Vim aqui trazer minha experiência de oito meses como proprietária de um e-reader.
Meu enamoramento com esse bichinho estranho começou no começo do ano, quando eu estava lá na Itália e finalmente me deparei com um deles ao vivo (aqui no interior não tem essas coisas, gente). Eu já tinha cogitado a compra de um, mas sempre receei fazer uma compra dessas às cegas porque achava muito arriscado investir quase 500 reais num objeto que tinha a possibilidade de me decepcionar. À primeira vista, levei um susto com o tamanho - achei que era pequeno demais e muito esquisito pra ler, mas aos poucos fui me acostumando com o formato e com o modo de passar as páginas, voltar e selecionar os livros. Voltei pro Brasil e a Cultura fez a promoção que faltava na minha vida. Decidi que aquela era a hora e quebrei o porquinho pra comprá-lo.Aí ele chegou em casa, e em dois dias lendo As Crônicas de Gelo e Fogo concluí que tinha feito uma das melhores compras da década.
Eu sempre amei livros de papel e tinha medinho de achar a leitura eletrônica muito esquisita, gastar dinheiro à toa e deixar o Kobo na gaveta. Ou pior: deixar de comprar livros físicos em prol das cópias virtuais (que mesmo não sendo tão legais, custam menos, ocupam menos espaço e não demoram pra chegar na sua casa). Mas com a wishlist imensa de leitura que eu tenho, não dá pra presumir que eu vou ter dinheiro e nem espaço pra ter todos os livros que eu quero... resolvi, então, ir colocando todos os livros que eu queria ler por curiosidade e não tinha nenhum apego emocional na fila de leitura eletrônica.
Oito meses depois, já li 26 livros no Kobo = sete vezes mais livros físicos que li esse ano. Eu sou toda elogios e vivo dizendo pros meus amigos adquirirem um também (me patrocina, Cultura!). Decidi finalmente fazer esse post aqui, com a minha experiência, com o objetivo de incentivar você que tem receio de comprar ou que tenha alguma dúvida sobre essa criaturinha.
1. Ele é muito prático - muito mesmo.
Nesse tempo todo, eu fiz duas viagens muito longas de ônibus. Horas e horas de rodovia sem fim. Tédio infinito esperando nas rodoviárias. Atrasos e ônibus quebrados. E o Kobo foi a melhor minha companhia de viagem. Ele cabia em qualquer canto da mochila, eu não precisei me preocupar nem um instante com possíveis orelhas e machucados que um livro de verdade ia sofrer dentro da bolsa, e ele estava pesando apenas 185 gramas e me dando acesso a uma centena de livros. A bateria também dura por muito tempo, mesmo deixando a luz acesa - não cheguei a contar, mas deve durar mais ou menos uma semana se você ler umas duas horas a cada dia.
2. Livros infinitos
O Kobo foi o responsável por eu ter tirado do papel a minha meta de ~ler mais~: 26 e-livros versus 4 livros físicos. Como eu não moro em uma cidade cercada por livrarias, isso também influencia muito: quando te dá vontade de ler aquele livro, não preciso esperar até ir na livraria pra ver se tem lá: é só procurar na loja. Ou no Livros do Exilado. Ou no LeLivros. Ou no ePubBud. Ou no PirateBay. Como eu estou querendo ler mais livros em inglês, isso é uma mão na roda: nada de ficar esperando por três meses a entrega do livro, quando você provavelmente já vai estar querendo ler outra coisa.
Sobre o armazenamento: Ele tem uma memória de 2GB (da qual apenas 1GB está disponível de verdade), mas tem um slot pra cartão de memória de até 32GB, o que te permite armazenar... livros infinitos! No momento eu estou com 119 arquivos .epub no meu, e estou ocupando 99,2 MB.
3. Conforto! Conforto! Conforto!
Tem gente que se vira muito bem lendo PDF no computador, no tablet ou até mesmo no celular, mas eu sofro muito com a luz desses dispositivos. A iluminação do Kobo é excelente - aliás, na intensidade máxima ela ilumina até demais - e dá pra ler por horas a fio durante a noite sem cansar a vista. O fato de ele ser leve e pequeno também permite que você carregue ele por aí (ler andando, quem nunca?) sem sentir dor nas mãos, ou possa ler na cama em qualquer posição sem sofrer. Dá pra segurar o livro acima da cabeça. Dá pra deixar ele no colchão. Dá pra trocar ele de mão toda hora e mesmo assim conseguir trocar de página. Aliás, se você é canhoto, dá pra mudar as configurações e colocar o "avançar página" do lado esquerdo também.

Além de tudo isso, ele tem outras características muito interessantes: Dicionário embutido em várias línguas - o que torna muito prática a leitura de livros em outros idiomas, porque ao invés de ter de parar, pegar um dicionário e procurar a palavra desconhecida (ou simplesmente ignorá-la e ir pra frente) você só precisa selecioná-la e segurar pra ver o significado; o sistema de prêmios de leitura e suas estatísticas, que por mais que não sejam as coisas mais necessárias de todas são bem interessantes de acompanhar; e a possibilidade de poder marcar seus livros e suas páginas preferidas - pra quem é neurótica com os livros como eu e não pensa nem em colocar um post-it, é bem vantajoso poder ter à mão as suas frases preferidas.
Pra ilustrar ainda melhor, acabei fazendo um videozinho pra mostrar sucintamente como é o Kobo: O tamanho, como é pra passar as páginas, a navegação e outras coisinhas mais. Dêem o play aí:
Meu Kobo travou umas duas vezes desde que chegou - ele tem um botãozinho na parte de baixo que funciona como reset, pra ser empurrado com algo fininho caso necessário. Eu já tinha visto algumas resenhas que diziam que ele era meio lento, mas eu pessoalmente quase nunca me incomodo com a lentidão na hora de passar pra próxima página. Nas vezes que coloquei alguns livros em PDF, no entanto, percebi que eles eram mais lentos e não ficavam muito bem configurados no leitor, então procuro colocar apenas arquivos em .epub. O Kobo suporta muitos outros formatos de arquivo (pdf, txt, jpg, gif e afins), e algo que me fez decidir por ele em relação ao Kindle foi o fato de ele ler arquivos de quadrinhos (.cbz, .cbr). Acabou que eu não li tantos assim, mas não tive problemas de lentidão com esse formato também.
A única dificuldade que eu tenho é na hora de selecionar frases: eu nunca consigo arrastar o seletor pra onde eu quero de primeira, e quase sempre acabo des-selecionando tudo antes de conseguir destacar a frase. Mas como não é sempre que faço alguma marcação, isso é bem pouco relevante, apesar de ser chatinho quando você está lendo.
Outra coisa: O Kobo é um bichinho sensível. Eu recomendaria que todo mundo comprasse a capinha emborrachada da Cultura e fosse feliz, mas eu mesma optei por correr o risco. O meu está com alguns riscos na parte traseira, que felizmente só são visíveis bem de perto, mas se você quiser manter o seu em estado de recém saído da caixa, não confie em deixá-lo solto na bolsa. Ele também já caiu no chão duas vezes (e meu coração caiu junto), e ainda está funcionando perfeitamente, mas eu não contaria muito com isso: meu namorado nocauteou o Kindle dele com uma vassourada acidental. Por via das dúvidas, guardem ele em local seguro, não durmam com ele na cama e não tentem matar baratas quando elas estiverem perto do Kobo.
Ufa! O post ficou beeem grandinho, mas espero que tenha sido bastante esclarecedor e motivador pra quem estava em dúvida de comprar ou não! Mas pra quem tiver alguma pergunta: só deixar nos comentários!
Beijos e até o próximo post!
































