Tá liberada a algazarra. É NÓIS, eu diria. 31 dias postando consecutivamente parecia mesmo uma barbaridade quando eu decidi, do nada, que iria entrar nessa dança; mas enquanto escrevo essas linhas, a verdade é que não foi assim tão difícil. Então foi fácil? Eu diria que foi gostoso e meio mágico. Foi um mês que passei escrevendo. Como isso poderia ser uma coisa horrível?
Tem uma frase (que dizem ser do Pablo Neruda, mas eu não confio na internet) que diz que escrever é muito fácil: começa com uma letra maiúscula, termina com um ponto final e no meio você põe as ideias. Pois bem: por anos, essa frase ficou escrita na porta do meu guarda-roupa como um atestado de que eu sabia fazer aquilo; até que num momento percebi que eu não sabia mais. Alguma coisa aconteceu no caminho que fez com que escrever parecesse uma coisa complicada, ruim e sem propósito; o que logicamente fez com que alguns parafusos se soltassem na minha cabeça, já que gostar de escrever era a única certeza que eu tinha sobre mim desde os dez anos de idade. Foi mais ou menos sobre isso que eu falei quando escrevi o primeiro post do BEDA: queria silenciar aquela vozinha dentro do meu cérebro que sempre dizia que ninguém estava interessado no que eu tinha a dizer, que aquilo era um desperdício de tempo e recursos e essencialmente me fazia desistir de todos os posts no meio do caminho.
Postar durante esses dias todos me fez lembrar que Pablo Neruda (ou seja lá quem for o autor verdadeiro dessa frase) tem razão. Escrever é fácil: você precisa sentar e colocar pra fora aquilo que tem na sua cabeça. Se vai ficar bom ou não, são outros quinhentos; mas não tem ninguém dizendo que você precisa acertar a perfeição numa tacada só. Você precisa começar. Você precisa das ideias. E pra fazer esse negócio funcionar, eu precisei agarrar com força todas as ideias que cruzaram minhas sinapses mentais nesse mês, mesmo aquelas que pareciam completamente doidas - aquelas que faziam soar o alarme do ninguém se importa - e confiar nelas. Escrever é fácil, mas apertar o botão de publicar e assinar aquelas palavras pra todo mundo ler é outra coisa, porque também precisa que você confie em você mesmo e em quem vai ler.
Deu certo. Olha o clichê motivacional aqui de novo.
Achei um serendipity tão legal quando me toquei que o último dia do BEDA também é o Blog Day, porque eu nunca participei de um Blog Day. Nunca me senti parte da dessa vizinhança blogueira, onde parece que todo mundo se conhece há tempos, tá super inteirado da vida das amigas e se ama demais. Sou essa mocinha da Roça, geograficamente isolada de todo mundo, e tímida demais pra me enturmar, mas pela primeira vez em muito tempo, senti que no meio dessa folia toda eu participava daquilo. Eu enxergava as pessoas, e elas me enxergavam também.
Gente muito bonita e que nunca tinha aparecido nesse blog veio aqui pra me dizer coisas, rir comigo e se empolgar junto com caderninhos fofos, Pokémon Go e discordar do meu gosto pelo bombom Caribe. Eu também visitei um monte de gente desconhecida, mas que postava sobre coisas que eu me identificava - o que é irônico demais, porque enquanto meu cérebro se descabela de ansiedade a cada vez que eu penso em postar sobre a minha vida, posso passar uma hora lendo sobre o que as pessoas fizeram no final de semana, onde foram comer e qual a neurose maluca que está assombrando elas dessa vez. Li muitos textos sobre ansiedade e fiquei meio surpresa de ver que tanta gente, conhecida e desconhecida, sofre dessa mesma coisa que me faz querer arrancar os cabelos às vezes. Histórias sobre vacas, mini-tragédias cotidianas em ônibus, sonhos adolescentes e fotos magníficas de cafés da tarde me fizeram sentir coisas durante esse mês. A gente não tá aqui pelas pautas, eu acho; estamos pelas pessoas e pelos vínculos; pelos memes compartilhados, pelas identificações com os desabafos alheios e, logicamente, pelo engajamento. Para vermos e sermos vistos.
Esse post e todos os anteriores jamais teriam acontecido se eu não tivesse trocado incentivos com pessoas maravilhosas (Ana e Tati), e depois, no meio do caminho, não tivesse encontrado um monte de gente legal que também estava participando da brincadeira (Andrea, Thay, Maki, Vy, Cacá, Nicas, Laila, Mia, Mareska, Karine, e provavelmente estou queimando minha cara esquecendo de alguém). Comemorei quando vi que algumas figurinhas do meu blogroll iam postar todos os dias, e comemorei de novo a cada blog legal que eu descobria e ficava esperando ansiosamente pelo post seguinte. A ~blogosfera~ está vivinha da silva, cheia de gente que escreve e, mesmo que eu não tenha linkado todo mundo aqui, queria dar um abração em todo mundo que participou do BEDA durante esse mês, tendo ou não postado durante 31 dias. Essa folia tão gostosa de gente escrevendo e gente lendo só aconteceu porque a gente - muita gente - se organizou pra blogar e aconteceu.
Eu também questão de linkar aqui meu blogroll, pra vocês clicarem nele e verem quem mais faz minhas manhãs felizes quando checo o feedly enquanto tomo meu café da manhã. Amor nunca é demais.
Mas não é só isso!
Eu também decidi que ia fazer uma playlist que embalasse esse mês (vocês já perceberam que sou a doida das playlist, né). O critério foi colocar a cada dia, uma música que tenha representado os feelings, o que resultou num mixtape onde Karol Conká e Emerson, Lake & Palmer estão a cinco faixas de distância. É provavelmente a coisa menos coesa que vocês vão escutar na vida, mas esse mês foi uma montanha-russa de sentimentos e sou fiel demais a eles pra deixar de publicar isso aqui.
Trinta e uma músicas. Trinta e um dias. DECLARO ENCERRADO O BEDA 2016 - PODE COMEÇAR A FESTA!!!
E assim a gente se despede, sabendo que não vou aparecer aqui amanhã (mas certamente vou aparecer no inbox de vocês, porque faço questão de colocar em dia as leituras e os ~mimos~ atrasados), mas sabendo também que não vai demorar milênios até eu dar as caras por aqui novamente. Vou sentir saudade dessa loucura? ÓBVIO. Sendo essa pessoa que se apega a tudo, mesmo essa grande cilada que parecia ser postar diariamente se tornou uma coisinha especial. Vai ter no ano que vem?


























































