#18: 18 coisas que eu diria pra eu de 18 anos

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Menina Tati me deu o número dezoito pra escrever esse post. É um meme? Uma tag? Não sei. Eu adoro esse tipo de post porque adoro revisitar o passado e adoro pensar no que poderia ter feito melhor na minha vida. Alguém me acompanha nessa?
Informação não requisitada: 2010 foi o ano mais errado da última década

Alô, Manu de 2010,

Quem fala aqui é sua versão do futuro. Não vou dizer de que ano venho, o que está acontecendo e se já estou morando em Londres - vamos falar sobre você. Tenho uma lista de conselhos que vão mudar a sua vida. A minha vida, no caso. Lembre-se que eu to falando do futuro. Me escuta direito.
Primeiro e único conselho possível, se eu pudesse dar só um: a menina que te chamou pra dividir apartamento com ela: NÃO FAÇA ISSO. NÃO. FAÇA. ISSO. Você precisa começar a parar de acreditar em tudo o que as pessoas te dizem e aceitar que algumas pessoas são simplesmente desgraçadas da cabeça. Também precisa aprender a falar não pras pessoas, especialmente quando isso vai te poupar de ser expulsa do seu apartamento e ter que arrumar outro em duas semanas. Vai por mim. Repita comigo: NÃO.
Você também devia voltar a fazer terapia, sabe. Eu sei que você acha que tá tudo bem, mas não é uma questão de você estar mal ou não: tem coisas aí dentro que você precisa trabalhar. Sabe essa insegurança toda em relação ao que as pessoas acham de você? Essa incapacidade de falar não? Seus problemas familiares? Sua incapacidade total de aceitar o seu corpo? Quer o telefone da clínica-escola da faculdade? Toma. Aproveita que eles só selecionam gente no começo do ano.
Pelo amor de deus, pare de achar que você é mais adulta porque fez dezoito anos. Quando você começar a pagar as suas contas a gente conversa. Aliás, essa é uma coisa muito importante: você já reparou como passou a vida inteira tentando ser mais velha do que você realmente é? Ser adolescente é uma coisa da qual você não pode fugir, então aproveita que dezoito anos ainda não é tarde demais e use as roupas coloridas e ridículas que você tem vontade. Não importa se alguém te julgar, você nem vai ver essas pessoas daqui alguns anos. PINTE O CABELO DE ROSA. Depois de azul. Eu não quero chegar aos trinta anos ainda sofrendo por não ter matado essa vontade.
Eu sei que você tá aí sofrendo porque se sente uma estranha no ninho no meio da sua turma da faculdade, e o recado é: você não vai se encaixar com essas pessoas nunca, get over it. Elas nem são tão legais assim, sabe? Você não vai sentir falta deles e ficar sofrendo porque ninguém te quis quando a faculdade acabar, incluindo esse cara idiota que você quer impressionar, mas ele te ignora o tempo todo. Em compensação, tem duas pessoas nessa turma que são incríveis - você sonhou que eles eram namorados - cole neles agora!!!
Aprenda a cozinhar! Sério! Pelo amor de Jesus Cristo, pára de comer miojo! Esse negócio é horrível e só tem sódio e carboidrato. Pare de matar a aula daquela matéria que você sempre mata, isso é ridículo e não está te fazendo nem um pouco mais inteligente. Faça a droga da carteirinha da biblioteca e comece a ler mais, já que você tem muito tempo livre (vai por mim). Aliás: Faça um blog e um canal no Youtube e comece a postar sua opinião sobre os livros que você leu - no futuro isso vai dar DINHEIRO.
Comece lendo Cartas A Um Jovem Terapeuta. Muito. Importante.
Faça de tudo pra começar rápido suas aulas no DETRAN, nem que você tenha que faltar na faculdade. É importante, porque se você não fizer isso, vai ficar sem tempo. Você vai reprovar três vezes fazendo baliza, então precisa de tempo pra fazer mais provas. Ou então, marque um monte de aulas até se tornar a rainha da baliza. Assista umas videoaulas no Youtube. Sei lá. Só não crie expectativas com esse negócio.
Tem trocentas escolas de línguas naquele bairro universitário maldito, uma delas tem que ter aula de italiano. Comece outra língua - vai fazer você ter contato com outras pessoas e se sentir bem. Aliás, você já pensou em fazer intercâmbio? Work and Travel? Mobilidade acadêmica? Um curso no exterior? Fale com o seu pai, ele quer que você saia pra além dessa cidadela e vai achar essa ideia ótima. Outra coisa: desista dessa ideia de fazer formatura enquanto vocês mal começaram. Uma festa onde você deveria ficar sob os holofotes, mas não vai ficar porque nunca se enturmou com as pessoas populares? Sua família nem gosta de festa. Há rumores de que você pode trocar por uma viagem internacional. NÃO COMEÇA A PAGAR ESSE NEGÓCIO!!!!
Faça as pazes com o seu pai. Eu sei que não parece, mas ele gosta de você - eu juro.
Você não é pior do que ninguém por ser mais nova do que todo mundo, por não ir nas baladas, não conhecer as pessoas de sempre e não saber se maquiar. Pare de se comparar com as outras meninas, você é especial e muito legal mesmo. Mas se te serve de consolo: você pode sair de casa maquiada, montada no salto e beber naquela balada horrível que parece um aquário. Você pode tudo, menina - só que vai descobrir depois que não quer mesmo ser assim. Pare de se esforçar pra não ser você mesma.
Continue escrevendo. Mesmo que a inspiração não venha mais tão fácil. Mesmo que pareça um esforço. Continue escrevendo.
Beije o Lucas. Rápido. O mais rápido que você puder.
Os números da Mega-Sena da virada, concurso 1245, são 02 10 34 37 43 50. De nada.

#17: A tal da magia do esporte

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Ou: porque eu amo o futebol feminino
Ou ainda: a melhor coisa que aconteceu na minha adolescência

Então teve a vez que eu entrei pro time de futsal.
Melhor dizendo: aos doze anos, eu - a menina que sempre tinha odiado a educação física - coagida pela paixão da minha melhor amiga da época pelo esporte, ajudei a inaugurar o time de futsal do colégio. Nós precisávamos de um número mínimo de meninas, éramos três desconhecidas da sétima série e nem sabíamos se teria um horário disponível na quadra. Arrumamos as meninas. Treinávamos a princípio de sexta à tarde e sábado de manhã. Veja bem: Pra você tirar um adolescente da cama num dia sem aula, ele precisa QUERER. E não é pouco.
A gente queria.
Nosso primeiro jogo no campeonato da cidade foi um verdadeiro horror: perdemos de quatorze a zero. A gente treinava há pouquíssimo tempo e não tínhamos uma goleira - a gente mal tinha tênis e meião, risos - porque, pra ser honesta, nunca tivemos uma goleira de verdade em toda a nossa existência. Nos quatro anos que joguei, nosso time entregava resultados decepcionantes - melhores do que esse primeiro placar, mas ainda assim, decepcionantes - as vitórias só vieram mesmo no ano em que saí da escola, o quinto (e último). Demorou um pouquinho.

SÓ AS CRAQUES -n
Sobre isso, preciso falar: eu era uma adolescente nervosa e competitiva demais, e ODIAVA perder. Eu me cobrava. Chorava e gritava. Eu era, assim, meio descontrolada. Tinha potencial pra ser uma tragédia, mas o futsal me rendeu os melhores momentos da adolescência. Se de um lado eu era essa criatura com zero espírito esportivo, a gente tinha um professor com paciência de sobra: pra lidar com os ataques de fúria desta que vos escreve, o desinteresse de algumas alunas que só apareciam pra jogar na época dos campeonatos (those bitches), a falta de campeonatos disponíveis, nossa inaptidão óbvia e falta de conhecimento da coisa. Ele botava fé naquele bando de adolescentes despreparadas, mas que davam um valor absurdo pros treinos e palavras dele e eram cabeça-dura demais pra abandonar o barco.
Pra compensar a falta de gols, a gente tinha muita raça.
O futsal foi mágico: ali eu fiz amigas de verdade pela primeira vez desde a pré-escola; dividi coca-colas na praça, gelol, fones de ouvido, lágrimas de frustração e piadas internas. Viajamos pra alguns cantos e dormimos amontoadas em colchonetes, saboreando empates como se fossem títulos, aprendendo as melhores musiquinhas de torcida e correndo o máximo que a nossa capacidade aeróbica permitia, tentando conduizir a bola, fazer os passes certos de cabeça erguida e descobrir o melhor momento de chutar. Nem sempre dava certo, mas sempre era maravilhoso - eu me sentia em família entre as meninas, meio convencida de que a gente tinha feito nosso melhor (ainda que não fosse o suficiente) e que perder não era tão ruim assim, quando a gente estava cercada de gente bacana e uma vontade inesgotável de tentar de novo.
Aí veio a seleção feminina de futebol, e foi inevitável me apaixonar por aquelas mulheres que tinham a capacidade brilhar com a bola no pé.
A seleção feminina é maravilhosa, a gente precisa admitir. A gente sabe que o futebol feminino tem pouquíssimo espaço nessa terra brasilis, mesmo a gente tendo a alcunha de país do futebol - que na realidade, significa quase que exclusivamente transmissões da série A do brasileirão e seu futebol horrível de onde saíram os responsáveis do famoso episódio do 7 a 1. Não existe espaço na mídia pros jogos femininos, quase não existem treinos de base, divulgação do esporte e patrocínios pra que a gente tenha ligas, peneiras e meninas pra abrilhantar uma seleção nacional. Nem todas as meninas podem se dar ao luxo de viver como atletas, ainda que a gente tenha atestado a qualidade do futebol delas. Não é fácil fazer aquilo, e elas podiam desistir. Não desistem - assim como, dez anos atrás, eu e as minhas amigas não desistimos do esporte depois do nosso primeiro jogo horrível. A gente queria jogar. As meninas do futebol também, e elas estão dispostas a dar o melhor de cada uma.
E, meus amigos, acho que a magia do esporte é justamente essa.
Troféus, medalhas, títulos e frangos na Hope Solo são triunfos maravilhosos, mas suspeito que a coisa que é realmente o motor do esporte é essa cafonice que a gente chama de amor. Amor à camisa, amor pelo cansaço e pela superação, por sentir que você fez o seu melhor, que está cercada de atletas incríveis e pode corresponder à altura. O sentimento de conquistar algo novo e de se entregar ao máximo. De não desistir e seguir acreditando que é possível fazer alguma coisa. De fazer um jogo limpo e justo. Perder é horrível, deixa a gente com um gosto ruim na boca e vociferando uns palavrões contra o time oposto por um tempo, mas não é tão ruim quando você sabe que fez o que podia, aprendeu as lições do professor, viu todo mundo jogando em equipe e tentou.
Alguém tem que perder, e às vezes vai ser você mesmo, foi o que aprendi no meio de muitas lágrimas da época esportista. Perder faz parte - se entregar, não. Nunca. E quando a gente pensa nos infinitos obstáculos que essa seleção tem que vencer - e poderia se entregar, mas não o fez em um minuto sequer, nem em campo e nem fora - a gente pode acreditar nessa tal magia do esporte.
YOU GO, GIRLS!

#16: Eu não consigo dormir

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Tudo começou no último ano da faculdade.
Eu tinha uma rotina de estudante normal, que consistia em ir pra aula de manhã e à tarde, ler meus textos durante a noite e depois dormir. Quando virei estagiária, a coisa mudou. As segundas-feiras eram livres, enquanto as terças e as quartas eram uma loucura embolada que me fazia dormir de madrugada e pular o almoço pra dar conta de tudo. Depois da formatura, vieram alguns meses de desemprego em que eu não fazia nada e dormia em horários mais malucos ainda. Depois disso, vieram a ansiedade e outras misérias que me faziam revirar na cama, pensando em todas as decisões que tomei e deixei de tomar desde 1996.
E aí, quando eu vi, não sabia mais o que era ter uma noite de sono decente e funcionar sem uma xícara enorme de café na manhã seguinte. Desconfio que eu não seja a única pessoa que sofre com isso, então esse é um post inteiramente baseado nas minhas ~experiências~ do que me ajuda a dormir melhor.

Estabeleça um horário: E seja rígido com você mesmo. Dez e meia é hora de estar na cama, de pijaminha e com as luzes apagadas, com o despertador programado pras oito, por exemplo. Mas Manu, eu tenho que comer, por a água do cachorro, responder as crush no feice, livetweetar as Olimpíadas, ficar em dia com as séries... Amiga, me ajuda a te ajudar. Se a gente não defender o nosso soninho e fazer dele uma prioridade, não tem milagre que faça você dormir direito de novo.
É óbvio que nem todos os dias a gente consegue seguir à risca um horário exato, mas se esforçar ao máximo pra cumprir com ele é um bom jeito de não perder o controle e só ir dormir depois que todo mundo sair da internet.

Crie um ritual mágico: Coloque o pijaminha, passe os creminhos, faça um leitinho quente, coloque uma musiquinha gostosa ou o que você achar válido. A vida é estressante, a gente tá sempre cansado e por isso vale a pena separar dez minutinhos pra se mimar e se desligar desses pensamentos sobre o trabalho, as contas pra pagar, a crush maldita que não responde. Além de isso ajudar a desligar o motorzinho de pensamentos ansiosos, se isso for feito constantemente, ajuda nosso cérebro a associar aquilo tudo com a soneca.
Tire o celular de perto: Tomada do lado da cama é a maior fantasia sexual de 99% dos entrevistados pra essa reportagem (risos), mas as chances de você ficar rolando o feed do Facebook pra baixo e esquecer da vida são enormes. Você usa o celular como despertador? Coloque ele pra carregar numa tomada longe da cama, o que também vai te obrigar a sair da cama pra desligar o bichinho e evitar a tentação dos malditos cinco minutinhos a mais. HEH

Ruído branco: Eu nem sei quantas horas de sono eu devo ao cara que criou o RainyMood, mas posso garantir que são muitas. Além do barulhinho mágico de chuva, tem esse site pra criar seu próprio ruido branco personalizado e esse vídeo de dez horas com ~ruído branco celestial~ (pras suas viagens pelo espaço). Pra mim, faz muita diferença ter um barulhinho de fundo, mesmo que seja só o ventilador em dias de calor.

Seu amigo criado-mudo: Coloque um abajur e um livro ali do lado. Você não gosta de ler? Sente sono só de pensar naquelas letrinhas miúdas? Se faça esse favor e deixe os livros te levarem pro colo de Morfeu. Se você, como eu, adora ler, aproveite pra desencalhar aquele livro enorme e difícil que você quer tirar da lista de leitura. Talvez demore um ano inteirinho pra terminar, mas pelo menos seu sono estará salvo. Hooray!

Talvez eu pareça uma pessoa muito bem manjada na arte de evitar a insônia e dormir como uma princesa enquanto escrevo esse post, mas a realidade é que na noite passada fui dormir uma e meia da manhã - the struggle is real, amigos e amigas. Por isso, quero que vocês colaborem com esse post e me digam: O que vocês fazem pra ajudar vocês a dormir melhor?

#15: Digníssimo,

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Hoje a gente comemora anos. Não é a data oficial do aniversário de namoro (aquele dia em que você perguntou e eu ri e disse que não sabia, aí você me disse que também não sabia, então namoramos durante uma semana em segredo pra testar se o negócio dava certo), mas é o aniversário do dia em que tive certeza de que a gente tinha deixado de ser só amigos pra ser algo um pouco melhor. Eu perguntei se você ia embora e você negou. Foi a primeira vez que você abriu mão voluntariamente da sua casa, do seu apartamento, dos seus horários, pra dividir um colchão de solteiro comigo. Você estava juntando dinheiro pra ir pra Londres e não gastava nem cinquenta centavos num bombom pra me dar, mas naquele momento, você me deu a sua presença. Foi ali que eu tive certeza de que eu era especial.
Faz mais de mil dias que estamos juntos e nunca escrevi nada sobre você aqui, mas decidi fazer desse quinze de agosto em que sou obrigada a cumprir com o cronograma do BEDA uma oportunidade pra mostrar pro mundo todas as coisas que eu adoro em você. Você já me disse que adora quando eu falo sobre você aqui, porque sente que faz parte da minha vida. Digníssimo, eu sinceramente não acho que você ainda precise disso, mas não encontrei um motivo bom pra não rasgar seda pra você aqui. Eu te amo, afinal de contas.
Na adolescência, eu sempre sofria porque ninguém queria me beijar ou me mandar correios elegantes apaixonados na festa junina, mas hoje eu vejo como tive sorte de me relacionar só com caras legais. Você, é lógico, foi o melhor de todos. Sempre me pego surpresa quando penso na sorte que tenho quando vejo mais uma vez o quão não-machista você é - te passou pela cabeça que eu seria um péssimo partido porque odeio ir ao salão e não sei cozinhar nada? Se passou, eu nunca senti. Você nunca implicou com as minhas roupas e nem com os meus amigos, e nunca esperou que eu fosse um tipo específico de mulher. Talvez isso só tenha acontecido porque a nossa amizade tenha preparado o terreno muito bem pra que você soubesse exatamente o que estava comprando, e pra que eu soubesse também onde é que iria me meter. Você é a única pessoa pra quem eu posso falar sobre tudo, lembra? Se alguém me perguntasse qual a fórmula pra fazer um relacionamento durar, seria essa. Nossos 45 históricos do msn não mentem: a gente realmente falava sobre tudo. A gente compartilhou os nossos sentimentos de inadequação durante a adolescência. Nossos sonhos e metas pro futuro. Depois, viramos calouros juntos, e colamos grau quase no mesmo dia. Nesse meio tempo, reclamamos horrores da faculdade e pudemos dividir jantas na cantina do RU, almoços, pizzas gigantes da Marcelus, colchões de solteiro, fones de ouvido, caminhadas até a rodoviária. Você me apresentou os seus amigos e eu fiz o mesmo. Usei seu ombro emprestado várias vezes pra chorar sobre minha grade de horários insana, minha colega de casa doida, meus estágios frustrantes e minha vontade de largar tudo e fazer jornalismo; e paguei você com amor, chocolates e companhia. Você me convenceu até a te emprestar a minha escova de dente. Sério, se isso não é amor, eu não sei o que mais pode ser.
Nós dividimos planos enormes que tiveram que ser replanejados várias vezes graças às incertezas da vida, e fico surpresa quando penso que em vários momentos a gente podia ter terminado com isso em nome da conveniência. A vida é uma bosta, você sabe, e ela sempre frustra tudo. Não acho que exista outra pessoa nesse mundo que ocupa esse espaço que tenho no coração tão bem como você, though. You are home.
Nós também dividimos balas de gelatina e centenas de quilômetros rodados no seu carro - pra Angra, pro Rio, pra minha casa, pra sua. Nunca me canso de achar esse tipo de coisa especial: eu, você, minhas músicas (risos) e o mundo passando a cem quilômetros por hora do outro lado do vidro. Você já me levou pra conhecer tantos lugares novos e é incrível poder desbravar o mundo com você (Londres que nos aguarde), mas sou obrigada a concordar com quem diz que a jornada importa mais do que o destino final. Seu carro podia contar várias histórias: de confissões que já fiz, músicas que cantamos (com direito a air guitar), lágrimas derramadas por nós dois, meus gritos de raiva ou de empolgação e muitas opiniões de merda(tm) sobre a vida, o universo e tudo o mais. Às vezes a gente concorda, às vezes não, mas é com você que continuo podendo falar sobre tudo.
Ai, o seu amor pela ciência, Digníssimo.
Não tem nada mais bonito em você. O jeito como você fica alheio ao mundo quando encontra algo que te interessa, suas obsessões em saber tudo o que puder e a sua forma de compartilhar tudo comigo, como se eu me importasse. E (na maior parte do tempo) eu me importo. Acho maravilhoso como você desbrava essa selva de conhecimentos não adquiridos e sempre tem algo novo pra me dizer. O mundo é sempre melhor, maior e mais colorido com você. Lembra de quando você me disse que eu era feita de estrelas e depois me explicou sobre como todos os átomos e elementos do Universo surgiram de explosões em núcleos estrelares?
Eu amo a cor dos seus olhos e o seu sorriso, e sou incapaz de ficar imune à sua risada mesmo que eu tente. Você me faz rir mesmo quando eu quero ficar emburrada. Você tem as mãos mais quentes do mundo, mesmo no inverno, e as soluções mais engenhosas pra manter meus pés quentinhos. A gente tem a melhor trilha sonora conjunta (Genesis, Boston, Queen e afins) pra explorar o mundo, e sei que você é a pessoa ideal pra se ter uma jornada que dure a vida inteira - viajando ou não. Odeio suas piadas ruins, mas posso ficar o resto da vida ouvindo elas e reclamando disso. Eu amo você, do tamanho do Universo. Feliz dia quinze.

#14: Cadê as medalhas

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Sobrevivemos a mais uma semana de BEDA. Eu posso ouvir um "AMÉM"? Estamos todas superando recordes bedísticos? CADÊ AS MEDALHAS?
FLAWLESS 
Digníssimo teve um lapso de Papai Noel fora de época e comprou O Chamado do Cuco pra mim, que tava na minha lista de leitura há milênios mas eu sempre ficava enrolando pra começar. Até agora li bem pouco, mas Cormoran Strike já me conquistou e J.K. Rowling continua escrevendo maravilhosamente - inclusive queria pedir pra ela escrever mais dessas histórias e pelo amor dos deuses DEIXAR HARRY POTTER EM PAZ.
Não li a peça Cursed Child e não sei quando lerei, (então por favor, sem spoilers), mas das opiniões que eu li, nenhuma foi 100% favorável. Amiga Rowling, pare de ficar escrevendo fanfics das suas próprias histórias.

Mas então, gente: Ces tão acompanhando as Olimpíadas? Eu já paguei minha língua seiscentas vezes, porque reclamei horrores da desorganização, dos gastos, conversinha de hater etc etc, mas logo na abertura já estava ali no livetweeting e fazendo declarações de amor ensandecidas a Guga, Oscar, Marta, Vanderlei Cordeiro de Lima, Anitta, Santos Dumont, ao Rio de Janeiro, aos mocinhos da bicicletinha, ao porta bandeira todo oleado de Tonga. Não tem jeito, sou uma pessoa que gosta de emoções fortes e de torcer.
Aí aconteceu a equipe de ginástica artística masculina na minha vida.
DIEGO HYPÓLITO NÃO É MARAVILHOSO?
Fiquei muito envolvida porque tenho certeza de que se eu fosse ele, jamais voltaria a sair de casa depois dos tombos na carreira dele, e o menino não só compete novamente como faz piruetas e saltos incríveis, vai pra final e ganha medalha. Eu fico embasbacada com a força/técnica/graça desses ginastas.

E o futebol feminino, senhoras e senhores: MARTA QUANDO EU CRESCER EU QUERO SER IGUAL VOCÊ. Mentira: me contentaria com qualquer uma das mulheres, que são todas maravilhosas e jogam com muita raça. Se eu fosse nosso salve salve Michelzinho já estaria baixando um decreto proibindo o futebol masculino por dez anos e destinando as verbas e patrocínios pra campeonatos femininos. Já que é pra ser impopular, vamos fazer a coisa direito???


Como sempre, um pedido de desculpas, porque estou morrendo soterrada pelo meu feed e não estou dando conta de ler/comentar/linkar tudo e todos. Tem uma coleçãozinha de links aqui que eu fui salvando no post durante a semana, mas tem alguns que eu queria comentar depois então ainda não li porque quero fazer isso apropriadamente, hahahahahaha.

A Mia escreveu esse post falando sobre uma coisa seríssima: vaginas. É da semana passada e eu estou corrigindo a injustiça de não ter linkado ele aqui no outro post resumão da semana. LEIAM.
A Lolla escreveu esse que é um daqueles posts em que a gente junta tudo o que aprendeu sobre a vida e tenta fazer com que seja útil pra alguém. Sempre bom lembrar. LEIAM.
A Nicas tá contando sobre a vez que ela caminhou 108km a pé e pelo que lemos até agora, eu adoraria fazer o mesmo. Ces tão acompanhando? Se não, é hora de começar a ler já!
A Maki escreveu isso aqui sobre como ela se sente dividida entre uma vontade enorme de ser vista e reconhecida e um medo igualmente grande e paralisador de ficar exposta e ser julgada. My thoughts exactly. Esse texto resume o que o BEDA tem sido pra mim até agora. s2
A Mary falando sobre poligamia e relacionamentos e lembrando a gente de que somos todos livres pra fazermos o que quisermos (sem ter que obrigar ninguém a nada).
A Lolla (de novo) postou uma ode à relação da sua filhotinha felina e do respectivo pai de gata. Pra esquentar o coração e dar lagriminhas no canto do olho.

Domingo também é dia de Postsecret e esse foi o meu preferido desse domingo. Não testei ainda esse approach pra lidar com as misérias da vida - vai que funciona? Fica o recado pra vocês.