De volta da concha

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Então.
Há umas semanas eu estava aqui falando sobre como escrever é maravilhoso e eu não queria parar de fazer isso nunca mais, mas como todo mundo sabe, acontecem coisas. No meu caso, a vida aconteceu - num dia eu estava toda animada, e no outro senti que um buraquinho tinha se aberto no meu peito, e as palavras começaram a escorrer por ali, até que não sobrou nenhuma. Nada de novo no front.
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Assim como 87,9% da internet, sou uma pessoa introvertida, dessas que se identifica massivamente com todos os itens daqueles textos de "como lidar com o seu amigo introvertido". Sempre fui, mas só descobri a existência de um termo pra isso em 2009 - um momento mágico em que eu descobri que não era um alienígena por me cansar de muita gente e que finalmente tinha uma palavra pra definir aquele sentimento que volta e meia se apoderava de mim desde o fim da infância. Eu lembro que, lá pelos dez anos, passei um fim de semana inteiro com a cara enfiada no sofá, deitada, fantasiando com as histórias que eu inventava na época. Minha mãe ficou morta de preocupação e jurou que eu estava doente, mas a verdade é que eu tinha coisas demais na minha cabeça pra pensar e o mundo exterior parecia incrivelmente cansativo naqueles dias. Aquele negócio de que as pessoas mais quietas tem as mentes mais barulhentas é muito real.
Desde então, de vez em quando meu cérebro decide tirar umas férias da vida real - e aconteceu de novo.
Eu costumo pensar na minha capacidade de socializar como um balde que recebe tudo o que as pessoas falam pra mim durante o dia. Às vezes ele enche rápido demais e eu fico incapaz de interagir com outra pessoa sem que aquilo pareça uma romaria. Às vezes ele racha - e existir se torna um martírio. Me sinto um brinquedo com as pilhas fracas, obrigada a continuar funcionando normalmente (a vida adulta, ela é uma bosta) enquanto a minha capacidade máxima de socialização está limitada a cinco sentenças com desconhecidos por dia. Isso inclui a internet. É como passar uma semana com o celular com 5% de bateria - a vida vai virando uma bola de neve. Eu fico por fora das conversas. Os posts no feedly se acumulam. Eu enrolo pra dar telefonemas importantes na próxima semana. Fico em modo de economia de bateria, indo trabalhar e fingindo que tudo vai bem, enquanto anseio desesperadamente pela hora de ir pra casa e entrar debaixo da coberta e pensar na vida ou jogar The Sims por horas - as únicas opções possíveis pra lidar com esse fardo doido que é existir no modo full introvert.
E quando eu menos espero, tudo passa e volto a ter vontade de ver gente de novo, como se uma pausa de três semanas do Universo não fosse nada demais. ¯\_(ツ)_/¯  ¯\_(ツ)_/¯
IMG_2691-1 Esse post é uma tentativa meia-boca de dizer que não sou uma blogueira esnobe que passou setembro todo ignorando o amor recebido e espalhado pela blogosfera - eu só estava dentro da concha. Entrar na concha significa passar uma temporada quentinha e segura com meus próprios pensamentos, mas outra lição que tirei do BEDA é que o amor e a diversão nunca se multiplicam enquanto eu estiver dividindo minhas coisas só comigo mesma. Bear with me, folks. Faltam exatos cem dias pra acabar o ano e espero fazer eles valerem (pelo menos por aqui.

Beijos e até a próxima xx

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  1. Amiga, eu fiquei pensando o que eu poderia escrever nesse mimo. Porque eu te entendo demais e me identifico horrores com tudo que você falou (pois lógico), mas ao mesmo tempo eu não sei o que dizer que não seja um repeteco meio ridículo do que você já disse no texto, sabe assim? Porque é isso. Nossas mentes são barulhentas e socializar consome nos consome demais, então acho que, no final das contas, o mais importante é respeitar que somos assim, respeitar o tempo que precisamos pra nos recuperar e depois seguir em frente numa boa. O mundo não para nunca, mas ninguém disse que a gente não pode parar um pouquinho pra tomar fôlego também. <3

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    1. Como sempre, ME ABRAÇA. Olha, ce nem precisa dizer nada diferente, só de saber que alguém mais divide esse sentimento comigo já é um alívio, hahahaha. Vamos vivendo assim, por enquanto tem dado certo <33

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  2. Já peço desculpas antecipadas pelo comentário egoísta, mas é muito bom saber que tem mais alguém no mundo que sente a mesma coisa que a gente (só pra ter certeza que não somos aqueles bebês verdes que nascem depois que o Sim é abduzido em Estranhópolis). Você usa a metáfora do balde, eu uso a metáfora da barrinha de necessidade social do The Sims. É como se ela estivesse muito verde o tempo todo e eu não quisesse falar com ninguém, nem ver, nem interagir. Só quero ficar sentada no cantinho, vendo séries ou pensando na vida. Eis que, de repente, a barrinha fica vermelha (do nada) e eu fico muito carente, mas basta um pouquinho de interação pra ela voltar pro super verde outra vez. Fora a preguiça de responder e-mails e mensagens (e o feedly lotado de posts marcados como "saved for later".
    Ah, muito obrigada pelo post de registro de memórias. Eu sempre compro caderninhos pra tentar fazer um registro, mas eles sempre acabam sem folhas ou jogados em algum lugar.
    Bjs

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    1. Não precisa pedir desculpa pois SINTO O MESMO, OBRIGADA hahahahahahah :PP Esse seu jeito de explicar esse sentimento é excelente (eu também sinto que tenho uma barrinha de socialização, que costuma explodir com frequência), e acho hilário que no The Sims 3 tem um trait de timidez em que o bichinho fica feliz quando fica sozinho. Tenho certeza que se Deus joga alguma coisa parecida ele ta lá indignado com nossas barras de socialização que ~não funcionam direito~ (aliás, THE SIMS MELHOR JOGO, me diz qual deles você joga/jogou hahahahah)
      :***

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  3. Eu entendo o você sente, porém com uma intensidade diferente. não é como se eu me cansasse das pessoas, ou de interagir totalmente. Às vezes acho que cansei de mim mesma, da minha vida como está, sei que não tem muito haver com seus feelings, mas bem... Já que estou aqui, vou falar um pouco da minha experiência também... Sabe o pior? Justamente isto, o problema não está ao meu redor, está em mim, e quase nunca sei como resolver a não ser fingir que está tudo bem, quando nada está bem...
    Beijos, e.. eu entendo seu ponto de vista, não acho que você tenha sido negligente. Somente a gente sabe pelo que passa!

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    1. amo/sou cansaço de si mesmo - hahaha, eu entendo esse sentimento também, e acho que esse é um pouco pior, justamente porque a gente não tem pra onde correr. Não tem como trocar de pele, apertar um botão e entrar noutra vida, e eu sinto a mesma vontade de entrar na concha e esperar esse sentimento passar. Ainda bem que pelo menos a internet ajuda a gente a se sentir menos sozinho nessa, né?
      :**

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  4. Oi Manu, eu acompanho o seu blog aqui escondidinha, mas hoje precisei comentar porque a vida acontece e a vida, ela é uma bitch e eu te entendo muito, dá vontade de entrar na concha e não sair nunca mais, mas a verdade é que a gente quer sair, queremos voltar ao nosso "normal" e entendemos que entrar na concha as vezes é bom sim, precisamos dela! Entendo a concha como um momento de introspecção que serve pra nos entendermos melhor e voltarmos mais leves. Obrigada por escrever isso, assim como eu outras pessoas também se identificam, mas não conseguem expressar e você conseguiu explicar muito bem o que é sentir-se assim.

    http://amorticinio.blogspot.com.br/

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    1. <3 ai que amor o seu comentário, eu que fico feliz de você ter saído um pouquinho da concha do leitor-fantasma (inclusive amo/sou HAHAHHAA) pra me deixar saber disso!!! É tão bom saber que mesmo nessa introversão toda a gente não tá sozinha e os outros conseguem se conectar com isso. :***

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  5. achei esse post tão lindo, Manu ❤ pelo texto e pelas fotos! acho que não precisa se desculpar ou justificar por entrar no casulo até a cabeça ~esvaziar. aliás, eu acho que fazer isso é uma coisa maravilhosa (queria conseguir mais vezes). entendo bem isso que disse como um balde que vai recebendo coisas até uma hora não aguentar mais (eu tb sou um pouco assim)... e enfim, até a próxima <3 beijos!

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    1. Acho que todos nós precisamos pausar a vida uma hora ou outra e colocar a cabeça pra fora d'água pra respirar e voltar dando conta, né? Eu particularmente queria fazer isso num tempo menor, mas fazer o quê *whatever emoji*
      O importante é que é temporário e as pessoas compreendem :)) beijosss! :*

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