Eu não conhecia Angra. Eu não tinha nem muita certeza de onde achar a cidade no mapa. Eu poderia ter passado a vida toda sem colocar meus pés ali, mas de repente aquele lugar desconhecido estava tirando Digníssimo de mim, e eu não ia simplesmente deixá-lo ir.
No começo a gente se estranhou. Tive uma recepção digna de São Paulo, com céu cinza, uma garoa ridiculamente irritante e uma hora de espera na rodoviária, com a bateria do celular pedindo socorro. Angra também fugia às minhas expectativas: era desordenada demais, espalhada demais, com curvas demais. Eu também não era o melhor tipo de turista: caipira da gema, nascida e criada a 450km do litoral, com uma dificuldade enorme de ~sair pro mundão~ e conhecer novidades. Sentada ali, esperando, agarrada às minhas malas, eu só queria ir embora.
se tivesse ido embora não ia ter conhecido essa ilhazinha mais linda
Perdi as chaves da casa do Digníssimo numa tarde e passei o resto do dia no centro, agradecendo a Deus pelo Google Maps, olhando o mar e fazendo o que só uma turista perdida pode fazer sem culpa nenhuma: nada. Reclamei mais uma vez, da dificuldade de se obter internet e sinal de celular ali no meio de tanto morro. Tirei fotos de coisas lindas que não se encontram no interior. Joguei Guitar Hero e descobri que não tenho a menor habilidade pra tocar instrumento nenhum, mas conheci uma coleção de músicas novas pra levar pra casa. Subi uma trilha gigantesca, que eu jamais teria subido se soubesse o tamanho da empreitada, mas que me fez passar por lugares lindos, ver que o mundo é bem maior do que eu conhecia e que o meu condicionamento físico não é assim ruim como eu esperava. Vi o sol do mirante. Assisti horas e horas de séries e filmes enquanto eu ficava sozinha. Estabeleci uma ~tradição~ culinária com o Digníssimo. Arrumei queimaduras de sol e arranhões inesperados.
Eu andei de barco. Coloquei as patinhas no litoral pela primeira vez. Catei conchinhas como se fosse uma criança deslumbrada com o mundo (o que na verdade, eu sou). Tive um aniversário horroroso em que eu deliberadamente tomei um banho de chuva pra poder chorar em paz. Passei horas e horas pensando na minha vida. Tomei banho de água mineral porque aparentemente, as caixas d'água ficam secas por lá na época do verão. Passeei pelo cais me maravilhando com os nomes dos barcos. Procurei albatrozes no céu. Postei fotos com legenda #vidadifícil porque sim, tá liberado ser esnobe de vez em quando.
Ir pra Angra me fez percorrer por cinco vezes os mil quilômetros de trajeto completamente sozinha.
Me fez superar a vergonha de anos de me enfiar em trajes de banho. Me obrigou a pensar na minha vida, sozinha. Me deixou mais independente. Estar ali me mostrou que eu podia fazer coisas que eu não sabia que podia, que não saber o que fazer da vida não era exatamente uma tragédia, e que after all it was a great big world maior do que eu imaginava. Ir pra lá também me levou pro Rio de Janeiro, que talvez mereça seu próprio post, quando a nostalgia da viagem ficar grande demais pra guardar.
Digníssimo voltou pro interior no começo desse ano, e meus vínculos com a cidade acabaram por aqui. Se alguém me pedisse pra me mudar pra lá, continuaria recebendo risadas minhas como resposta. Mas bem que não seria uma má ideia morar um pouco mais perto... pra matar as saudades quando for preciso.
Eu juro que eu queria ser uma blogueira exemplar e ter postado regularmente esse mês, mas fica difícil quando o computador resolve que vai dar piti de novo (tem uns trinta posts no Feedly que eu marquei pra ler depois e comentar). Aí juntei toda a minha nostalgia e a vontade de não deixar esse blog às moscas e resolvi postar mais um post pessoal/turista/cheio de fotos. Eu sempre fico meio encanada quando começo a fazer muitos posts pessoais por aqui... (sempre penso: quem será que está interessado em saber o que eu fiz nessa vida???) Mas como já comecei com o meu diário de viagem, vai continuar tendo post sobre a minha vida sim - o próximo post desse tipo que sai vai ser o com as fotos de Veneza *preparando o lencinho de papel*.
Beijos e até a próxima!





















O DIY mais bonito, charmoso e cheiroso que já passou por esse blog. Continuo apaixonadíssima por esse fichário e continuo tentando fazer uma peripécia artesanal tão bonita quanto pra aparecer aqui no blog novamente.
Dois anos se passaram e eu ainda não comprei um planner da Monopoly, e eu ainda sofro querendo esse caderninho mais do que maravilhoso *lágrimas*
















