Goodbye BR-101

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2014 foi um ano que fugiu completamente das minhas expectativas. Por exemplo, quando eu fiz meu brinde de Ano Novo, a dez mil quilômetros de casa e cercada de pessoas que eu tinha conhecido há praticamente uma semana, eu não esperava que ia cruzar as fronteiras estaduais mais de uma vez durante os próximos 365 dias. Mas coisas acontecem. Uma dessas coisas foi Digníssimo ter arrumado um emprego em Angra dos Reis, mil quilômetros longe do lugar que eu chamo de "casa".
Eu não conhecia Angra. Eu não tinha nem muita certeza de onde achar a cidade no mapa. Eu poderia ter passado a vida toda sem colocar meus pés ali, mas de repente aquele lugar desconhecido estava tirando Digníssimo de mim, e eu não ia simplesmente deixá-lo ir.
No começo a gente se estranhou. Tive uma recepção digna de São Paulo, com céu cinza, uma garoa ridiculamente irritante e uma hora de espera na rodoviária, com a bateria do celular pedindo socorro. Angra também fugia às minhas expectativas: era desordenada demais, espalhada demais, com curvas demais. Eu também não era o melhor tipo de turista: caipira da gema, nascida e criada a 450km do litoral, com uma dificuldade enorme de ~sair pro mundão~ e conhecer novidades. Sentada ali, esperando, agarrada às minhas malas, eu só queria ir embora.
se tivesse ido embora não ia ter conhecido essa ilhazinha mais linda

Em Angra dos Reis eu li muito, porque aparentemente existe uma dificuldade enorme em se conseguir internet por lá. Chorei com Mar Morto e cobicei todos os livros da livrariazinha do shopping pelo menos umas dez vezes. Reclamei muito de como uma cidade pode ter tantas ruas e calçadas estreitas e planejamento nenhum. Comi mais pratos com camarão do que imaginei que fosse fazer na vida. Cultivei uma paixão por balas de gelatina. Defendi ferrenhamente a vitória da "bolacha" sobre o "bixcoito". Brinquei de dona de casa. Aprendi um pouquinho sobre futebol carioca e senti saudade de encontrar mais gente com o meu sotaque do interior.

Perdi as chaves da casa do Digníssimo numa tarde e passei o resto do dia no centro, agradecendo a Deus pelo Google Maps, olhando o mar e fazendo o que só uma turista perdida pode fazer sem culpa nenhuma: nada. Reclamei mais uma vez, da dificuldade de se obter internet e sinal de celular ali no meio de tanto morro. Tirei fotos de coisas lindas que não se encontram no interior. Joguei Guitar Hero e descobri que não tenho a menor habilidade pra tocar instrumento nenhum, mas conheci uma coleção de músicas novas pra levar pra casa. Subi uma trilha gigantesca, que eu jamais teria subido se soubesse o tamanho da empreitada, mas que me fez passar por lugares lindos, ver que o mundo é bem maior do que eu conhecia e que o meu condicionamento físico não é assim ruim como eu esperava. Vi o sol do mirante. Assisti horas e horas de séries e filmes enquanto eu ficava sozinha. Estabeleci uma ~tradição~ culinária com o Digníssimo. Arrumei queimaduras de sol e arranhões inesperados.
Eu andei de barco. Coloquei as patinhas no litoral pela primeira vez. Catei conchinhas como se fosse uma criança deslumbrada com o mundo (o que na verdade, eu sou). Tive um aniversário horroroso em que eu deliberadamente tomei um banho de chuva pra poder chorar em paz. Passei horas e horas pensando na minha vida. Tomei banho de água mineral porque aparentemente, as caixas d'água ficam secas por lá na época do verão. Passeei pelo cais me maravilhando com os nomes dos barcos. Procurei albatrozes no céu. Postei fotos com legenda #vidadifícil porque sim, tá liberado ser esnobe de vez em quando.
Ir pra Angra me fez percorrer por cinco vezes os mil quilômetros de trajeto completamente sozinha.
Me fez superar a vergonha de anos de me enfiar em trajes de banho. Me obrigou a pensar na minha vida, sozinha. Me deixou mais independente. Estar ali me mostrou que eu podia fazer coisas que eu não sabia que podia, que não saber o que fazer da vida não era exatamente uma tragédia, e que after all it was a great big world maior do que eu imaginava. Ir pra lá também me levou pro Rio de Janeiro, que talvez mereça seu próprio post, quando a nostalgia da viagem ficar grande demais pra guardar.
Digníssimo voltou pro interior no começo desse ano, e meus vínculos com a cidade acabaram por aqui. Se alguém me pedisse pra me mudar pra lá, continuaria recebendo risadas minhas como resposta. Mas bem que não seria uma má ideia morar um pouco mais perto... pra matar as saudades quando for preciso.

Eu juro que eu queria ser uma blogueira exemplar e ter postado regularmente esse mês, mas fica difícil quando o computador resolve que vai dar piti de novo (tem uns trinta posts no Feedly que eu marquei pra ler depois e comentar). Aí juntei toda a minha nostalgia e a vontade de não deixar esse blog às moscas e resolvi postar mais um post pessoal/turista/cheio de fotos. Eu sempre fico meio encanada quando começo a fazer muitos posts pessoais por aqui... (sempre penso: quem será que está interessado em saber o que eu fiz nessa vida???) Mas como já comecei com o meu diário de viagem, vai continuar tendo post sobre a minha vida sim - o próximo post desse tipo que sai vai ser o com as fotos de Veneza *preparando o lencinho de papel*.
Beijos e até a próxima!

7 on 7: junho 2015

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Oi, gente!
O 7 on 7 de junho tem tema de novo! Esse mês fizemos uma seleção de fotos macro. Quando eu ainda usava minha câmera compacta, fotos de detalhezinhos miúdos eram algumas das minhas preferidas (continuam sendo, mas é mais difícil fazer fotos assim com a câmera nova). Num futuro ~rhyco~, morro de vontade de ter uma lente macro de verdade, pra sair por aí clicando florzinhas, bichinhos e essas coisas que costumam passar despercebidas no nosso mundo "grande demais". Mais alguém também gosta?
 Eu gosto muito das cores dessa foto e da delicadeza dessa florzinha ♥

Sempre que chove eu tento tirar alguma foto da água que fica nas plantinhas aqui de casa. Acho lindo demais ♥♥
Bonoculozinhos de épocas distantes cheios de fotos de gente que eu nem cheguei a conhecer, mas que eu gosto muito. Não sei qual a relação dessa menininha com a minha família, mas adoro essa foto dela
Florzinha muito muito miudinha encontrada em uma caminhada pela cidade
Comida sempre é mais gostosa quando é bonita também
Cactozinho com espinhos muito fofos do jardim da minha mãe
 Caixinha do tesouro 

Pra ver os outros posts do 7 on 7 desse mês:
Tem mais 7 on 7 aqui!
Érika - Ianê - Suelen - Tátila - Victória

A retrospectiva desse blog também indica: há um ano o 7 on 7 era tema livre, e há dois as fotos eram temáticas por cor!
Beijos e até o próximo post!

Cem posts de beyond cloud nine

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Isso mesmo, amiguinhos e amiguinhas: esse é o centésimo post desse website!
Um post com uma deixa ótima pra postar a foto do melhor bolo de aniversário dos últimos tempos

Se você ainda não leu a página sobre desse blog, o Beyond assim como vocês o conhecem veio ao mundo no dia 17 de novembro de 2012, há mais ou menos dois anos e meio. Se fizéssemos a média, daria mais ou menos um post pra cada dez dias. Pensando assim, até parece que eu sou uma blogueira exemplar e que sempre aparece regularmente RISOS
Fiquem aqui com algumas estatísticas e fatos aleatórios deste que é o blog mais bonito das internets hue:

Posts mais acessados
1. DIY: Fichário navy personalizado
O DIY mais bonito, charmoso e cheiroso que já passou por esse blog. Continuo apaixonadíssima por esse fichário e continuo tentando fazer uma peripécia artesanal tão bonita quanto pra aparecer aqui no blog novamente.

2. 7 planners pra se ter na minha estante
A louca da papelaria ataca novamente = eis aí sete dos meus caderninhos favoritos no ano de 2013.

3. Papelaria: Monopoly

Dois anos se passaram e eu ainda não comprei um planner da Monopoly, e eu ainda sofro querendo esse caderninho mais do que maravilhoso *lágrimas*

Mas o Beyond não é só feito de materiais maravilhosos de papelaria!

Outono tardio em fotos aleatórias, um post fotográfico aleatório curtinho, mas que talvez seja o meu preferido
E a carta pra Manu de dez anos atrás, fruto de um meme do Rotaroots, que é o outro possível post favorito da história do blog.

Outras coisas legais nesses cem posts: a categoria do 7 on 7 é a que mais tem posts por aqui: 28! Mais de um quarto das postagens são fruto desse projeto que me acompanha mensalmente desde praticamente o ~nascimento~ deste blog. Outras categorias das quais eu gosto muito são a de ilustrações incríveis (que anda meio abandonada, tadinha, mas vale um clique porque só tem gente talentosa e linda), a de memes (porque eu simplesmente não resisto a eles), e a wishlist.
Também não posso deixar de citar que nesse espaço de cem posts (dois anos e meio... meu deus) o Beyond acompanhou vários bloguinhos legais de gente bacana. O blogroll daqui fica meio escondido em uma das páginas, então em honra desse grande acontecimento, to deixando os links aqui, pra vocês conhecerem (se é que ainda não conhecem) essas coisinhas bonitas, e que, de uma maneira indireta, me estimulam a continuar escrevendo aqui.

a life less ordinaryall the plumsba morettiblog da ianê ☁ bonsoir dudabruinechampagne supernova ☁ hello lolla ☁ one less margarita ☁ outro typostarships and queenspe-dri-nhaperpétuo devaneio ☁ toffee drops ☁ treze dígitos ☁ vida sem conto de fadas

Quanto aos planos pro futuro: Só posso torcer pra que os próximos cem posts não demorem tanto tempo assim, risos.
Beijos e até o próximo post!

beyond fm: it's a heartache

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Oi, gente!
Fazia meses que eu queria ter postado um mixtape novo aqui, mas por uma série de fatores e (revoltas do meu computador com o 8tracks) só consegui atualizar essa categoria beyond fm mais de um ano depois *lágrimas*.
Essa playlist é toda trabalhada nos hits da fossa amorosa - tem Adele, tem Roxette, tem Whitney Houston. Boa demais pra ouvir nos momentos de sofrência, pra chorar pelos amores não-resolvidos ou mesmo pra cantar bem alto, acompanhando esses gritinhos de sofrimento. Espero que nenhum de vocês esteja precisando chorar pelos amores que não deram certo, mas se estiverem: só dar o play e deixar a música fazer o seu trabalho de alívio.


Digam aqui: o que vocês acharam do mixtape? Esqueci de algum clássico maravilhoso pra chorar de amor? 
Beijos e até o próximo post! ♥

Ferrara, duemilatredici

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Esse post é a continuação da série de posts que eu pretendo fazer sobre os dias que passei em terras italianas em dezembro de 2013. Antes disso: Bologna
Por razões não-turísticas, passei uns bons dias em Ferrara, uma cidade com mais ou menos cem mil habitantes, um legítimo castelo medieval e um nome cheio de erres que te faz exercitar o italiano muito bem. Não tinha marcos históricos incríveis, mas tinha trattorias legítimas pra explorar, roommates pra conhecer, comércio pra visitar, supermercados pra comprar comida diferente e me sentir um pouquinho mais nativa, uma feira de Natal (da qual eu não tirei NENHUMA foto *tears*) e varias ruazinhas pequenas pra bater perna e olhar a paisagem. E não fosse isso suficiente, ainda tinha um parque lindo. DEUS ME LEVA DE VOLTA
Uma árvore de Natal legítima e enorme bem na frente do Duomo!!!!!!!!!!111!11!1!!!!11
Eu estou aí na frente, essa foto deveria ter sido um retrato. O desfoque foi totalmente acidental, risos (mas com todas essas luzinhas achei que ficou melhor assim mesmo)
Habemus castelo medieval sim senhor
Habemus catedral duomo. Não tem como não ficar embasbacada vindo do interiorzão e me deparando com construções enormes como essa
Trouxe uma folhinha dessas embora. Sim, eu sou dessas 
Mais árvore, dia incrivelmente nublado e gente encapotada
Olhos brilhando com a quantidade de folhas caídas
*rodopios em baixo dessa árvore*
DIO SANTO
Olha pra todas essas folhas em todos esses tons diferentes

 No dia em que eu descobri esse parque descobri que dá sim pra gente ter uma vida com cenário de filme

 Mais retratos do castelo em um dia de solzinho

Decoração natalina e um legítimo carrossel - até a presente data nunca tinha visto um carrossel tão digno

Será que esse post ficou com fotos demais? NÃO IMAGINA  Desculpa ser a descontrolada, mas acho que vocês me entendem. Não dá pra olhar pra todas essas fotos (lembrem-se, mais de três mil) e não querer mostrar um pouquinho de tudo, relembrar cada lugarzinho, choramingar um pouquinho pedindo pra Deus me levar de volta. Aliás, tirei tantas fotos no bendito parque que não coloquei elas aqui porque pensei em fazer um post à parte (vocês tão interessados em ver fotos minhas no lugar mais fotogênico que eu já estive na vida?).
Espero que vocês também tenham gostado das fotos de Ferrara, que não é uma jóia turística mas é um amorzinho de cidade, italiana até as pedras da calçada. Próxima parada desse diário de viagem: VENEZA. Alguém aí vai aguardar com ansiedade?
Beijos e até o próximo post ♥