A gente tem essa coisa de se sentir imortal. O que eu até entendo, porque ninguém quer olhar na cara da morte o tempo todo. Olhar pra verdade feia, essa que diz que a nossa vida é tão frágil quanto um dente de leão e podemos estar nos nossos últimos 60 segundos de vida sem saber. A gente nunca sabe. E é por isso que a gente pode esperar, fazer planos, sonhar, dormir pensando em acordar na manhã seguinte. Viver.
Mas também é por isso que a gente tende a menosprezar a vida e deixar ela passar.
A vida é curta demais e a gente tenta ignorar isso enquanto tentamos adiar os nossos maiores planos, aqueles que mais nos dão medo, por não nos sentirmos preparados agora. A gente fixa o olhar num ponto cego e faz promessas vazias de que no ano que vem vamos mudar de cidade, de emprego, finalmente tomar coragem pra se declarar pra pessoa amada. Do alto dos meus 22 anos, a vida ensinou pra mim que as coisas mais importantes que temos pra viver são as que nos enchem de medo. São essas coisas maravilhosas, oportunidades incríveis, que parecem tão grandes que assustam quando você as olha de frente. Você titubeia, pensa em tudo o que precisa abrir mão, hesita pensando em como as coisas seriam se não dessem certo - e às vezes acha que é melhor deixar pra lá, se acovarda, volta pra casa e continua vivendo a vida do jeito que tá - tá até bom, deixa quieto. Continua vivendo. Pra citar Clarice, toda uma vida que poderia ter sido e não foi.
A vida é curta demais pra deixar de pintar o cabelo por medo do resultado. Pra não se declarar por medo da reação do outro. O medo tira o melhor da gente. O medo da opinião das outras pessoas. O medo de falhar - que é tão antinatural, porque a gente vai falhar o tempo todo até acertar. O medo de não ser amada o bastante, que não é nada mais do que um grande buraco no nosso amor-próprio falando. Todos esses medos, esses ladrões de tempo, deixando a nossa vida que já é curta o bastante ainda menor.
A vida é curta demais pra não ir. Ir pra qualquer lugar novo que você queira. Curta demais pra não pedir demissão de um emprego horrível. Pra não tentar estudar o outro curso que você acha que é a sua vocação. Pra não expôr seus sentimentos. Pra ficar tolerando amizades abusivas. Pra não usar uma roupa, um sapato, um penteado que você ame. Pra negar aquilo que se gosta só pra tentar parecer melhor do que se é.
A vida é muito curta pra fingimentos. A vida é curta demais pra não se amar e pra não se ser exatamente do jeito que queremos ser.
Desafio todo mundo que chegou ao final desse texto maravilhoso (ahem) pra pegar as rédeas da vida e superar um desses medos insuportáveis - nem que seja só por uma vez.
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