Beyond Music Awards 2016

Um comentário
Acho que sou uma pessoa eclética desde que consigo me lembrar - isso é, desde a época em que eu rebobinava fita cassete com caneta BIC. Isso significa que meu gosto musical não tem nenhuma coesão entre si, mas também significa que eu tenho chances bem altas de saber cantar as músicas da balada. Não sei a menor diferença entre as notas musicais, mas amo música desde sempre - a minha rádio mental funciona sem parar, eu associo gente e lembranças com música e em vários momentos já passei vergonha cantando alto na frente dos outros, mesmo tendo uma voz positivamente horrível. Assim, por ocasião do Blogmas, estou me metendo a falar do meu gosto musical sem sentido e, já que a época é propícia, fazer uma retrospectiva do que rolou nos meus foninhos:

Banda de 2016: Genesis



Genesis é uma banda de rock progressivo que surgiu lá nos anos 70 e lançou um montão de músicas até hoje, passando pelo rock progressivo experimental maluco até chegar aos anos 90 com o Phil Collins e suas baladinhas. Se a expressão furar o CD ainda fizesse sentido hoje, tenho certeza que o Invisible Touch já estaria devidamente esburacado, porque até as músicas ruins desse cd são boas - e as boas são MARAVILHOSAS. Eu sempre adorei o Phil Collins e esse ritmo mais pop dele, mas pra quem prefere rock progressivo ~de verdade~, os álbuns dos anos 70 são excelentes nesse sentido - meus favoritos são o Nursery Cryme e o Selling England by the Pound. Se você curte uma vibe retro, as chances de você gostar de qualquer coisa deles é muito grande.

Blue tune: Hallellujah (a versão do Rufus Wainwright)
É desnecessário falar que esse ano veio cheio de bads, mas foi num comercial da Globo que apareceu a trilha sonora pra muitas lágrimas que eu derramei de agosto pra frente. Não assisti Justiça, mas sofri do mesmo jeito, risos. Eu não gosto muito de covers, mas nesse caso, a versão do Rufus pra essa música (que foi feita pra tocar em Shrek, hahahaha) se transformou numa coisa totalmente diferente da versão original do Leonard Cohen, uma música com vida própria. Tá certo que todo mundo já deve ter ouvido ela esse ano na TV, mas caso você viva debaixo da pedra, fica a dica pra ir ouvir.

Melhor vocal feminino: Findlay
É quase 2017 e nem vou tentar negar o ciúme que sinto por certas bandas/cantores, e a Findlay está no topo desse ranking. O artigo dessa fia na Wikipédia tem meia dúzia de linhas, ela até hoje só lançou singles e EPs e metade das músicas não está no Spotify (mal consigo achar as letras na internet), mas ela é de longe uma das minhas cantoras favoritas. Todas as músicas são cheias de gritinhos, muita guitarra e os benditos SENTIMENTOS. Não sei se é bom, só sei que eu amo demais.

Serendipity: Tiger Trap 
Tiger Trap é uma banda só de meninas criada em 1992, que teve uma vida muito curta mas serviu como incubadora pra várias outras bandas do gênero twee. Não tinha a menor ideia de que isso existia até esse ano, e foi uma surpresa maravilhosa, porque eu AMO DEMAIS uma bandinha de menininha fofa. Tiger Trap é a cara de nós, special snowflakes que frequentemente se sentem fora do nosso habitat natural e gostariam que a vida fosse uma série de TV - é essa a trilha sonora que a gente esperou por tanto tempo. É uma das melhores bandas de menininha que você vai ouvir na vida e digo isso sem medo de soar pejorativa, porque até menino Digníssimo disse que curtiu as músicas (e ele só gosta de metal). OUÇAM TIGER TRAP!11!!!

Pet peeve superado: Lana del Rey
Eu tenho um histórico de torcer o nariz pra artistas pop mainstream sem nem perceber, e quando vejo, tá todo mundo idolatrando a pessoa x ou y enquanto eu teimo em não querer ouvir nada dela. Depois que me converti ao swiftianismo, tenho tentado superar isso, uma artista de cada vez e, depois da Katy Perry, esse ano foi o ano em que abri espaço pra Laninha na minha biblioteca do iTunes. E não é que é bom, gente? As músicas todas tem aquela notinha depressiva que realmente te fazem querer dizer "queria estar mortaaaaaaaaaaaa", mas me surpreendi encontrando melodias e letras gostosas de ouvir - e a estética dos clipes é sempre maravilhosa!!!

Melhor solo de guitarra: Qualquer um de The Musical Box (do Genesis)
The Musical Box é uma música muito doida mesmo, mas com bastante destaque pro som dos instrumentos e um ritmo maravilhoso. A letra conta uma história que só faz sentido pra quem está sob efeito de ácido, mas mesmo assim eu acho fantástico como o ritmo consegue contar essa história tão bem quando na maior parte do tempo não há versos.

A mais pedida: Born to Run
O last.fm diz que foram 128 execuções esse ano, mas eu diria que foram no mínimo 200 - e 50 delas pelo menos no carro do Digníssimo, que coitado, foi obrigado a me ouvir cantando aos berros em cada ocasião. Meu Deus, 2016 foi ano de adorar Bruce Springsteen - e não só musicalmente (como os posts futuros vão mostrar. HEHEH).

Troféu QQ CE TÁ FAZENDO AQUI: Tombei /Localização
A gente é eclética, ouve todos os estilos porém HÁ REGRAS. Nunca gostei muito de funk e eu estava numa verdadeira cruzada contra o sertanejo universitário há uns anos, mas aí 2016 aconteceu nas nossas vidas e virou tudo de cabeça pra baixo. As meninas do sertanejo chegaram pra desbancar as duplinhas masculinas e emplacar 392474 hits sobre sofrência, e honestamente, sendo essa pessoa que adora os gritinhos de Chitãozinho e Xororó e as músicas sobre amor não correspondido, como eu poderia resistir? Maiara e Maraísa são meus novos xodós do sertanejo, mas Localização é a música mais anti-eu do momento que eu poderia amar - e to amando demais. Ainda não fui em nenhuma balada sertaneja, mas mesmo assim já me vejo cantando com os braços pra cima e incorporando a própria mulher traída da letra. Os feelings, gente, eu não posso negá-los.
2016 também me trouxe a epifania de que as divas pop do Brasil estão no nível de poder das divas internacionais, e vendo uns vídeos que me ajudassem a ter certeza disso, lá estava o clipe de Tombei, outra música nada a ver comigo mas que me deixou com uma vontade surreal de colocar óculos de sol espalhafatosos e rebolar minha bunda na buatchy tal qual Anitta. #causandootombamento

Sertanejinho do ano: Disparada
Os leitores desse blog já estão mais do que cientes do meu gosto pelo sertanejo, especialmente as duplinhas dos anos 90. Se em 2015 eu ouvi moda de viola até enjoar, nesse ano não explorei nada de novo além das músicas que já tinha no HD, até que numa noite qualquer alguma coisa fez click no meu cérebro e lembrou dessa apresentação do Amigos de 95. Vocês lembram do Amigos?? Simplesmente o melhor especial de Natal que já passou na Rede Globo. Sério, rolou uma lagriminha só por rever Leandro e Leonardo juntos - e essa música tem uma das letras mais bonitas do cancioneiro nacional - porque gado a gente marca, tange, ferra, engorda e mata; mas com gente é diferente.
VOLTA AMIGOS 2016 PFVR GLOBO NUNCA TE PEDI NADA

Espero que pelo menos uma dessas músicas e bandas consiga fazer as cordas dos coraçõezinhos de vocês vibrarem num ritmo diferente! Adoro quando aparece aquela música no meio do dia, quando você tá fazendo um trabalho ou procurando algo sem o menor interesse, e de repente algo que faz parte da trilha sonora da sua vida e você nem sabia surge pra deixar tudo melhor. Cês façam o favor de compartilhar comigo também os top hits das vidas de vocês em 2016? Vamos trocar uns mixtapes!!

Um comentário

  1. Adorei o post, Manu! E anotei algumas coisas para escutar no ano que vem :)
    Genesis é uma banda que há anos desperta a minha curiosidade. Lembro de ter assistido um documentário que falava da década de 70, do Pink Floyd e de várias bandas e artistas da época e Genesis estava lá.
    Agora só tô na dúvida sobre com que ~fase~ começar. Acho que tô numas vibes mais Phil Collins, mas vou tentar escutar todos os álbuns que você citou :)

    Apesar de não conhecer tudo que você citou, me identifiquei muito com o post e morri de rir com o nome das categorias; muito boas, por sinal.

    Gostei da Lana Del Rey de cara, mas entendo muito essa coisa de torcer o nariz para artistas que todo mundo fica comentando. Fazia isso com a Taylor Swift, mas 2016, como você apontou muito bem no grupo Cilada, veio para abalar as estruturas e agora sou uma devota muito fiel do swiftianismo <3
    Sobre a Lana: sim!, a estética dos clipes é sempre maravilhosa! E as músicas tem muito essa vibe de queria estar mortaaaaaaaaaaaaa

    Enfim, adorei o post <3

    Beijos

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