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Engajamento é outra coisa

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Alerta: esse texto contém RAGE

Eu demorei anos pra entender o significado da expressão "ficar no vácuo".
Também, pudera: esse tipo de coisa não existia na era pré-internet. A gente se sentava nas escadas do colégio no recreio e conversava: sobre os últimos episódios de Pokémon, sobre a dança da festa junina, sobre Luiz Guilherme, o Menino Mais Bonito da Sala™. Não tinha nenhuma possibilidade de aquilo ser um telefone sem fio quebrado e você ficar sem resposta, quando a pessoa estava te ouvindo em alto e bom som do seu lado. Por mais que você fosse uma chata. Por mais que ninguém soubesse o que responder. A pior coisa que podia acontecer era aquele ERRRR coletivo. O que poderia ser pior do que um ERRRR coletivo? Nada - até que Deixar Alguém no Vácuo se tornou uma possibilidade.

O negócio é que eu sempre fiquei descaralhada - des ca ra lha da - da vida quando alguém não me responde. Vocês acham que eu deveria superar isso? Que a vida moderna é assim mesmo e ninguém tem tempo de responder a 25 pessoas de verdade, 30 chats no face, ver e comentar 45 links e escrever três mensagens de aniversário e dois textões? Talvez; mas continuo com a sensação de que bateram o telefone na minha cara cada vez que isso acontece. Pior ainda: tenho a impressão de que sentei ao lado da pessoa, falei alguma coisa, ela levantou sem dizer nada e foi embora.  Você faria isso na vida real? Francamente, quem faria isso na vida real? (Eu conheço gente que faria isso na vida real, mas só porque tenho o azar de conhecer umas pessoas realmente estúpidas.)
A gente sabe muito bem de como a internet pode ser mágica e levar a gente pra lugares desconhecidos - ainda mais hoje, em que blogs e vlogs e flogs deixaram de ser espaços pessoais pra postar abobrinha e passaram a ser ~conteúdo~. Todo mundo produz conteúdo: Adolescentes japonesas que manjam de fotografia, maquiadoras góticas da Califórnia, celebridades teen do Tumblr, você e eu. Todo mundo consegue encontrar alguém nesse mundão sem fronteiras pra se identificar. Todo mundo é tão real, tão igual, em cima desses caixotinhos baratos virtuais, mostrando o que a gente acha que sabe fazer e esperando alguém cruzar um olhar com a gente nessa imensidão. Quando isso acontece, é fascinante, e não importa se você está no caixote ou na plateia - a solidão diminui, vocês se reconhecem, e alguém se arrisca a pedir alguma coisa. Uma apresentação de balé, uma mágica, uma resenha de livro, seu nome verdadeiro. Claro, você diz. E quando se prepara pra dar, a pessoa sumiu.
WHAT THE FUCK.
????????
É a sensação do telefone batendo na sua cara. Você fica ali, com as suas flores, suas bijouterias handmade ou as suas palavras nas mãos, prontas pra mostrar pra alguém que parecia Real, que podia se importar com aquilo, que queria ver aquilo - mas não é o que acontece, e não rola nem um "hoje não, obrigada" à guisa de explicação.


A gente chegou nesse ponto evolutivo da internet em que superamos o negócio de ter mil amigos no Orkut e todo mundo sempre reclama da saudade que sente da época em que desbravamos o Blogger.com com textos sobre nosso cotidiano e Candy Dolls. A gente fala que a internet tá impessoal demais e reclama da morte dos blogs pessoais e da falta de envolvimento. Todo mundo da minha vizinhança cibernética aderiu à newsletter argumentando que era "mais pessoal" e que isso "fazia a gente conversar mais", mas eu consigo contar nos dedos quantos e-mails enviei em resposta que foram respondidos. Então eu queria perguntar: vocês querem mesmo conversar mais? Vocês querem mensagens de gente desconhecida chegando no inbox? Vocês querem se engajar com tudo isso?
Engajamento não é esse negócio que mede quantas pessoas interagiram com o seu link ou visitaram o seu blog ou se inscreveram no seu canal ou comentaram no seu post. Engajamento é outra coisa - uma coisa viva. É entender que por trás dos cliques e dos comentários tem Pessoas De Verdade, com Problemas de Verdade e Sentimentos de Verdade, que dedicam Tempo De Verdade da vida preciosa delas pra te dizer alguma coisa. Minutos. Às vezes HORAS. Digníssimo, um rapaz de negócios, me explicou uma vez que tempo é um dos recursos mais preciosos que a gente tem - ele é limitado e irrecuperável - e desde então, passei a prestar atenção em onde as pessoas gastam o delas e agradecer a cada vez que fazem isso comigo. As pessoas separam tempo da vida delas pra ver o que você tem a dizer, aí separam mais tempo pra te dizer algo, e você levanta do banquinho e sai. Se fosse uma mensagem de papel a gente ainda podia reciclar, mas não é - é um desperdício de dados, expectativa e tempo. É uma mensagem que não fez eco e morre ali - um som perdido pra sempre no vácuo.
Quando finalmente entendi essa expressão, achei ela de uma sutileza genial.
Aprendi na faculdade que o nosso corpo físico e a nossa estrutura mental, mesmo perfeitas, só se tornam mesmo uma unidade - o bendito ser humano - quando alguém pode olhar pra gente. Não só olhar, mas ver, enxergar as necessidades daquele recém-nascido e atender a tudo, quando nem ele sabe direito o que está acontecendo naquele corpinho. A nossa capacidade de se importar é mágica e faz mágica, mas o contrário é igualmente poderoso: um bebê que ninguém enxerga e acolhe nunca vai se tornar um ser humano completo, mesmo que a genética diga o contrário. A gente se torna Gente apoiado no olhar do outro. O que pode ser pior do que aquele ERRRR coletivo que você ouvia na quarta série? Nada. A porcaria do Nada, não ouvir nada, não ser visto por ninguém. Um vácuo infinito, que destroça milhões de possibilidades e de conexões Reais, Humanas e Fantásticas que a gente podia estabelecer.
E tudo isso acontece em escala menor quando você deixa aquela porcaria de e-mail mofando na sua caixa de entrada sem responder com pelo menos um obrigada.
Quando você deixa de dizer pro fulano que ele é incrível porque acha que não é importante. Quando você diz pro fulano que a sua caixa de mensagens está aberta pra vocês se conhecerem, mas no final das contas você tem preguiça de responder àquilo, sem pensar em todas as possibilidades que poderiam surgir ali. Quando você diz que quer ver alguma coisa, sim, claro, mas deixa aquele link esquecido nos favoritos, e deixa a pessoa do outro lado esperando infinitamente o que você tem a dizer.  A gente não é obrigado por lei a se importar com cada pessoa que encontra pela internet, mas é idiota reclamar de como "a internet está impessoal" "saudade da blogosfera antiga" "todo mundo só quer ibope" quando você decide matar todas essas micro-conexões. É quase cruel dizer que você está disposto a Olhar pras pessoas e não o fazer, quando elas sentam na sua frente e ocupam o espaço que você ofereceu. Olhe para a pessoa. Responda a porcaria do e-mail. Não levante e saia andando sem dizer nada.


A gente finalmente conseguiu entender que somos todos humanos por trás dessas telinhas; agora só falta entender que pra estabelecer relações humanas a gente precisa se importar, cuidar e ser responsável de verdade por aquilo que a gente cativa do outro lado do wifi. Engajamento não é uma estatística; é se interessar de verdade pelas pessoas que se interessam por você. É Olhar de volta pras pessoas que te olham, mesmo que não dê pra enxergar os olhos delas. É mostrar que você também é um ser humano de cima do seu caixotinho, e que nada é mais precioso que outro ser humano mantendo contato.
Engajamento é se vincular.
Obrigada e boa tarde.

Sobre enigmas, lencinhos e estupradores

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(Roubado da página da Carol Rossetti lindona)

Quando pensei em sentar e digitar um texto com a minha opinião sobre o caso do estupro que deixou todo mundo estarrecido, parte de mim tentou me dissuadir dessa ideia: "Menina, por quê? Quem é você na fila do pão pra falar disso? Cê acha que tem algo a dizer que realmente acrescente na discussão?" e pra ser sincera, eu não sei - mas decidi sentar e falar assim mesmo.
A primeira coisa que pensei, quando a notícia me atingiu, foi sobre quando é que nós, mulheres, perdemos o direito de decidir sobre os nossos próprios corpos - com essa outra parte cética do meu cérebro me dizendo que nunca tivemos esse direito de verdade. De mercadorias a casamentos arranjados, o nosso papel era obedecer. E quando chegamos à era moderna, criamos constituições, vamos pra universidade e fazemos estudos sobre gênero, queimamos sutiãs e pilotamos aviões, nós esperamos provar que podemos ser senhoras de nós mesmas - e até somos, com uma exceção. 
O sexo. O desejo. A nossa opinião sobre nosso próprio corpo não vale nada.
Violência sexual me é um assunto muito delicado e foi impossível não me colocar no lugar da menina que sofreu tudo isso. A maior dor de uma situação dessa não é a violação física - é a violação da nossa vontade, do nosso direito enquanto pessoa de decidir sobre si mesma, de posse sobre nós. Ficamos ali como um mero objeto de satisfação sexual: às vezes inconscientes e quietinhas como bonecas infláveis, às vezes gritando e chorando, tentando lembrar àquele outro que também somos humanas e não queremos estar ali. Nosso corpo é invadido e nosso desejo é massacrado, enquanto a pessoa que está ali acredita piamente que você quer/precisa/merece aquela relação sexual.
A humanidade falha nessas horas. É quando deixamos de lado a linguagem em prol da brutalidade dos instintos - uma coisa que a gente tem tentado evitar desde que resolvemos nos reunir em forma de civilização.
É preciso reafirmar isso: a figura do estuprador como o maluco armado num beco é um mito muito conveniente, que tranquiliza os homens que pensam que não tem nada em comum com essa figura psicótica. A realidade não é essa: o estuprador pode ser um tio, um vizinho, um colega do futebol, um professor, um marido, um ex-namorado. Assusta? Muito. É feio? Demais. Mas basta acreditar que você tem direitos irrevogáveis ao sexo e que sabe mais do que a outra pessoa sobre a vontade dela pra se tornar um em potencial. A gente ouve as desculpas manjadas de sempre: "ah, mas ela tava usando uma roupa curta demais" "ela tem filho nessa idade, não era santa" "ela me beijou, passou a mão e na hora quis pagar de casta" e esse tipo de coisa. "Ah, ela disse que não mas era só joguinho". O esforço dos homens em decifrar o que tentamos dizer é uma coisa admirável, especialmente se considerarmos todos os séculos em que ficamos proibidas de dizer sim pro sexo sem ficarmos vistas como vagabundas sem valor nenhum. Fomos historicamente colocadas nesse lugar, o de derrubar lencinhos e dar esbarrões acidentais pra comunicar sem palavras o nosso interesse. O problema é que, quando deixamos pro outro a responsabilidade de decidir por nós, corremos o risco de ser mal entendidas. Nós tornamos objetos - bibelôs esperando ser tomadas. É por isso que eu decidi escrever esse texto: a linguagem está aí a meu dispor, e é meu dever usá-la pra dizer o que eu quero.
Breaking news, humanidade: é 2016 depois de Cristo e temos as palavras sim é não a nosso dispor. É hora do sexo masculino largar a desculpa do instinto e se ater às regras da civilização de uma vez: nós, mulheres, não somos mais objetos. Somos sujeitos, tais como vocês. Podemos comprar brinquedos sexuais - podemos até nos relacionar com outras mulheres - e não precisamos dos seus órgãos pra satisfação ou cura de qualquer coisa, a menos que a gente realmente queira. Podemos usar vestido curto, dançar sozinhas, ir embora bêbadas e derrubar lencinhos sem que isso signifique um convite pra nada. Estar em um relacionamento estável não te dá "direitos" a nada. O preço da civilização é esse, mas sempre existe a alternativa de se organizar em bando e lutar até a morte pela liderança dele, caso você goste de ~ouvir seu instinto de macho~. Nós temos voz e temos que aprender a usá-la, e vocês têm que aprender a escutar: "sim" significa sim. "Não" significa não. Não precisamos ser decifradas: a gente precisa que a humanidade finalmente entenda que ignorar o consentimento de alguém é de uma barbárie imensurável. 


life's too short

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A gente tem essa coisa de se sentir imortal. O que eu até entendo, porque ninguém quer olhar na cara da morte o tempo todo. Olhar pra verdade feia, essa que diz que a nossa vida é tão frágil quanto um dente de leão e podemos estar nos nossos últimos 60 segundos de vida sem saber. A gente nunca sabe. E é por isso que a gente pode esperar, fazer planos, sonhar, dormir pensando em acordar na manhã seguinte. Viver.
Mas também é por isso que a gente tende a menosprezar a vida e deixar ela passar.
A vida é curta demais e a gente tenta ignorar isso enquanto tentamos adiar os nossos maiores planos, aqueles que mais nos dão medo, por não nos sentirmos preparados agora. A gente fixa o olhar num ponto cego e faz promessas vazias de que no ano que vem vamos mudar de cidade, de emprego, finalmente tomar coragem pra se declarar pra pessoa amada. Do alto dos meus 22 anos, a vida ensinou pra mim que as coisas mais importantes que temos pra viver são as que nos enchem de medo. São essas coisas maravilhosas, oportunidades incríveis, que parecem tão grandes que assustam quando você as olha de frente. Você titubeia, pensa em tudo o que precisa abrir mão, hesita pensando em como as coisas seriam se não dessem certo - e às vezes acha que é melhor deixar pra lá, se acovarda, volta pra casa e continua vivendo a vida do jeito que tá - tá até bom, deixa quieto. Continua vivendo. Pra citar Clarice, toda uma vida que poderia ter sido e não foi.
A vida é curta demais pra deixar de pintar o cabelo por medo do resultado. Pra não se declarar por medo da reação do outro. O medo tira o melhor da gente. O medo da opinião das outras pessoas. O medo de falhar - que é tão antinatural, porque a gente vai falhar o tempo todo até acertar. O medo de não ser amada o bastante, que não é nada mais do que um grande buraco no nosso amor-próprio falando. Todos esses medos, esses ladrões de tempo, deixando a nossa vida que já é curta o bastante ainda menor.
A vida é curta demais pra não ir. Ir pra qualquer lugar novo que você queira. Curta demais pra não pedir demissão de um emprego horrível. Pra não tentar estudar o outro curso que você acha que é a sua vocação. Pra não expôr seus sentimentos. Pra ficar tolerando amizades abusivas. Pra não usar uma roupa, um sapato, um penteado que você ame. Pra negar aquilo que se gosta só pra tentar parecer melhor do que se é.

A vida é muito curta pra fingimentos. A vida é curta demais pra não se amar e pra não se ser exatamente do jeito que queremos ser.

Desafio todo mundo que chegou ao final desse texto maravilhoso (ahem) pra pegar as rédeas da vida e superar um desses medos insuportáveis - nem que seja só por uma vez.

dear 12-year-old me,

8 comentários
Esse post é resultado do tema de março de blogagem coletiva proposto no Rotaroots. A ideia veio da Paloma, inspirada na tag do Hypeness, e consiste em nada mais, nada menos do que escrever uma carta pro você de dez anos atrás. Achei a ideia sensacional e passei uns bons minutos pensando e tentando ordenar o que eu diria pra Manu jovenzinha... impossível não pensar sobre todos esses anos e até se emocionar com a ideia de aconselhar a gente mesmo.


Oi, Manu!

Quem te escreve essa carta sou eu. Quero dizer, você. Nós duas. Eu, que sou você daqui dez anos.
Meio esquisito, eu sei.
Lembro bastante de você. Sei que você está aí na sétima série, que agora é fanática pela saga O Senhor dos Anéis, que finalmente tem um quarto grande pra colocar todos os seus livros e bichos de pelúcia e o computador. Sei que você ainda se sente deslocada em relação a todo mundo e tem o maior orgulho das suas fanfics - e acredita piamente que vai escrever um livro. Sei que você queria casar com Draco Malfoy e fugir pra Londres, mas isso não impede você de estar apaixonada por outro menino, e escrever o nome dele no caderno cheio de corações. Sei que você se acha feia na maior parte do tempo, acha que não vive sem suas amigas e tenta agradá-las de qualquer jeito. E sei que você acha que sente demais e muito intensamente e não consegue dar conta disso.
Pra começar: a mãe está enganada sobre o futsal. Vai ser sim uma parte importante da sua vida. É por causa dele que você vai sair, entrar em contato com muita gente legal e fazer as suas melhores amigas. Sei que às vezes vai ser cansativo e você vai se irritar porque nunca teve aptidão pra esportes, mas não deixe isso estragar os momentos legais, que serão muitos. E caso você esteja se perguntando, - plot twist - as amigas que você tem hoje não vão ser pra vida toda. OHHHHHHHHH, parece difícil acreditar nisso, mas vai por mim. Você sabe que às vezes se sente mal ao lado delas, que elas fazem piadinhas com você que não são engraçadas e às vezes os seus segredos que só elas sabem acabam vazando por aí. Coincidência? Acho que não, hein. E você sabe disso. Eu sei que na adolescência o que a gente mais quer é um grupo de amigos pra chamar de nosso e ser aceita. Mas tem muita menina legal por aí e que não vai fazer você se sentir assim. Sai dessa, menina.
Sei que você andou se decepcionando ~amorosamente~, e queria dizer que essa paixãozinha platônica de agora tampouco vai dar certo. Mas ó: juro que é pro seu bem, viu? (você vai sentir tanta vergonha desses meninos por quem se apaixonou um dia...) Não adianta perder tempo com o menino mais popular do colégio. E não é porque ele é bom e legal demais pra ficar com você; e sim porque ele não é uma pessoa tão legal quanto parece. Sei que a impressão que você tem é que você vai ficar sozinha pra sempre, e que ninguém nunca vai te querer, mas quando você sair dessa cidade vai encontrar um monte de cara legal. E um deles vai ser seu melhor amigo, e depois seu namorado. E ele gosta de Harry Potter, também adora estudar e é inteligente. Don't you worry, child. Você sabe, o mundo não é esse ovo de cidade em que você mora.
Eu queria poder te dar vários conselhos. Dizer pra você nunca parar de estudar e pegar livros na biblioteca municipal também, pra você se orgulhar de ser nerd, pra sair de chapinha no cabelo e não se importar com que os outros vão dizer. Queria dizer pra você não ter medo de dizer o que pensa e nunca ficar quieta por medo de ficar sem amigos, porque, como eu já disse, as pessoas que serão suas verdadeiras amigas não são as que fazem você se sentir mal. Queria te dizer pra chorar menos e pensar mais sobre o que te irrita tanto - mas sei que isso não vai funcionar (também não é sempre que funciona hoje em dia, então ok). Mas o maior e melhor de todos os conselhos é: Se ame, muito. Você não precisa da aprovação e do amor das suas amigas, ou do amor dos menininhos do colégio, ou dos leitores das suas fanfics, ou do universo observável. Você é incrível. Você tem um mundo inteiro de possibilidades nas mãos. Se você quer que seu cabelo seja liso, faça chapinha nele. E se você quer mechas azuis, que deram errado, pinte de novo. E se você quer aprender élfico, aprenda. E se você quer usar all-star de cano longo com saia de prega, use. E se as pessoas não gostarem, encontre outras pessoas com quem conversar. Você vai dar o fora daí e vai conhecer outras pessoas e nada disso vai importar em dez anos.
No mais, você continua gostando de livros infanto-juvenis, e continua sendo viciada em internet. Você ainda não é a menina mais bonita do quarteirão, mas você tem um sorriso mais bonito e seu cabelo finalmente aprendeu a se comportar. Você ainda não está rica e famosa, mas tem um diploma de graduação. Você ainda não fugiu pra Londres com Draco Malfoy, mas já foi pra Roma. Você ainda não escreveu um livro, mas tem um blog. Basicamente, não deixe de sonhar. E alto. E não deixe de acreditar neles. Conselho pra vida.

(Pra finalizar, sei que você odeia despedidas com "beijos" no final, mas vou mandar beijo mesmo assim. Você ainda vai perceber que é melhor pecar por ser carinhosa demais do que por não ser nada de legal!)