A arte de manter um journal sem nenhuma arte

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No final de 2016, Digníssimo me deu um caderninho A5 novo, bonito, da Cícero, com uma arte lindinha na capa e com folhas sem pauta como eu sempre sonhei (vocês da cidade grande nem imaginam o trabalho que dá achar essas coisas aqui na Roça, gente). Foi um presente que me deixou muito feliz e empolgada - parecia um prenúncio de que 2017 seria perfeito como aquele caderno, que aquela era a chave pra ter um ano lindamente organizado, documentado e que minha vida finalmente entraria nos eixos. Decidi brincar de journal e fiz um board no Pinterest (como faço com tudo na vida) cheio de inspirações, com layouts maravilhosos, cabeçalhos sombreados, lettering e a integração de mil funcionalidades: contador de copos de água, de humor, de gastos, de passos, de gratidão. Parece meio megalomaníaco quando conto assim, mas na ocasião eu estava me certificando que nenhum deles era muito mirabolante. Vejam vocês, eu não estava nem pensando em incluir desenhos. Eu queria muito que aquilo funcionasse, e saí coletando ideias de tudo aquilo que parecia solucionar um problema meu. Beber mais água? Quero. Controlar meus gastos? Sim. Lista de livros lidos? Maravilhoso. 
Na teoria, realmente parecia infalível.
Na prática, o resultado foi um fracasso total.

COISAS QUE EU APRENDI BRINCANDO DE BULLET JOURNAL 2017:
Fazer qualquer coisa simétrica (uma tabela, um calendário, um habit tracker) à mão numa folha sem pauta é virtualmente impossível;
O papel das cadernetas (caras) da Cícero vaza de maneira terrível a tinta das canetas (caras) da Stabilo;
As canetas que estão na crista da onda são as Mildliner da Zebra, porque a internet não gosta de cores berrantes nos seus layouts aesthetic que vão parar no Pinterest;
A Roça só vende canetas em cores berrantes iguais aquelas que a gente usava em 2007;
Quanto mais coisa você inventar pra organizar seu tempo, mais tempo você vai perder se organizando, o que é meio contraprodutivo;
Esse negócio de spread semanal não dá espaço pra escrever NADA, a menos que você use ele estritamente pra incluir as suas tarefas;
Seu bullet journal não precisa ser um art journal, com desenhos maravilhosos e esqueminha de cores;
Erros acontecem (mas hoje em dia existe caneta esferográfica que apaga e ela é a queridinha das bujo girls #DICA);
Ficar sem escrever nada é pior do que acabar com um bando de páginas feias.

O modelo de spread semanal, super popular no instagram (em que você espreme os sete dias da semana em duas páginas), durou uns dois meses - aos trancos e barrancos - porque ele era muito curto/estreito pra contar os altos e baixos do meu dia, que era o que eu realmente queria fazer. A sensação de não ter as canetas certas também tomou conta e logo a empolgação virou frustração, a organização virou zona e o caderninho perfeito virou um fracasso no qual eu não conseguia escrever nada.

MAIS COISAS QUE EU APRENDI FAZENDO JOURNALLING EM 2017:
Eu realmente gosto de contar os altos e baixos do meu dia;
Folhas sem pauta são realmente maravilhosas pra isso, mesmo que as coisas não fiquem milimetricamente perfeitas;
O 'truque' pra fazer aquelas letras que imitam caligrafia é engrossar o traço daquelas partes da letra que vão de cima pra baixo (esse post da Cacá de como roubar na caligrafia é priceless);
É possível imprimir papel pontilhado e fazer meus próprios habit trackers com cara de instagram;
Caneta preta é mais versátil que caneta azul;
Se eu fizer muitas páginas feias, pode ser que alguma saia bonitinha;
Passar muito tempo no Pinterest nem sempre pode ajudar.

Meu diário-agenda desse ano é um caderninho estupidamente brilhante, no qual logo na página de abertura já errei e tentei consertar isso com um "embrace imperfection" à guisa de lema. Essa deve ser a principal coisa que aprendi mantendo um diário journal: a continuar mesmo apesar da caligrafia desajeitada, das linhas tortas e dos layouts muito não-aesthetics. É um lembrete de que a vida que eu vivo antes de registrar no meu caderninho de memórias também é imperfeita e tem dias meio muito POMBO, e é perfeitamente aceitável que minha forma de registro deixe isso transparecer. Faz um tempo que a Natalia fez um post falando sobre o junk journal, esse "diário adolescente que passou pelo raio gourmetizador", e percebi que minha vibe é essa: não tenho nem paciência e nem vontade de fazer spreads semestrais, mensais e semanais, nem trackers disso e daquilo; eu só quero um registro palpável e em 3D da minha vida (bullet journal tem que ter ÍNDICE, gente - sério mesmo???). É a forma que encontrei pra escrever sobre as coisas que eu gosto, do jeito fofinho que eu sempre gostei - e acho que essa realização é muito mais importante do que seguir qualquer regra à risca.

COISAS QUE APRENDI COM MEU JOURNAL 2018:
Grifa-texto é subestimado; canetas caras são superestimadas
Escrever todos os dias é algo definitivamente terapêutico (pra mim)
Se comparar com os bullet journals do instagram às vezes só serve pra gente ficar irritado
VIVA AS WASHI TAPES BARATAS DO ALIEXPRESS

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  1. Eu tenho um bullet que me ajuda muito, mas eu não gosto de misturar coisas pessoais com coisas do trabalho porque trabalho numa empresa e a qualquer momento vou precisar mostrar algo que anoto para outras pessoas e não é nada legal estar misturado né? Então eu tenho uma agenda normal pro trabalho e um bullet pra coisas pessoais que ultimamente está servindo basicamente pra eu anotar minhas "contas a pagar", é muito difícil conseguir fazer coisas bonitinhas mesmo, nem fico olhando o pinterest ou instagram pra não me frustrar. No final do mês escrevo como foi o mês, os pontos altos e baixos e também coloco o que eu vi/li/ouvi e isso funciona muito bem pra mim e acho que esse é o espírito da coisa, caso contrário não fica funcional e você acaba abandonando. Viva os bullets bagunçados, com escritas tortas e nada fofinho, é vida real que funciona pra mim!!!

    http://www.suspirare.com/

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  2. Acho que isso é o mais legal desse formato (diferente de planner, por exemplo), onde cada um pode fazer seus planejamentos do jeito que quiser. E é tão legal poder fazer isso, ver o que funciona para você ou não e ir adaptando.
    Eu sou bem o contrário: preciso de um spread semanal para poder olhar como a semana vai ficar na questão de tarefas. E eu gosto de escrever meu ~diario~ em um caderninho separado. Para mim funciona melhor.

    PS: eu tenho a mesmíssima brochura do museu do van gogh e usei para fazer um marcador de páginas!!

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    1. eu TAMBÉM tenho outro diário separado mas aparentemente não é suficiente ahauhauhaua :P mas é legal ir descobrindo aos poucos o que funciona, o que nao e o que é real nessas coisas que vemos na internet.
      sobre o ingresso: que massa!!! eu roubei o do Digníssimo (que não liga pra essas coisas) e guardei aqui, mas tive que botar um no diarinho porque sou dessas que acumula papel pra contar história hehehe <3 <3 deve ter ficado muito lindo teu marcador

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  3. Hahahaha amei esse post!
    Eu entrei na onda do bullet journal também, e essa coisa de deixar as imperfeições é um exercício diário q tenho amado... Realmente adoro spreads semanais prq uso o bujo mais pra tarefas mesmo, e quando quero escrever aleatoriamente uso a pagina seguinte... Ainda não entrei no mundo das washi tapes mas tô desejando muito!
    Beijos,
    A Menina da Janela

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    1. RECOMENDO DEMAIS se jogar na onda das washi tapes chinesas, hauhauhaua. Tão baratinhas e fofas!!! Olha, eu gosto demais de escrever, mas acho que esse esquema de um spread pras tarefas e uma página avulsa pra notinhas deve ser muito bom também. Quem sabe eu não tente isso tb? hehehe :***

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  4. O mais legal nisso é utilizar a forma que faz bem para você! Eu acho incrível aqueles todos desenhados e cheio de criatividade, mas pra mim não funciona tanto e eu ficava bem frustrada. Hoje eu faço da forma que dá! Tem dias que estou super inspirada e as vezes só quero escrever e desabafar ~ e tem funcionado MUITO bem pra mim.

    Escrever é terapia. ♥

    Beijo

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    1. MUITO terapêutico mesmo <3 acho que todo mundo acaba passando por isso de pegar inspiração demais e ficar frustrada por não conseguir fazer, e aí a gente acaba perdendo o foco no principal, que é mesmo escrever. que bom que você também achou algo que funciona pra ti!! :***

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  5. Gostei desse post. Acho impossível ter um bullet lindo, simétrico e colorido. Esse ano eu comprei um planner e estou gostando de planejar meu dia, anotar coisas a fazer e ainda registrar acontecimentos do dia. Fica tudo meio bagunçado mesmo, mas tá ótimo! Ah.. porque tem tantas canetas que mancham as folhas? Não gosto muito de grifa-texto.
    :) Beijos

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    1. Eu queria demais entender como esse pessoal que vive de postar bujo no instagram encontra essas combinações de caneta + caderno que não mancha as páginas, porque eu sinceramente já desisti. Tenho usado bastante as grifa-texto porque é o que é fácil de achar e dá um toque colorido bem legal, mas não fica com essa carinha instagramável e etc... mas to aqui aprendendo a lidar com isso HHAHAHAH :***

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  6. Amiga, você sabe melhor que ninguém que eu falo por ai que tenho bullet journal pela preguiça de explicar que ele é feito ao meu modo, mas fico feliz que você tenha descoberto o que te faz realmente bem no meio dessas inspirações que mais nos desmotivam do que ajudam pela internet. <3

    Limonada (antigo Novembro Inconstante)

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    1. VALE LEMBRAR QUE SEU JOURNAL ME INSPIROU DEMAIS PRA MANTER ESSE CADERNINHO, AMIGA <3 acho válido que vc compartilhe ele tb!!!

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  7. Eu mantive um bullet journel 100% funcional ano passado apenas com linhas quadriculadas. Às vezes usava algumas cores para preencher as bolinhas e era isso. Nunca tive muita coisa colorida não, mas deu bastante pro gasto.
    Em relação ao journal, eu mantenho um diário onde só coloco colorido o título com uma caneta estabilo e depois saio escrevendo desembestada. É maravilhoso e terapêutico, apesar de não escrever todos os dias nele. Acho que a gente complica as coisas demais, sabe? Para quem sabe desenhar, faz sentido entupir o journal de desenhos. Para quem fotografa também, mas se você deixar de fazer essas coisas e continuar escrevendo, ainda estará realizando o objetivo principal: guardar as memórias.

    Seu journal é muito lindo, inclusive.

    Beijos <3

    http://pinkismycollor.wordpress.com

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  8. HAHAHA não acredito que esse post me salvou
    Sempre achei bullet journals lindíssimos, mas as mínimas tentativas que aconteceram comigo foram desastrosas. Não sei fazer lettering, não tenho paciência pra documentar tudo, não tenho as canetas caríssimas (e fico muito brava com a página manchada atrás). Então entendi que não é pra mim.
    Que bom que nesse processo você encontrou seu jeito de fazer um journal!

    do cristal

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  9. eu testei o bullet journal em 2017 e falhei miseravelmente. pra resumir: eu não tenho saco NENHUM pra ter que pensar em layout e fazer o layout e fazer a lista e fazer tudo com as minhas mãozinhas.
    ou seja: preguiçosa.

    MAS ENFIM, esse ano eu comprei um planner da imaginarium e ele virou praticamente um junk journal porque eu faço e enfio absolutamente tudo nele. e como são dois dias por página, dá pra por tudo: tarefa, anotação tosca, letra de música, um monte de colagem e tô colocando até adesivos velhos que eu tinha por aqui, e por incrível que pareça, tô achando visualmente bem bonito, USHDUAIHIA

    mas o importante é que funcione, né? posta mais fotos que sempre acho maravilhoso ♥

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  10. Nice entry, I'm here for the first time and maybe I will stay longer!

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  11. minha deusa do céu, eu nunca entendi porquê bujo tem que ter índice também ahhahaha
    acho que muitas da """funcionalidades""" que inventaram pros bujos não é pros donos, mas pra quem for ver. é lindo postar fotoca de 'bebi 5 litros de água hoje' no insta, né? difícil é fazer desse caderno algo que realmente funcione, e não um enfeite.

    eu surtei com o meu, há uns 2 meses, daí repensei a forma como lido com ele.
    tô pra escrever sobre isso (talvez tenha que anotar no bujo pra não esquecer hhahaha)

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