Venezia, duemilatredici

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Antes disso: Bologna - Ferrara
Alguém me traz uma caixa de lencinhos que eu já to sentindo o nó na garganta se formando aqui.
Sempre ouvi todo mundo falando de Veneza e da sua história, da sua singularidade, da magia das gôndolas e dos gondolieri e aquele labirinto de canais sem sentido, do romance, dos carnavais e seus mascarados, dos artesãos de vidro em Murano, e de outras mil coisas, mas sempre tinha achado que muito desse amor era exagero, até o dia em que eu peguei um trem pra passar o final de semana lá porque afinal de contas, né, não viajei dez mil quilômetros pra voltar pra casa e dizer que não conheci a tão badalada Veneza.
O tal final de semana foi bem cansativo, de tanto andar pra cima e pra baixo o tempo todo carregando o peso da câmera inseparável; meio aborrecido, de tanto encontrar coisas lindas que eu queria comprar mas não tinha dinheiro o suficiente; meio incompleto porque não fui ver os artesãos do vidro em Murano (coisa com a qual sou encantada desde sei lá, cinco anos de idade); mas me presenteou com outros tantos momentos lindos e mágicos que apagaram completamente essa ideia de que Veneza é um lugar superestimado e me deixou com a certeza de que eu PRE-CI-SO VOLTAR PRA LÁ DE NOVO (assim mesmo, em caps lock e com pausas pra enfatizar).

Cordei kd Piazza San Marco
 Ciao bella, hoje não vai ter sol
Basílica de São Marcos
Leões alados everywhere
A Torre dell'Orologio e muita neblina

Close no relógio: 24 casas pra cada hora do dia, além de painéis que giram pra mostrar a posição do Sol nos signos do zodíaco e da Lua em relação à Terra.
 Ponte dos Suspiros vista de fora. Passei a vida toda achando que os suspiros da ponte eram de amor, pra descobrir que ela tem esse nome porque fazia parte do caminho dos prisioneiros pra prisão
a vista dos prisioneiros de séculos atrás
vista interna do Palazzo Ducale, a antiga residência do doge de Veneza e sede do governo (a vista externa é a primeira foto desse post, uma tentativa bem ruim de capturar a fachada dele pois é ENORME)
 Não é por acaso que essa belezinha se chama Escada de Ouro (como muitas coisas nessa viagem, o teto era mais interessante do que o restante da vista)
vista da ponte de Rialto: turistas
e também o Grande Canal com essa vista linda
 e lojinhas com souvenires (alguns caríssimos)
pau de selfie: não trabalhamos

arrependidíssima de não ter experimentado esse sabor crema del doge pois só tinha em Veneza (mais um motivo pra voltar pra lá)

possivelmente a minha foto preferida de Veneza e uma das preferidas da vida
 vitrines natalinas = melhores vitrines sempre
 99 euros por um jogo de xadrez de gatos x cachorros + 29 pelo tabuleiro feito em couro... apenas uma das razões pelo meu aborrecimento por não ser rica enquanto eu andava pelas ruas
 Acho que eu nunca fiquei tão feliz na vida de ver o sol como nessa manhã - acordei, escovei os dentes e já saí com a câmera na mão. Vista do alto do hostel em que a gente ficou (simplesmente melhor hostel, além de tudo te dá vista aérea da cidade!!!!!!!!!!!!!!111!11!!!11!!1!)
A Praça de São Marcos é a única praça de Veneza, e o seu principal destino turístico, com permanente abundância de fotógrafos, turistas e pombos. - Wikipédia corretíssima
desculpa mas COMO NÃO SE APAIXONAR POR ESSA CIDADE?
 Lanterninhas coloridas bonitas demais pra ficarem de fora
 OOOOOOOOOO SOLE MIOOOOOOOOOOOOOOOOO
 To fora de foco mais uma vez (minha fotógrafa oficial não se entendia muito bem com a câmera, heh), tá espontanea, to olhando pra fora do quadro, mas: uma das minhas fotos preferidas desse role
arrivederci, bella

Próxima parada do diário de viagem: Bolonha de novo, hu3 - porque turismo nunca é demais
Tenho fé que terminarei de fazer esses posts sobre essa viagem até o final do ano. Espero que vocês tenham amado as fotos desse lugar tanto quanto eu e não tenham se cansado de tanto canal e tanta gôndola. Deus, me leva de volta por favor

Beijos e até o próximo post!

Goodbye BR-101

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2014 foi um ano que fugiu completamente das minhas expectativas. Por exemplo, quando eu fiz meu brinde de Ano Novo, a dez mil quilômetros de casa e cercada de pessoas que eu tinha conhecido há praticamente uma semana, eu não esperava que ia cruzar as fronteiras estaduais mais de uma vez durante os próximos 365 dias. Mas coisas acontecem. Uma dessas coisas foi Digníssimo ter arrumado um emprego em Angra dos Reis, mil quilômetros longe do lugar que eu chamo de "casa".
Eu não conhecia Angra. Eu não tinha nem muita certeza de onde achar a cidade no mapa. Eu poderia ter passado a vida toda sem colocar meus pés ali, mas de repente aquele lugar desconhecido estava tirando Digníssimo de mim, e eu não ia simplesmente deixá-lo ir.
No começo a gente se estranhou. Tive uma recepção digna de São Paulo, com céu cinza, uma garoa ridiculamente irritante e uma hora de espera na rodoviária, com a bateria do celular pedindo socorro. Angra também fugia às minhas expectativas: era desordenada demais, espalhada demais, com curvas demais. Eu também não era o melhor tipo de turista: caipira da gema, nascida e criada a 450km do litoral, com uma dificuldade enorme de ~sair pro mundão~ e conhecer novidades. Sentada ali, esperando, agarrada às minhas malas, eu só queria ir embora.
se tivesse ido embora não ia ter conhecido essa ilhazinha mais linda

Em Angra dos Reis eu li muito, porque aparentemente existe uma dificuldade enorme em se conseguir internet por lá. Chorei com Mar Morto e cobicei todos os livros da livrariazinha do shopping pelo menos umas dez vezes. Reclamei muito de como uma cidade pode ter tantas ruas e calçadas estreitas e planejamento nenhum. Comi mais pratos com camarão do que imaginei que fosse fazer na vida. Cultivei uma paixão por balas de gelatina. Defendi ferrenhamente a vitória da "bolacha" sobre o "bixcoito". Brinquei de dona de casa. Aprendi um pouquinho sobre futebol carioca e senti saudade de encontrar mais gente com o meu sotaque do interior.

Perdi as chaves da casa do Digníssimo numa tarde e passei o resto do dia no centro, agradecendo a Deus pelo Google Maps, olhando o mar e fazendo o que só uma turista perdida pode fazer sem culpa nenhuma: nada. Reclamei mais uma vez, da dificuldade de se obter internet e sinal de celular ali no meio de tanto morro. Tirei fotos de coisas lindas que não se encontram no interior. Joguei Guitar Hero e descobri que não tenho a menor habilidade pra tocar instrumento nenhum, mas conheci uma coleção de músicas novas pra levar pra casa. Subi uma trilha gigantesca, que eu jamais teria subido se soubesse o tamanho da empreitada, mas que me fez passar por lugares lindos, ver que o mundo é bem maior do que eu conhecia e que o meu condicionamento físico não é assim ruim como eu esperava. Vi o sol do mirante. Assisti horas e horas de séries e filmes enquanto eu ficava sozinha. Estabeleci uma ~tradição~ culinária com o Digníssimo. Arrumei queimaduras de sol e arranhões inesperados.
Eu andei de barco. Coloquei as patinhas no litoral pela primeira vez. Catei conchinhas como se fosse uma criança deslumbrada com o mundo (o que na verdade, eu sou). Tive um aniversário horroroso em que eu deliberadamente tomei um banho de chuva pra poder chorar em paz. Passei horas e horas pensando na minha vida. Tomei banho de água mineral porque aparentemente, as caixas d'água ficam secas por lá na época do verão. Passeei pelo cais me maravilhando com os nomes dos barcos. Procurei albatrozes no céu. Postei fotos com legenda #vidadifícil porque sim, tá liberado ser esnobe de vez em quando.
Ir pra Angra me fez percorrer por cinco vezes os mil quilômetros de trajeto completamente sozinha.
Me fez superar a vergonha de anos de me enfiar em trajes de banho. Me obrigou a pensar na minha vida, sozinha. Me deixou mais independente. Estar ali me mostrou que eu podia fazer coisas que eu não sabia que podia, que não saber o que fazer da vida não era exatamente uma tragédia, e que after all it was a great big world maior do que eu imaginava. Ir pra lá também me levou pro Rio de Janeiro, que talvez mereça seu próprio post, quando a nostalgia da viagem ficar grande demais pra guardar.
Digníssimo voltou pro interior no começo desse ano, e meus vínculos com a cidade acabaram por aqui. Se alguém me pedisse pra me mudar pra lá, continuaria recebendo risadas minhas como resposta. Mas bem que não seria uma má ideia morar um pouco mais perto... pra matar as saudades quando for preciso.

Eu juro que eu queria ser uma blogueira exemplar e ter postado regularmente esse mês, mas fica difícil quando o computador resolve que vai dar piti de novo (tem uns trinta posts no Feedly que eu marquei pra ler depois e comentar). Aí juntei toda a minha nostalgia e a vontade de não deixar esse blog às moscas e resolvi postar mais um post pessoal/turista/cheio de fotos. Eu sempre fico meio encanada quando começo a fazer muitos posts pessoais por aqui... (sempre penso: quem será que está interessado em saber o que eu fiz nessa vida???) Mas como já comecei com o meu diário de viagem, vai continuar tendo post sobre a minha vida sim - o próximo post desse tipo que sai vai ser o com as fotos de Veneza *preparando o lencinho de papel*.
Beijos e até a próxima!

7 on 7: junho 2015

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Oi, gente!
O 7 on 7 de junho tem tema de novo! Esse mês fizemos uma seleção de fotos macro. Quando eu ainda usava minha câmera compacta, fotos de detalhezinhos miúdos eram algumas das minhas preferidas (continuam sendo, mas é mais difícil fazer fotos assim com a câmera nova). Num futuro ~rhyco~, morro de vontade de ter uma lente macro de verdade, pra sair por aí clicando florzinhas, bichinhos e essas coisas que costumam passar despercebidas no nosso mundo "grande demais". Mais alguém também gosta?
 Eu gosto muito das cores dessa foto e da delicadeza dessa florzinha ♥

Sempre que chove eu tento tirar alguma foto da água que fica nas plantinhas aqui de casa. Acho lindo demais ♥♥
Bonoculozinhos de épocas distantes cheios de fotos de gente que eu nem cheguei a conhecer, mas que eu gosto muito. Não sei qual a relação dessa menininha com a minha família, mas adoro essa foto dela
Florzinha muito muito miudinha encontrada em uma caminhada pela cidade
Comida sempre é mais gostosa quando é bonita também
Cactozinho com espinhos muito fofos do jardim da minha mãe
 Caixinha do tesouro 

Pra ver os outros posts do 7 on 7 desse mês:
Tem mais 7 on 7 aqui!
Érika - Ianê - Suelen - Tátila - Victória

A retrospectiva desse blog também indica: há um ano o 7 on 7 era tema livre, e há dois as fotos eram temáticas por cor!
Beijos e até o próximo post!