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taylor swift taught me #1

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Esse é o primeiro post (de uma pequena série que eu pretendo fazer, mas a gente nunca sabe pra onde vai a motivação dessa blogueira que vos escreve) compartilhando epifanias e reflexões que a senhorita Taylor Swift me provocou acidentalmente. O episódio de hoje é sobre Shake it Off.
Vou confessar: eu tenho um hábito horrível, que é o de pegar birra de algumas coisas sem conhecê-las direito. Desculpa, mundo. Eu sei que é ridículo, mas é mais forte do que eu. Eu e a implicância já somos amigas antigas, e talvez eu esteja acostumada com a companhia dela enquanto meneio a cabeça e reclamo por não entender as novidades ou por que diabos fulano-de-tal está fazendo tanto sucesso.
Uma das vítimas da minha implicância gratuita foi ela, Taylor Swift. Passei aí uns bons dois anos torcendo o nariz pra música pop e pro cabelo lindo dela até que um belo dia a vingança chegou: acordei com Shake It Off tocando sem parar na minha cabeça e eu tive que baixar e ouvir. E aí eu descobri porque é que ela conquistou o mundo dessa forma, porque lógico, fiquei uma semana ouvindo em loop infinito. Nem mesmo digníssimo (que curte um metal nórdico) resistiu ao HATERS GONNA HATE HATE HATE HATE HATE.

Depois disso é claro que eu me rendi.
Eu não sei exatamente por que eu decidi que não ia gostar de Taylor Swift, mas o embalo daquela música era tão bom que abalou minhas convicções. E o negócio é que quando eu dei boas vindas pra Shake it Off no meu iPod (que até então era, ao lado de Love Story, a única música da menina Taylor pra qual eu dava moral) eu também dei boas vindas pra várias coisas legais.
Eu descobri que - surpresa! surpresa! - ouvir o maior hit pop do momento durante a noite toda não diminuía a minha capacidade de gostar e de ser tocada pelas bandas e músicas fantásticas e atemporais que eu tanto adoro. Comfortably Numb ainda toca o meu coração como antes. Eu ainda balanço e o cabelo os pezinhos quando toca Immigrant Song. Não esqueci a letra de Foreplay/Long Time. Mas eu parei com a ideia boba de que uma música composta por uma mocinha com fama de escrever ótimas canções de amor, lançada em pleno 2015, endeusada por meio mundo, não combinava comigo. Aliás, não só combinava como era boa demais, porque enquanto o rock and roll acalma a minha alma, nenhum clássico do rock fala pra minha auto-estima como Taylor fez dizendo it's like I got this music in my mind saying it's gonna be alright.

Pode não ter técnicas inovadoras de guitarra. Pode ser que a gente não escute mais daqui a dez anos. Não importa - é fantástica.

Eu descobri que eu não precisava continuar alimentando minha birrinha pela Taylor primeiro porque afinal, ela mesma dizia que não estava nem aí. Segundo, porque ela tinha escrito uma música sobre exatamente o que faltava na minha vida: a capacidade incrível de tocar o FODASSI dar de ombros pras opiniões alheias. Haters gonna hate. Fakers gonna fake. People say stuff. Só me resta continuar com essa canção ótima na cabeça me dizendo que tudo vai ficar bem, porque afinal de contas, tendo uma trilha sonora incrivelmente dançante, vai ficar mesmo. Em casos de gente babaca ou do meu cérebro implicante julgando eu mesma, música boa é um remédio tiro e queda pra mim. E eu me agarrei a Shake It Off como um mantra pra todos esses momentos por um bom tempo.
Eu também descobri que podia dançar. Vejam vocês: eu tenho o gingado de uma porta. Dançar sempre foi um ponto sensível da minha vida. Mas de repente me vi literalmente shakin' it off no meio do quarto, quase que involuntariamente. Pra terminar um dia horroroso eu dancei no banho, de olhos fechados, enquanto o racionamento de água ainda estava rolando. Em minha defesa, aqui não faltou água. Mas eu sei que mesmo se a caixa d'água secasse eu teria continuado a me chacoalhar como se fosse a própria Taylor no clipe. E olha, existem poucas coisas nessa vida tão boas quanto dançar como se ninguém estivesse te olhando pra eu deixar essa sensação passar.
 Taylor e seu single maravilhoso me ensinaram a abraçar, se não completamente como eu gostaria (porque essa é uma tarefa ambiciosa e um pouco difícil), pelo menos um pouquinho mais dessa pessoa que eu sou e que, por razões incompreensíveis, às vezes eu cismo em odiar também. A coisa mais maravilhosa do mundo é saber que eu tenho 23 anos e que eu posso ser exatamente o que eu quiser. Que eu posso gostar de Led Zeppelin, Zezé di Camargo & Luciano e (sim!) Taylor Swift e chacoalhar os ombrinhos pros haters. Que o que faz da Taylor uma pessoa tão incrível não é o cabelo maravilhoso ou esse corpo magrelo invejável, mas sim a capacidade dela se permitir ser quem ela quiser: de escrever baladas country cheias dos sentimentos mais verdadeiros, de mudar de estilo musical e virar essa diva do pop; de cortar o cabelo, morar em Nova York ou ser feliz sozinha, mesmo tendo dito pra si mesma que nunca faria isso. E sobretudo, que não existe nada no mundo que me proíba de fazer as coisas que eu quero, nem mesmo a voz na minha cabeça dizendo que isso ou aquilo não combina com a pessoa que eu disse que era ou com a pessoa que eu deveria ser. A única pessoa que importa é a pessoa que eu sou e é ela que eu preciso agradar.

Eu sei por experiência que textões assim sobre epifanias maravilhosas e auto-descobertas não funcionam como mágica pra mudar as pessoas que ainda não descobriram a iluminação. Mas ó, as mudanças promovidas por essa moça na minha vida foram tão incríveis que eu quis dividir isso por aqui. Além disso, se você ainda não experimentou, não custa nada dar uma chance pra Taylor como eu fiz. Vai que, né? s2
No próximo TSTM: Blank Space e a delícia que é ser adolescente. Stay tuned xx