, e EITA TREM BUNITO, SÔ. Esses dias me peguei procurando como plantar rosas no google e roubei uma mudinha de um jardim no meio do caminho pra casa.

Also: comi igual um bode amarrado, god help me. Fui na festa da paróquia - terrível, pouquíssimas comidas juninas, muita fumaça e bagunça, quero meu dinheiro de volta - e comi esse bolo-com-medalhinhas-pro-santo, com medalhinha e tudo. Foi horrível, e sequer era um bolo de Santo Antônio - o que pensando bem, é uma vantagem, porque não queria ofendê-lo e ficar sem me casar. Não me deliciei em quitutes juninos mas tive bons picos de açúcar e comi MILHO, MUITO MILHO e seus derivados - tem pamonha e milho no congelador até hoje. Deus abençoe o interior do Paraná.
VOLTEI A BORDAR!!!! Eu comecei esse bordadinho aí de cima em março - e assim como o primeiro, ele é mais um treino de pontos novos do que uma obra de arte, mas eu sou perfeccionista pra burro e bordo e desmancho o tempo todo. De qualquer forma, estou feliz porque aprendi mais ou menos a fazer o tal do ponto rococó. Falando em bordado, vejam meus livros novos que comprei em março mas chegaram só agora: Essa edição de Emma da Penguin é tão linda que eu queria substituir minha cara por ela, juro.
Também passei junho inteirinho sem comprar nada inútil (um recorde) pra no final ganhar de presente de mamai esse sapato MARAVILHOSO: um oxford marronzinho da Bottero (amo seus calçados, Bottero me patrocina pfvr) que a caixa indica ser de 2015. Saí praticamente dançando da loja, porque na época em que eles estavam na moda eu não dei bola e depois me lasquei, porque é assim que as coisas funcionam na Roça: ou você compra algo quando está na moda ou não compra nunca mais. Talvez eu devesse comprar um oxford espelhado agora seguindo essa lógica, mas juro que não aguento mais ver nenhum por aí.

Also: rumores que a panelinha ciladética está planejando um BEDA (tá muito cedo pra falar em BEDA?) e vou tentar participar, mas não prometo nada. Meu bloco de notas está cheio de ideias, porém sentar aqui e digitar tem sido a tarefa mais difícil - mas bear with me, please. Juro que eu não vou demorar mais dois meses pra voltar.
❤❤

Um filme de herói roubou meu coração

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Eu estou careca de dizer nesse blog que não gosto de filme de herói, e quando Guardiões da Galáxia 1 surgiu na minha vida - mesmo apesar da trilha sonora absurdamente incrível - senti um misto de aborrecimento, confusão e preguiça com um guaxinim, um tronco falante, uma mulher verde e o protagonista bonitão e convencido explodindo tudo e todos na minha frente. Quando Digníssimo, meu patrocinador oficial de idas ao cinema, disse que queria que eu o acompanhasse pra ver a sequência, jurei que não ia reclamar - muito - e torci pra que a trilha sonora fosse ainda melhor, mas eu realmente não estava esperando que, lá pelas tantas, aquele negócio me causasse SENTIMENTOS.
É presunção demais de minha parte dizer que Guardiões - assim como seus primos criados pela Marvel - é um filme ruim. É um filme que não se leva a sério, que não se preocupa nem por um instante em trazer pra telona questões profundas e cabeçudas, que quer abusar dos clichês, das cenas de explosão, dos alívios cômicos e forçar nossa suspensão da descrença até o limite; mas que nem por isso se torna um desperdício de tempo, dinheiro, canções excelentes e Chris Pratt.

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!1ALERTA DE SPOILER!!!!!!!!!!!!!!!!!!1
Guardiões 2 é um filme que, pra além dos supervilões, lasers e piadas abusadas TASERFACE pra todo lado, também fala de coisas próximas demais da gente; e uma dessas coisas tem a ver com Ego, um personagem que merecia um troféu por personificar uma ideia tão bem. Peter finalmente conhece o pai alienígena que, como toda história na vida da gente, é feito de idealizações e mitos; e esse mito surge representando muito bem seu papel: aniquilador de exércitos inimigos, dono do seu próprio planeta, cheio de respostas e onipotente. Ego é um deus, do tipo que deixa a gente boquiaberto e apaixonado logo de cara.
com d minúsculo, pra parecer mais modesto
O problema de ser filho de um deus é que as decisões deles costumam ser incontestáveis e a história tem registros ruins acerca do que acontece com filhos imperfeitos - e spoiler alert: nenhum filho é perfeito. O filho perfeito é aquele que nunca chora, não suja as calças, não faz manha pra comer e vive a vida do jeito que nossos pais e mães sonharam pra gente no útero. Tanto Peter quanto nós todos fomos filhos perfeitos por um momento, até que a verdade aparece - até que nós crescemos, tomamos nossas próprias decisões e infalivelmente decepcionamos aqueles que passaram noites velando pelo nosso sono e lavando nossas fraldas sujas, seja por ser homossexual, desprezar a empresa familiar e preferir entrar pro circo, votar no PSDB ou não querer usar nossos superpoderes pra manter qualquer que seja o planeta dos nossos pais. A vantagem de não ser filho de um deus é que, ele pode até gritar e te por de castigo, mas nunca vai usar os superpoderes dele pra te prender.
Peter Quill tem que fazer uma escolha difícil (assim como todos nós): ele pode manter a ilusão do pai perfeito - mesmo sabendo que, no fundo, ele é um lunático - e aniquilar toda a sua vida fora do planeta Ego, sua gangue de amigos esquisitos e seus hits dos anos 80 em troca do amor eterno daquele homem fantástico - ou ele pode chutar o balde, despertar o ódio, levar umas porradas e fazer sua própria escolha, criar seu próprio planeta e escolher a sua própria família, que é o que, em última instância, todo mundo faz quando cresce. Ambas as possibilidades parecem ter vantagens e desvantagens na mesma medida, mas o problema de aceitar pra sempre o cargo de filho é que, por mais maravilhosa que essa ideia seja, ela não dá espaço pra nenhuma outra possibilidade.
 é caso de se ficar putinho mesmo, baby Groot
O problema de ser filho de um deus chamado Ego é que ele é seu próprio mundo, e nada que não seja Ego pode habitar ali. A história do relacionamento dele com a Meredith e como ele termina é uma metáfora perfeita sobre como não pode existir nenhum outro tipo de amor - e por que não, vida - em alguém que se coloca em primeiro lugar o tempo todo. Pra amar outra pessoa, é preciso abrir mão do ego em certa medida - é preciso crescer. Renunciar aos nossos sonhos desmedidos é algo que dói e exige maturidade pra ser feito, mas é a única forma de abrir espaço pra outras pessoas e permitir que a nossa vida gere outras vidas, num sentido metafórico e literal também. Ninguém pode ser pai de alguém sendo filho pra sempre, e se Ego acha que merece o título de pai de Quill só por ter parte no processo de fecundação, é bom que ele pense de novo - aqui na Terra a gente já aprendeu faz um tempo que pai é quem cria, e fazer um filho e sumir por 26 anos pra cuidar do seu próprio planeta é um jeito ótimo de conquistar o troféu de pior pai do mundo da galáxia.
E Yondu não aparece de graça nesse filme - aquele grandalhão azul e bronco, pintado de vilão por todo o primeiro filme, tem sua chance de mostrar que a vida não é feita de preto no branco e consegue se redimir e de quebra, salvar a pátria. Na cena do funeral, quando Quill finalmente se dá conta de que seu David Hasselhoff e ele não eram assim tão diferentes, é o momento em que ele também enterra suas fantasias de criança e entende que Yondu, com todos os seus defeitos, é quem foi seu pai real - assim como nós, num dado momento da vida, nos reconciliamos com nossos pais e mães e aceitamos todas as suas falhas, porque entendemos que ser adulto está bem longe de ser um super-herói, como um dia a gente ingenuamente acreditou. A cena depois dos créditos, em que ele aparece pra confrontar Groot adolescente me fez dar gritinhos de empolgação na cadeira - todos os Guardiões evoluem e formam laços ao longo da história, e é no decorrer desse filme, em cenas como a que Peter dança com Gamora e Drax afirma pra Nebulosa que eles são uma família, que percebemos que aqueles caçadores de recompensa e assassinos de aluguel egoístas não são os mesmos personagens que encontramos no final dessa sequência. Todos eles, com seus defeitos horríveis, continuam fazendo parte da vida uns dos outros por livre e espontânea vontade - e se isso não é ser uma família, eu não sei o que poderia ser.
Mais do que ver Quill enterrando suas fantasias de pai perfeito e crescendo, Guardiões continua falando sobre pertencimento e a possibilidade de se escrever uma história nova - Gamora é outra personagem que cresce e consegue enxergar que Nebulosa e ela não são assim tão diferentes; que nenhuma das duas é a mocinha ou a vilã, nenhuma das duas é à prova de culpa e julgamentos, mas ela consegue entender que as circunstâncias das duas não eram das melhores e naquele passado ela fez o que conseguiu e, se isso não foi o suficiente, talvez agora, num momento melhor, ela possa fazer mais. Drax, que passa a maior parte do tempo sendo o alienígena esquisitão e o alívio cômico da equipe, é quem enxerga Mantis de verdade e dá pra ela um lugar entre os Guardiões; e Yondu - de novo - se enxerga em Rocket e dá pra ele uma outra perspectiva sobre si - com uma história onde ele é visto mais como máquina do que um ser consciente e tem pouca relação de verdade com outras pessoas, não é estranho pra nós que ele tente afastar as pessoas o tempo todo agindo como um guaxinim irritante, já que guaxinins irritantes nunca desapontam ou magoam ninguém - e se o fazem, não vão se responsabilizar por isso. Se Ego quer amor ilimitado e exclusivo, essa conversa preciosa entre os dois nos dá ideia que viver fazendo o oposto é igualmente triste e perigoso, e que por mais que amar pessoas e formar vínculos seja extremamente cansativo, frustrante e cheio de percalços, talvez essa ainda seja a nossa melhor possibilidade.
Guardiões da Galáxia continua sendo um filme de herói absurdo e descompromissado com a realidade, e continua reforçando ainda mais o sentimento de que não importa se você é azul, verde, um guaxinim, um tronco, um herói B dos quadrinhos, um ciborgue ou um órfão, você ainda pode encontrar sua turma, chutar bundas e salvar a galáxia - e quem sabe, encontrar o amor verdadeiro. Não é difícil entender por que fui uma das poucas pessoas a ficar imune ao charme dessa gangue esquisita, já que se sentir um ET deslocado por boa parte da sua vida não é um sentimento tão estranho assim como crescemos acreditando que fosse. E é claro, as coisas se tornam ainda melhores se você puder fazer tudo isso embalado por um mixtape de canções dos anos 70.
Se você ainda odeia filmes de herói, Guardiões da Galáxia continua valendo a pena por trazer outra trilha sonora incrivelmente gostosa e dançante. Numa votação, eu ainda escolheria o Awesome Mix número 1, que inclui David Bowie, Jackson 5 e Marvin Gaye numa tacada só e a dose ideal de baladas brega (if you like piña coladaaaaaaaaaaaaa and getting caught in the rain), mas a escolha de The Chain pra tocar no confronto entre Ego e Quill (and if you don't love me nooooooooooow you will never loooooooove me agaaaaaaaaaaain) e mais baladas brega pra aquecer nosso coração (Come a Little Bit Closer e Wham Bam) me conquistou de um jeito que não pude escolher outra trilha sonora pra escrever esse post. Baby Groot aprovou.
não dá pra matar todo mundo num filme em que toca Fleetwood Mac e Electric Light Orchestra né