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#15: Saber não ocupa lugar

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Ou: aquele sobre as casas de Hogwarts que eu deveria ter escrito uns seis meses atrás
Ou ainda: IH FOI MAL A MINHA É A CORVINAL

ERA PRA SER UMA ÁGUIA, CACETE
É missão praticamente impossível falar de Harry Potter sem trazer à tona um baú cheio de sentimentos datados da época em que a gente naufragou sem perceber naquelas páginas e quis, mais do que nunca, acordar com uma coruja trazendo no bico nossa carta de Hogwarts. Comigo isso aconteceu quando eu tinha uns oito anos, e mesmo sendo jovem demais pra embarcar no trem naquele primeiro ano de Ron, Harry e Hermione, foi impossível não fantasiar minha própria vida como bruxa - comprando meus materiais no Beco Diagonal, escolhendo uma coruja de estimação e sentando ao lado do trio na mesa do café da manhã.
Usando as cores da Grifinória. Óbvio.
Que atire em mim a primeira pedra quem nunca se imaginou como o novo amigo do Harry; cruzando os corredores de Hogwarts  ou arrasando no campo de Quadribol de uniforme vermelho e dourado, se sentindo o máximo por não ter caído naquela casa que só tem panacas, aquela outra onde estão todos os vilões (com uma COBRA como emblema, francamente), ou aquela outra completamente irrelevante. No princípio, era a Grifinória, porque nenhuma outra opção parecia boa o bastante pra um protagonista - e também porque sabíamos pouco demais sobre as outras três.
Então eu cresci. E aí vieram as fanfics. E claro, Draco Malfoy.
E a Sonserina.
A ideia de que em algum lugar do espaço tempo eu poderia ser aceita na Sonserina é tão maluca que me faz RIR - embora claramente minha versão ficrwiter não estava nem aí pra isso. Não tenho sangue nobre e muito menos ambições de poder, além ter de uma tendência a colocar o bem-estar dos outros na frente do meu, o que faz de mim uma legítima panaca. Passei um bom tempo imaginando que por conta disso, seria bem recebida da Lufa-lufa - a casa mais subestimada de Hogwarts, a mais inclusiva e que teve o menor número de bruxos das trevas da história. Mas aí veio o Pottermore, e J. K. Rowling me botou na Corvinal.
Sabemos muito pouco sobre a Corvinal, e J. K. Rowling não nos faz nenhum favor na hora de apresentar os alunos: Cho Chang é odiada por metade do fandom, Lockhart é um palhaço mentiroso, Trelawney é charlatã e doida ao mesmo tempo... e tem a Murta-que-geme, a maior piada pronta dos livros. Prof. Flitwick, mesmo sendo um professor talentoso (que também foi hatstall), é metade duende. E claro, temos Luna Lovegood.
Ela é boazinha, ela é do bem, ela salva o dia, mas ela é estranha. As pessoas riem dela, colocam apelidos lunáticos e somem com as coisas dela, porque isso parece ser um passatempo de primeira. Luna é uma doida varrida, e seu comportamento gentil não é suficiente pra que as pessoas deixem de julgá-la ou tentem se aproximar dela de verdade, incluindo Harry e seus amigos.

A Corvinal embora seja completamente esquecida nos livros tem essa suposta fama de abrigar um bando de CDFs neuróticos que não ligam pra nada e nem ninguém e fariam qualquer coisa mesmo pra ter boas notas. Mas a verdade é que talvez o Chapéu Seletor do Pottermore tenha lá seus poderes; e embora a Lufa-lufa pudesse me receber com amor, minha verdadeira casa em Hogwarts só poderia ser um lugar onde livros são mais importantes que pessoas. Às vezes. Mas ainda assim.

Se a Luna andava por aí sozinha usando brincos de rabanetes e caçando Bufadores de Chifre-Enrugado, eu também passei bons recreios na biblioteca, abraçada aos meus livros de ficção sobre um menino que frequentava uma escola mágica sobre os quais ninguém queria saber. Livros são mais importantes do que pessoas porque às vezes, pra alguns de nós, o único conforto possível de ser encontrado pra nossas emoções ou ideias não está nas pessoas de verdade que nos rodeiam, mas sim em ideias de outros igualmente doidos e esquisitos que deixaram isso registrado no papel. A sala comunal, de teto alto e decorado com motivos celestes e janelas em arco parece o lugar perfeito pra passar o dia todo lendo, sendo transportado para um outro lugar- qualquer lugar, em qualquer época, desde que seja diferente do aqui e do agora que às vezes são tão limitados e torturantes. Os alunos não estão mortalmente interessados em validação, poder ou status - a Corvinal é a casa dos introvertidos, das pessoas quietas com mentes barulhentas demais, que mergulham muito fundo dentro de si mesmas e às vezes basta saber que existe alguém ali, igualmente interessado em discorrer sobre teorias suspeitas ou ideias não-conformistas pra afastar de vez o desconforto da solidão. Aliás: estar sozinho não é um horror pros Corvinais, já que no fundo, no fundo, nossa jornada não vai ser percorrida por ninguém além de nós mesmos; e dizer sim pra nós e nossas ideias invariavelmente se afasta de seguir as ideias e a companhia de algumas pessoas ao longo da vida.
A Lufa-lufa pode aceitar as diferenças, mas é a águia da Corvinal e não esse raio desse corvo que, lá de cima, consegue enxergar mais longe e mais além e abraçar as pessoas realmente estranhas - sem pedir desculpas por isso, sem minimizar os tiques e as manias irritantes, sem esperar que elas abram mão das suas ideias pra parecerem adequados em Hogwarts. Rowena Ravenclaw entendia que a verdadeira inteligência e esperteza não estavam somente nos livros - ou ela teria deixado questões de provas pra serem resolvidas pelos alunos ao invés de enigmas. Pra responder um enigma, é preciso além de conhecimento, pensar fora da caixa e arriscar hipóteses, mesmo que elas estejam erradas. É necessário tentar o novo, algo que muitas vezes envolve falhar também - algo que os alunos detestam, mas assim mesmo entendem que devem arriscar. A Corvinal celebra a originalidade e a criatividade dos estudantes de encontrar suas próprias soluções, já que duas cabeças pensam sempre melhor do que uma e, cada uma à sua maneira, tem ainda mais chances de encontrar uma saída para uma dificuldade. A criatividade também pode ser conhecida por germinar ideias horríveis; mas não se pode fazer um omelete sem quebrar os ovos e o preço que se paga pela liberdade de gerar ideias fabulosas são as ideias ruins. A Corvinal tem várias histórias de bruxos que inventaram alguma sandice - assim como nós temos nossos dias ruins e o próprio BEDA serve para provar isso. Os dias de posts ruins existem, mas não tem como escrevermos os posts bons se deixarmos de escrever at all.
Os Corvinais também são corajosos, não por lutarem contra dragões a sangue frio ou saírem por aí caçando bruxos das trevas, mas por exporem seu eu verdadeiro pro mundo acima de qualquer outra coisa. O verdadeiro tesouro de cada um está ali entre as orelhas e diz respeito àquilo que cada pessoa viveu, pensou e levou adiante, e cada bagagem é única e preciosa. Os testrálios que a Luna enxerga são uma boa metáfora de como nossos olhos podem ver coisas que outras pessoas não percebem quando não possuem uma história que dá sentido àquilo - e saber que o mundo poder ser mais do que a sua percepção te comunica é de uma capacidade muito maior do que apenas decorar livros e tirar boas notas.
O real trunfo da Corvinal não é dar sempre a resposta certa, mas sacar que podem existir múltiplas respostas certas - e ainda saber quando e como usá-las. O lema da casa, em inglês, usa a palavra wit, e acho engraçado como essa palavra não tem uma tradução exata pro português: pode significar inteligência, esperteza ou até mesmo miolos. Pra além do conhecimento acadêmico, alguém que é witty é uma pessoa divertida, espirituosa, rápida e sagaz no humor. Wit beyond measure talvez queira dizer isso: de pouco adianta fama, riqueza ou outros troféu, quando a coisa mais preciosa é aquilo que somos, sabemos e pensamos. Não se trata somente do cérebro e do intelecto, mas sim do espírito e do nosso "eu" em todos os sentidos. O avô que eu só pude conhecer por meio de histórias dizia que saber não ocupa lugar e, mesmo sendo de uma família que não pode optar pelos estudos, acumulou conhecimentos de todas as fontes que pôde pra passar adiante. A única riqueza possível, aquela que não pode ser roubada, é a riqueza do pensamento, do nosso mundo interno. Amém, Rowena Ravenclaw.

Harry Potter em pôsteres

6 comentários
Oi, gente!
Voltei aqui pra esse blog, depois de um sumiço maior do que eu pretendia (cês desculpam eu?) - mas trouxe coisas bonitinhas pra esse post! 
Navegando sem rumo na internet esses dias, tentando achar uma boa lista com as melhores frases de Harry Potter, me deparei com uma delas num formato de pôster lindo. E de onde veio aquele, tinha mais. E depois desses, tinha mais, feitos por outras pessoas. Como eu adoro tipografia, adoro Harry Potter e adoro colecionar coisas, logo comecei a ir atrás de mais pôsteres. E achei que eles eram bonitos demais pra ficar só no meu HD.

 "Não vale a pena mergulhar nos sonhos e se esquecer de viver, lembre-se disso" - Dumbledore (x)
 "São as nossas escolhas, Harry, que revelam o que realmente somos, muito mais do que as nossas qualidades" - Dumbledore (x)
 "Todos temos luz e trevas dentro de nós. O que nos define é o lado com o qual escolhemos agir" - Sirius Black (x)
 "É o desconhecido que receamos quando olhamos para a morte e a escuridão, nada mais" - Dumbledore (x)
 “Você pode pertencer a Grifinória,
Casa onde habitam os bravos de coração.
Ousadia, coragem e nobreza
Destacam os alunos da Grifinória dos demais.”(x)
 "Pode-se encontrar a felicidade mesmo nas horas mais sombrias, se a pessoa se lembrar de acender a luz." - Dumbledore (x)
 "Para a mente bem estruturada, a morte é apenas a grande aventura seguinte" - Dumbledore (x)
"O medo de um nome só faz aumentar o medo da própria coisa em si" - Dumbledore (x)
 "As coisas que perdemos sempre acabam voltando para nós, mas nem sempre da forma que esperamos” - Luna Lovegood (x)
 "É preciso muita audácia para enfrentarmos nossos inimigos, mas audácia superior para enfrentarmos os nossos amigos" - Dumbledore, sobre Neville (x)

 "Embora falemos línguas diferentes e venhamos de lugares diferentes, nossos corações batem como um só" - Dumbledore (x)
 "Somos tão fortes quando estamos unidos quanto tão fracos quando estamos separados" - Dumbledore (x)
 "Se você quer saber como um homem é veja como ele trata seus inferiores, e não os seus iguais" - Sirius Black (x)
"Claro que está acontecendo em sua mente, Harry, mas por que isso significa que não é real?" (x)

Os pôsteres vieram dos tumblrs The Readables, Risa Rodil e Chamber of Weasleys (e estão creditados um por um :)
O que vocês acharam? Tem mais algum leitor que adora Harry Potter tanto como eu? Tem alguma outra frase dos livros que vocês gostam e não foi transformada em pôster? Achei eles tão lindos, que ficariam perfeitos em quadrinhos inspiradores espalhados pelo quarto!
Espero que vocês tenham gostado!
Beijos e até o próximo post! ;)