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#10: Aquele em que eu falo sobre moda

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Embora eu nunca tenha falado aqui sobre  moda, ela sempre foi presente na minha vida - minha mãe é costureira, e eu cresci me enrolando em retalhos de pano e fazendo testes da Manequim. Isso, no entanto, nunca fez de mim uma pessoa fashion, já que cresci enfiada em camisetas gigantes da Minnie e conjuntos de moletom, e a adolescência foi um desastre, onde eu passei uns dois anos sofrendo a cada vez que precisava vestir uma calça jeans e saindo na rua com a camiseta do uniforme e o shorts do futsal. Nunca dei bola pra tendência nenhuma, mesmo quando minha mãe esfregava as revistas na minha cara e se propunha a costurar pra mim algo da moda - isso porque eu era uma pessoa cheia de personalidade ou porque odiava me sentir desconfortável? Deixo pra vocês decidirem. Acho que as tendências servem pra revirar o grande baú universal da moda e jogar luz naquelas peças que você nem lembrava que existiam, e não pra você consumir (por que a gente precisa consumir tanto, aliás? Aguardem mais um post sobre isso heh). Não faz sentido nenhum seguir a moda - cada um tem um tipo de corpo, um gosto e um estilo de vida diferente pra vestir a mesma bendita calça flare; mas mesmo assim, quando determinada tendência explode, fica até difícil encontrar alguma coisa diferente pra escolher.
Eu não gosto dessa moda impecável das it girls, blogueiras e afins, porque ela sempre me pareceu irreal. Aqueles looks maravilhosamente produzidos, sempre com uma it bolsa, sandália, casaco ou adereço de cabeça, que a gente prontamente se sente obrigada a copiar pra ver se consegue pelo menos um pouquinho do charme. Problema: o tal it acessório custa alguns milhares de doletas. Problema dois: mesmo as versões réplica, feitas pra caber na nossa carteira, podem destruir um orçamento. Aqui por essas bandas, ninguém tem dinheiro pra comprar roupa nova todo mês (vocês têm? Desculpa). Quer dizer, considerando que você não mudou de tamanho nos últimos três anos, é claro que você tem roupas suficientes e você pode comprar uma por semestre, a menos que você lave as suas roupas com meio litro de alvejante toda vez, até elas ficarem podres e se desfazerem. Ou que você tenha o péssimo hábito de gastar dinheiro com aquelas brusinha feitas de malha horrorosa. Você faz uma dessas duas coisas? Pare.
Não é que eu odeie blogs de moda. Eles servem como inspiração, né? Lógico. Mas eu queria encontrar alguma coisa mais real. Alguém já viu as it blogueiras repetindo roupa? É muito inviável ter uma quantidade de roupas que te permita fazer um rodízio trimestral, e nem é saudável que seja desse jeito - eu gostava mesmo era daquela seção da Manequim em que eles faziam sete looks do dia com doze peças. Também, por mais que eu goste de ver, não me sinto inspirada por meninas gringas que moram em climas frios e podem usar meia-calça e suéter com tudo - como é que eu consigo reproduzir isso nos 35ºC do verão, no centro da cidade? Por último, mas não menos importante: quando é que alguma blogueira vai aparecer com ideias de looks pra trabalhar todos os dias parecendo profissional, mas não sem graça; e pegar ônibus parecendo casual, mas não mendiga? É isso que falta na vida do proletariado brasileiro.
BASICA MAS SEM PERDER O BRILHO
Por outro lado, eu fico fascinada com como cada pessoa comunica algo com a roupa que escolhe. Pode ser desde "estou indo trabalhar e não poderia cagar mais pro meu emprego", "sou uma princesa gótica suave e não sou igual a vocês dessa roça", até "VAI CURINTIA!!!". Nossas roupas são sim muito mais do que proteção contra a nudez e o frio, e acho que a gente tem que prestar atenção no que vai no guarda-roupa. Quem é que não tem uma peça de roupa especial que fica feliz só de vestir aquilo? Por que é que o nosso guarda-roupa inteiro não pode ser assim?
Tenho um casaco que ganhei em 2009 e venho usando ele religiosamente a cada inverno desde então (o faço enquanto escrevo essas linhas, no celular, dento do ônibus parado). Ele é xadrez cor-de-rosa e me sinto maravilhosa toda vez que visto o bichinho. Continuarei usando ele até se tornar imprestável, ou até que ele deixe de fazer com que eu me sinta fabulosa. Quando ele chegou até as minhas mãos, eu estava justamente precisando de roupas, já que ia começar a faculdade e não teria mais como usar uniforme todo dia; e foi a primeira vez que me apaixonei por uma peça de roupa, que senti que, se eu fosse um objeto, podia ser feita de lãzinha xadrez rosa num modelo acinturado.
Nessa época, eu não tinha noção nenhuma de que podia desenvolver um ~estilo~ próprio, e depois de alguns anos, três ciclos de calças jeans e algumas brusinhas de malha ruim (oh, regrets), pra ser sincera, continuo ser ter nenhum. Fiz uma conta no Lookbook dia desses e, na hora de marcar meus estilos favoritos, virou uma grande mistura de casual-clássico-retrô-romântico-grunge-clean-gótica suave. As peças de roupa que eu coletei ao longo desse tempo e que fazem meu coração bater mais forte também não fazem sentido entre si, mas nada me deixa mais feliz do que misturar tudo e sair. O que eu quero comunicar com isso? Que eu gosto daquelas roupas e gosto de me sentir fabulosa nelas. O que eu queria comunicar com esse post? Que queria ver mais gente fazendo o mesmo. Estilo não é um jeito de viver, uma iluminação que vem de dentro, uma peça especial de roupa - estilo é se sentir incrível com as roupas que você colocou. Coloquem isso nos próximos guias de estilo. Obrigada. De nada.
SCARLETT O'HARA IS MY FASHION GURU
 PS: Eu adoro a palavra brusinha. Desculpa. É tão irresistível quanto falar DIBRE.