Os dias estão todos ocupados

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Setembro durou aproximadamente 84 anos.
Só isso explica como pude caçar Pokémon, ir no festival japonês da cidade vizinha, entrar na concha, passar alguns anos lá dentro e começar a sair de novo, inventar três projetos de fotografia e só participar de um, aprender todos os jingles dos candidatos da cidade e formar minha opinião sobre os candidatos da cidade vizinha, reclamar da duração do inverno (um feito único até então) e continuar arrastando a leitura do Morro dos Ventos Uivantes (uma novela da Globo de primeira). Também comi doce de abóbora, paçoca, sorvete frito, paçoca rolha, três tipos diferentes de bolo, pastel de nata, mais doce de abóbora, trufa, doce de feijão azuki, torta de sorvete, goiabada e doce de abóbora. De novo.
Ainda tem doce de abóbora (e tá bom, eu juro). Alguém quer?
FOCO NO TAMANHO DA ABÓBORA
Também fui possuída pela fada do DIY e lixei e envernizei um pallet, que virou o jardinzinho vertical de mamain. Essa mulher, aliás, está se tornando a louca das plantas e não pode dar uma volta no mercado sem voltar com um vasinho de violeta ou suculenta à beira da morte (sempre com desconto, risos). Até agora 90% das bichinhas vingaram, e se meu dedo verde não é lá essas coisas pra ajudar na jardinagem, pelo menos fotografo e admiro as bichinhas. Acho muito louco como um ser inanimado dá tanta vida pra um ambiente - minha nova meta DIYzística é tentar fazer uns vasinhos diferentões que o Pinterest me mostrou. Aguardem.

O restante dos dias foi ocupado pela rotina e pela já conhecida vontade de chutar o balde e entrar num ônibus pra qualquer canto desse país e passar uns dias com o celular desligado, mesmo com o lembrete de que não tenho férias remuneradas e não posso me dar a esse luxo. Gente, você sabe que se tornou adulta quando um dos seus sonhos de consumo são FÉRIAS REMUNERADAS.
Enquanto não posso me dar ao luxo de parar, baixei um monte de aplicativos pra ver se a vida se torna mais tolerável, e o Mobills (android - ios - windows) é um dos meus novos amores. Tenho conseguido cadastrar direitinho os ganhos e gastos, e finalmente estou conseguindo ver pra onde vai o dinheiro. Eu já tinha testado alguns aplicativos de finanças antes e esse foi o único com o qual consegui me entender, mas se vocês usam outras técnicas pra essa brincadeira chamada controle da vida financeira ficar mais fácil, favor compartilhar. Outro foi o Ascend! (android), um desses joguinhos sem vidas e sem uso de internet que são infinitos e podem te fazer jogar por horas. Esses dias eu esqueci de dormir - ou seja, é um perigo, mas acho que vale a pena assim mesmo.

A gente espera que outubro apareça trazendo chuva, o fim dos carros de som e uma temporada com mais posts e menos doces nessa residência. Beijos e até a próxima xx

De volta da concha

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Então.
Há umas semanas eu estava aqui falando sobre como escrever é maravilhoso e eu não queria parar de fazer isso nunca mais, mas como todo mundo sabe, acontecem coisas. No meu caso, a vida aconteceu - num dia eu estava toda animada, e no outro senti que um buraquinho tinha se aberto no meu peito, e as palavras começaram a escorrer por ali, até que não sobrou nenhuma. Nada de novo no front.
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Assim como 87,9% da internet, sou uma pessoa introvertida, dessas que se identifica massivamente com todos os itens daqueles textos de "como lidar com o seu amigo introvertido". Sempre fui, mas só descobri a existência de um termo pra isso em 2009 - um momento mágico em que eu descobri que não era um alienígena por me cansar de muita gente e que finalmente tinha uma palavra pra definir aquele sentimento que volta e meia se apoderava de mim desde o fim da infância. Eu lembro que, lá pelos dez anos, passei um fim de semana inteiro com a cara enfiada no sofá, deitada, fantasiando com as histórias que eu inventava na época. Minha mãe ficou morta de preocupação e jurou que eu estava doente, mas a verdade é que eu tinha coisas demais na minha cabeça pra pensar e o mundo exterior parecia incrivelmente cansativo naqueles dias. Aquele negócio de que as pessoas mais quietas tem as mentes mais barulhentas é muito real.
Desde então, de vez em quando meu cérebro decide tirar umas férias da vida real - e aconteceu de novo.
Eu costumo pensar na minha capacidade de socializar como um balde que recebe tudo o que as pessoas falam pra mim durante o dia. Às vezes ele enche rápido demais e eu fico incapaz de interagir com outra pessoa sem que aquilo pareça uma romaria. Às vezes ele racha - e existir se torna um martírio. Me sinto um brinquedo com as pilhas fracas, obrigada a continuar funcionando normalmente (a vida adulta, ela é uma bosta) enquanto a minha capacidade máxima de socialização está limitada a cinco sentenças com desconhecidos por dia. Isso inclui a internet. É como passar uma semana com o celular com 5% de bateria - a vida vai virando uma bola de neve. Eu fico por fora das conversas. Os posts no feedly se acumulam. Eu enrolo pra dar telefonemas importantes na próxima semana. Fico em modo de economia de bateria, indo trabalhar e fingindo que tudo vai bem, enquanto anseio desesperadamente pela hora de ir pra casa e entrar debaixo da coberta e pensar na vida ou jogar The Sims por horas - as únicas opções possíveis pra lidar com esse fardo doido que é existir no modo full introvert.
E quando eu menos espero, tudo passa e volto a ter vontade de ver gente de novo, como se uma pausa de três semanas do Universo não fosse nada demais. ¯\_(ツ)_/¯  ¯\_(ツ)_/¯
IMG_2691-1 Esse post é uma tentativa meia-boca de dizer que não sou uma blogueira esnobe que passou setembro todo ignorando o amor recebido e espalhado pela blogosfera - eu só estava dentro da concha. Entrar na concha significa passar uma temporada quentinha e segura com meus próprios pensamentos, mas outra lição que tirei do BEDA é que o amor e a diversão nunca se multiplicam enquanto eu estiver dividindo minhas coisas só comigo mesma. Bear with me, folks. Faltam exatos cem dias pra acabar o ano e espero fazer eles valerem (pelo menos por aqui.

Beijos e até a próxima xx

Pequeno Guia de Registro de Memórias

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Já é hora de deixar a ressaca do BEDA de lado e retomar as atividades nesse blog, né?

Já mencionei em alguns lugares aqui que eu gosto muito de criar/registrar memórias, um hábito que surgiu desde que ganhei meu primeiro diário com cadeadinho, em 1997. Nunca imaginei que fosse algo incomum, até notar que meus amigos sempre ficavam deslumbrados com meus projetinhos de journal, fotografias e coisas do gênero, como se eu fosse a única pessoa do grupo capaz de transformar as histórias em recordações palpáveis.
A verdade é que isso é a coisa mais fácil do universo e faz tão bem, que resolvi escrever isso pra você, pessoa que queria guardar mais memórias mas não sabe como começar. A nossa memória não é muito confiável - enquanto ela tira o seu soninho trazendo aquela enxurrada micos que você pagou no ensino fundamental, os detalhes maravilhosos das coisas legais que você fez ao longo da vida vão sendo apagados aos poucos, e aí quando você vê, não lembra mais de nada. Guardar as coisas importantes que a gente fez e sentiu é um favor enorme pro nosso eu do futuro, que talvez precise de lembretes de que sim, aquele ano que você acha que foi horrível teve momentos ótimos, e que esse último pé na bunda não foi o mais dolorido do universo, porque aparentemente todos os outros também foram. É algo que te ajuda a manter o passado em perspectiva e também estimula aquela nostalgiazinha gostosa que a gente adora sentir de vez em quando.
A internet está sempre cheia de inspiração, mas a gente volta e meia se vê paralisada por não conseguir fazer journals tão bonitos e coloridos como os do Pinterest. Acho importantíssimo ignorar a esté nessas horas e fazer aquilo que o seu coração mandar, começando pela escolha de um formato que te pareça bom: Um diário à moda antiga? Um journal pronto pra abrigar citações sobre a vida e bilhetinhos aleatórios? Um bullet journal? Um blog? Um app no celular? Uma caixa de recortes? Um caderno aleatório que guarde tudo o que você quiser? Não existe uma regra de como guardar as suas memórias, então a forma que parecer mais atrativa é a melhor, seja ela escrita, desenhos, colagens, audiovisual ou tudo isso junto. Não se preocupe em fazer tudo bonitinho e instagramável - o importante é guardar o que você viveu.
Eu passei anos comprando as agendas da Tilibra e usando elas como ~journal~, fazendo anotações aleatórias sobre o meu dia e anexando tudo o que desse na telha. É o journal mais bonito do mundo? Com certeza não, mas tirei umas fotos pra mostrar assim mesmo.
Tenho agendas desde 2004, mas aí em cima estão as de 2016 (meio esquecida), a de 2015 e a de 2006, que também aparecem na primeira foto e dá pra ver que estão bem gordinhas de tanto papel e clipe.
Ainda dou uma mostra dos meus dotes artísticos desenhando Watson e Sherlock (sou muito ruim, mas acho que os rabisquinhos deixam as anotações mais legais) ¯\_(ツ)_/¯

Se você não sabe o que escrever, responder memes é um jeito ótimo de criar memórias e é por isso que eu amo eles desde a versão "caderninho de perguntas" que a gente pedia pros amigos responder (quem lembra disso? HELP). Eles são a nossa versão caseira daqueles caderninhos One Question a Day, que você pode reler depois de anos, responder de novo e rir muito da sua própria cara - faço isso com frequência e sempre me surpreendo com as respostas. Gosto especialmente daqueles com perguntas esdrúxulas e que ninguém nunca faz, tipo o meme das 31 perguntas pra quebrar um silêncio constrangedor, e acho que eles são um exercício de autoconhecimento. Você já tinha parado pra pensar se gostava ou não de coentro? Será que seu eu do futuro vai gostar? RISOS.

A gente subestima demais a tecnologia dos vídeos: Lembram dos VHS antigos de eventos familiares que todo mundo gravava pra rever mas nunca via e provavelmente acabaram no lixo? Num dia eu encontrei uma fita de 1997 (ainda tenho um aparelho VHS, pasmem) e fiquei chocada. A gente acha que fotos são registros excelentes do passado, mas os vídeos, meu deus, são realmente tecnologia alienígena. As pessoas se mexem! As pessoas FALAM!! É uma máquina do tempo pra te recordar de coisas que você nem sonhava. Fazer vídeos é uma maneira sensacional de criar memórias, e o Youtube tá aí pra armazenar todos eles sem reclamar - criar um canal privado pros amigos é uma ideia legal pra compartilhar coisas com as pessoas da sua vida sem ter que se expôr demais. Fazer mixtapes à guisa de trilha sonora e colocar como playlists do Youtube ou do Spotify são itens que dão pontos bônus.
Eu não domino muito a tecnologia dos vídeos, mas dois dos meus canais favoritos com vlogs cotidianos nesse estilo são os da Sophia (blog - canal) e da Ba (blog - canal). Recomendo que vocês dêem uma olhadinha e deixem elas convencerem vocês de como é legal fazer isso.

Tirar fotos ainda é o jeito mais prático de guardar momentos, já que a gente pode fotografar horrores sem se preocupar com a conta depois. Mesmo assim, sou super a favor da revelação/impressão das nossas preferidas, ainda que isso faça você se sentir na idade da pedra. Sério: quem tem tempo de ficar olhando aquela pasta bagunçada com dois mil arquivos? Do que adianta salvar os momentos, se você não olha pra eles depois? Acho legal organizar tudo em ordem cronológica e fazer um álbum (sim, um álbum! Sim, isso é 2016!), que você possa folhear quando tiver vontade. Mais uma vez: não importa se as suas fotos não são bonitinhas e a cara do Tumblr, ou se você não tem uma camerazinha instantânea descolada. Você pode até imprimir suas fotos favoritas em papel sulfite e recortar. Quem cria empecilhos não cria memórias (gente, eu sou muito motivacional)!!!


Um lembrete importante: Criar memórias não é só um trabalho de registrar e organizar. Se você quer ter coisas bonitas nos álbuns e journals, faça coisas bonitas. Invente piqueniques, noites do pijama, desaniversários em bares legais, vista roupas fabulosas pra ir resolver coisas no banco, porque a gente não precisa ficar esperando as ocasiões especiais aparecerem no calendário. Talvez você ache que a sua vida não é empolgante a ponto de valer o registro, mas registrar memórias também é exercitar a nossa capacidade de se maravilhar com as pequenas coisas do cotidiano (mas também é uma desculpa ótima pra comprar caderninhos e canetas brilhantes - qualquer um desses motivos é bem convincente).

Beijos e até a próxima! xx

#31: A gente, o BEDA e o Blog Day

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Pra ler ouvindo:
ACABOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOU ACABOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOU É TETRAAAAAAAAAAAA!!!!!!11!1!!!!1 É TETRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!1!!1!!1111!!1!!!!!!1111!!!11!

Tá liberada a algazarra. É NÓIS, eu diria. 31 dias postando consecutivamente parecia mesmo uma barbaridade quando eu decidi, do nada, que iria entrar nessa dança; mas enquanto escrevo essas linhas, a verdade é que não foi assim tão difícil. Então foi fácil? Eu diria que foi gostoso e meio mágico. Foi um mês que passei escrevendo. Como isso poderia ser uma coisa horrível?

Tem uma frase (que dizem ser do Pablo Neruda, mas eu não confio na internet) que diz que escrever é muito fácil: começa com uma letra maiúscula, termina com um ponto final e no meio você põe as ideias. Pois bem: por anos, essa frase ficou escrita na porta do meu guarda-roupa como um atestado de que eu sabia fazer aquilo; até que num momento percebi que eu não sabia mais. Alguma coisa aconteceu no caminho que fez com que escrever parecesse uma coisa complicada, ruim e sem propósito; o que logicamente fez com que alguns parafusos se soltassem na minha cabeça, já que gostar de escrever era a única certeza que eu tinha sobre mim desde os dez anos de idade. Foi mais ou menos sobre isso que eu falei quando escrevi o primeiro post do BEDA: queria silenciar aquela vozinha dentro do meu cérebro que sempre dizia que ninguém estava interessado no que eu tinha a dizer, que aquilo era um desperdício de tempo e recursos e essencialmente me fazia desistir de todos os posts no meio do caminho.
Postar durante esses dias todos me fez lembrar que Pablo Neruda (ou seja lá quem for o autor verdadeiro dessa frase) tem razão. Escrever é fácil: você precisa sentar e colocar pra fora aquilo que tem na sua cabeça. Se vai ficar bom ou não, são outros quinhentos; mas não tem ninguém dizendo que você precisa acertar a perfeição numa tacada só. Você precisa começar. Você precisa das ideias. E pra fazer esse negócio funcionar, eu precisei agarrar com força todas as ideias que cruzaram minhas sinapses mentais nesse mês, mesmo aquelas que pareciam completamente doidas - aquelas que faziam soar o alarme do ninguém se importa -  e confiar nelas. Escrever é fácil, mas apertar o botão de publicar e assinar aquelas palavras pra todo mundo ler é outra coisa, porque também precisa que você confie em você mesmo e em quem vai ler.
Deu certo. Olha o clichê motivacional aqui de novo.

Achei um serendipity tão legal quando me toquei que o último dia do BEDA também é o Blog Day, porque eu nunca participei de um Blog Day. Nunca me senti parte da dessa vizinhança blogueira, onde parece que todo mundo se conhece há tempos, tá super inteirado da vida das amigas e se ama demais. Sou essa mocinha da Roça, geograficamente isolada de todo mundo, e tímida demais pra me enturmar, mas pela primeira vez em muito tempo, senti que no meio dessa folia toda eu participava daquilo. Eu enxergava as pessoas, e elas me enxergavam também.
Gente muito bonita e que nunca tinha aparecido nesse blog veio aqui pra me dizer coisas, rir comigo e se empolgar junto com caderninhos fofos, Pokémon Go e discordar do meu gosto pelo bombom Caribe. Eu também visitei um monte de gente desconhecida, mas que postava sobre coisas que eu me identificava - o que é irônico demais, porque enquanto meu cérebro se descabela de ansiedade a cada vez que eu penso em postar sobre a minha vida, posso passar uma hora lendo sobre o que as pessoas fizeram no final de semana, onde foram comer e qual a neurose maluca que está assombrando elas dessa vez. Li muitos textos sobre ansiedade e fiquei meio surpresa de ver que tanta gente, conhecida e desconhecida, sofre dessa mesma coisa que me faz querer arrancar os cabelos às vezes. Histórias sobre vacas, mini-tragédias cotidianas em ônibus, sonhos adolescentes e fotos magníficas de cafés da tarde me fizeram sentir coisas durante esse mês. A gente não tá aqui pelas pautas, eu acho; estamos pelas pessoas e pelos vínculos; pelos memes compartilhados, pelas identificações com os desabafos alheios e, logicamente, pelo engajamento. Para vermos e sermos vistos.
Esse post e todos os anteriores jamais teriam acontecido se eu não tivesse trocado incentivos com pessoas maravilhosas (Ana e Tati), e depois, no meio do caminho, não tivesse encontrado um monte de gente legal que também estava participando da brincadeira (Andrea, Thay, Maki, Vy, Cacá, NicasLaila, Mia, Mareska, Karine, e provavelmente estou queimando minha cara esquecendo de alguém). Comemorei quando vi que algumas figurinhas do meu blogroll iam postar todos os dias, e comemorei de novo a cada blog legal que eu descobria e ficava esperando ansiosamente pelo post seguinte. A ~blogosfera~ está vivinha da silva, cheia de gente que escreve e, mesmo que eu não tenha linkado todo mundo aqui, queria dar um abração em todo mundo que participou do BEDA durante esse mês, tendo ou não postado durante 31 dias. Essa folia tão gostosa de gente escrevendo e gente lendo só aconteceu porque a gente - muita gente - se organizou pra blogar e aconteceu. 
Eu também questão de linkar aqui meu blogroll, pra vocês clicarem nele e verem quem mais faz minhas manhãs felizes quando checo o feedly enquanto tomo meu café da manhã. Amor nunca é demais.

Mas não é só isso!
Eu também decidi que ia fazer uma playlist que embalasse esse mês (vocês já perceberam que sou a doida das playlist, né). O critério foi colocar a cada dia, uma música que tenha representado os feelings, o que resultou num mixtape onde Karol Conká e Emerson, Lake & Palmer estão a cinco faixas de distância. É provavelmente a coisa menos coesa que vocês vão escutar na vida, mas esse mês foi uma montanha-russa de sentimentos e sou fiel demais a eles pra deixar de publicar isso aqui.
Trinta e uma músicas. Trinta e um dias. DECLARO ENCERRADO O BEDA 2016 - PODE COMEÇAR A FESTA!!!
E assim a gente se despede, sabendo que não vou aparecer aqui amanhã (mas certamente vou aparecer no inbox de vocês, porque faço questão de colocar em dia as leituras e os ~mimos~ atrasados), mas sabendo também que não vai demorar milênios até eu dar as caras por aqui novamente. Vou sentir saudade dessa loucura? ÓBVIO. Sendo essa pessoa que se apega a tudo, mesmo essa grande cilada que parecia ser postar diariamente se tornou uma coisinha especial. Vai ter no ano que vem?

#30: Box of memories

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O BEDA tá quase acabando e, como não poderia deixar de ser, estou com uma pontinha de melancolia pelo fim dessa maluquice tão deliciosa que inventei de fazer junto com as #migas da internet. Como esse é o último post antes daquele inevitavelmente cheio de conclusões e epifanias que tive escrevendo durante 31 dias, queria escrever sobre alguma coisa importante e que fizesse parte de mim disso aqui.

Alguém se lembra que algum dia esse blog já teve fotos?
Sempre fui uma pessoa que guarda coisas. Pessoas. Memórias. Brinquedos antigos. Cartinhas. Apostilas de caligrafia do Jardim III. A famosa Síndrome do Esquilo. Se eu tivesse que explicar o encanto que senti pela fotografia, diria que ela sempre foi a maneira mais fácil de guardar coisas que eu não podia transportar comigo. Quando eu finalmente ganhei minha própria câmera, que ainda por cima era digital e não me deixava limitada a clicar cuidadosas 36 poses e pagar por elas depois, alguma coisa clicou em mim também. De repente, eu podia escolher aquilo que me chamava a atenção - coisas que me faziam sentir outras coisas - e guardar sem ter que pedir algo pra alguém ou explicar nada. Aí eu percebi que nunca soube traduzir muito bem certos sentimentos e que uma imagem às vezes dizia mesmo mais do que mil palavras.
(Duas fotos tiradas com a minha primeira câmera ruinzinha: meu tênis preferido e meus origamis preferidos)

Mesmo com zero conhecimento técnico (ou uma super câmera), sempre gostei da ideia de estar cercada de coisas bonitas, e por trás da lente eu podia fazer isso - pegar todos os detalhes que a maioria das pessoas deixa passar e capturar de um jeito bacana. Eu gostava de manipular imagens, luzes e cenários, mesmo sob a acusação de que as minhas fotos não eram boas porque não eram ~reais~. Sendo honesta, eu nunca quis fazer um registro muito fiel da realidade; eu só queria que ele fosse um bom registro. Alguma coisa que deixasse meu coração quentinho no futuro. Queria lembrar de coisas que me fizessem sentir algo - sentimentos são os únicos fatos, vocês dizem; e essa sempre foi a única regra da minha vida. A vida real já tem uma cota muito generosa de feiúra e aspereza pra gente ter que lidar com isso também nas coisas que podemos criar.
(O primeiro dia que saí pra fotografar com a minha câmera compacta nova - essa edição parece tão anos 70)

Mesmo quando a gente pensa em fotojornalismo ou street photography, a fotografia não é a realidade. Ela é um ângulo, um recorte congelado, a luz exposta num sensor ou num filme x ou y que se desenvolve mais puxado pro azul ou pro vermelho. O plano mais aberto ou fechado te fazendo focar em alguma coisa. A fotografia é um mundo próprio nosso que a gente torna real quando aperta aquele botão, enxergando pelas nossas lentes fumê ou cor-de rosa. A gente diz algo naquilo que escolhe compartilhar, conta uma história nas entrelinhas. E aí vocês desculpem o clichê, mas eu gosto muito de contar histórias. Se elas são boas ou não são outros quinhentos, mas eu tenho muitas pra contar.
Acontece que os últimos meses da minha vida não tem sido os mais fotográficos e eu nem sei explicar o porquê: eu amava criar cenários e inventar moda com o tripé, até que de repente (tal qual Fátima e Bonner, GENTE), não amava mais. Tudo parecia errado; as cores, o foco, os ângulos, a luz, o assunto, a porra toda. Depois de uma compacta analógica, duas digitais, uma DSLR, quatro celulares e uma Instax, um belo dia a gente acorda sem ter a menor ideia do que fazer com essa parafernália toda na mão. Parece mesmo um relacionamento em que você dedicou anos e percebe que não sabe mais o que fazer naquele lugar. Fiquei braba e frustrada: se a fotografia fosse uma pessoa de verdade, eu estaria acusando ela de ser uma ingrata sem coração que me abandonou sem mais nem menos. Acho que ela podia dizer o mesmo de mim também.
A gente nem percebe, mas de repente vai deixando de fazer tudo aquilo que gostava porque a vida tá ruim demais e não tem disposição pra isso, e quando olha, não sabe mais como escrever posts e nem tirar fotos. A próxima coisa que provavelmente vai acontecer é eu perder a capacidade de me comunicar. Então eu resolvi resgatar várias fotos antigas que tirei desde 2007 e que acho que nunca tinha postado por aí, pra poder me lembrar de como me senti nesses momentos.
(É possível que eu só tenha escrito esse post pra me convencer de que ainda posso tirar fotos bonitas e me entreter com isso - não confirmo nem nego.)
E amanhã tem a grande celebração na linha de chegada do BEDA. Coloquem as champagnes na geladeira e deixem os pijaminhas bonitos à postos pra nossa festa! YAY