Europa Tour: Termos e condições se aplicam

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Cá está a segunda parte da minha série "como dar rolezinho na Europa sem ter muito dinheiro", sendo o dinheiro em questão cinquenta euros por dia de viagem. Se na hora de trocar o dinheiro você se sentiu deixando fortunas na casa de câmbio, logo vai perceber que esses cinquenta euros não são muita coisa pra sobreviver ao longo de um dia de turismo. É possível viver dentro desse orçamento, mas é também necessário abrir mão de alguns luxos, conforme previamente estabelecido. Também é preciso um grande autocontrole pra não chorar horrores diante de todos os souvenires lindos que você não vai poder trazer pra casa. Shall we?
tá vendo a nota que sobrou? ela é seu limite. gaste com sabedoria
Pra todos os efeitos, to assumindo que você, viajante em potencial, fale inglês ou a língua do seu país de destino, e portanto sabe se virar sozinho e não vai pagar por áudioguia traduzido em museus. Continuamos trabalhando com a nossa hipotética viagem de dez dias, num total de cinco mil reais. Caso você não saiba de onde veio esse valor, clica aqui.

Acomodação
Você tem parentes vivendo no seu país de destino? Amigos? Colegas de intercâmbio que você jurou rever mas não lembrou de manter contato até hoje? ESSE É O SEU MOMENTO. A acomodação é o aspecto mais fundamental da viagem: você pode viver comendo salgadinhos baratos, pode fazer turismo baseado inteiramente em selfies na frente de prédios históricos, você pode trazer folhas de árvores como souvenir, mas você não pode dormir na rua. Pra quem viaja dentro de um orçamento e não pode se hospedar de graça, a melhor opção é escolher um hostel com cara de limpinho e se refastelar num quarto com oito beliches, que atendam três critérios de escolha: preço baixo, limpeza e facilidade de acesso.
Preço: no orçamento de 50 euros, 20 euros é seu teto, mas o ideal é gastar entre 12 e 15. É possível dormir num quarto limpinho por esse valor? Não é muito pouco? SIM, é possível (algumas cidades são mais caras que outras, mas é plenamente possível). Gastar menos sempre é o ideal, mas você precisa equilibrar isso com os dois critérios a seguir:
Facilidade de acesso: Hostels longe do centro podem ser mais baratos, mas também vão te obrigar a gastar com transporte, e nem sempre a economia vai compensar (mas às vezes compensa, depende da cidade). De qualquer jeito, é interessante se hospedar em algum lugar perto da estação de trem/ônibus que você vai usar pra chegar/sair do aeroporto, caso contrário você vai ou gastar com mais transporte ou passar minutos que podem parecer HORAS carregando sua mala pelo asfalto nem sempre plano. Não recomendo.
Limpeza: A gente é pobre mas é limpinho, e por isso eu não recomendo que você se hospede num lugar que cobra cinco euros e que não troca os lençóis. Eu achei as avaliações do Hostelworld bem compatíveis com as minha (pequena) experiência (não estou ganhando nada por esse jabá, me patrocina Hostelworld), então minha recomendação é pesquisar por lá e ler os comentários dos outros viajantes. Se possível, escolha aqueles que recebem a avaliação "excelente" de limpeza (a equipe pode ser mal-humorada, isso não é nada comparado com um ralo entupido no único banheiro, vai por mim). Notas acima de 8 costumam ser lugares confortáveis; você pode sobreviver a notas muito abaixo disso, mas o desconforto de não poder relaxar depois de horas de exploração na cidade nem sempre compensa a economia nos bolsos.
Se você tem parentes, amigos, ex-vizinhos, pessoas da igreja, pessoas da empresa júnior, primos de primos que te ofereceram um teto: SE JOGA, MEU AMIGO, SEJA CARA DE PAU. Também existe o Couchsurfing, onde você pode se hospedar de graça em troca de amor e gentileza, mas isso exige muito desprendimento e um domínio da Arte de Pedir que eu ainda não conquistei, mas é uma opção válida (eu acho, nunca ouvi falar de ninguém que foi vendido pro turismo sexual, então tá valendo)!

Alimentação
Experimentar a culinária local é ótimo e faz parte da ideia de conhecer outro país, mas às vezes, comer no McDonald's é mais barato. Fique com o mais barato. Na Itália, 90% das minhas refeições foram risoto, macarrão (quando tínhamos fogão), pizza de rua e sorvete (esses dois últimos custavam em torno de três euros e era a coisa mais barata que tinha pra comer HEHEHE). A ideia de comer sentado num restaurante descolado pode ser legal, mas fazer disso uma rotina de viagem é impraticável nesta economia.
Quanto gastar em média: Depende do quanto você precisa pra fazer as outras etapas da viagem (turismo, transporte, souvenires). Tenha em mente que ao lado dos pontos turísticos sempre existem vários restaurantes com garçons esfregando cardápios na sua cara, que vão reconhecer seu sotaque, identificar seu país e te convidar pra comer ali, e é muito fácil cair nessa cilada. É UMA CILADA, BINO. Comer na rua é provavelmente a solução mais barata - o equivalente a viver de pão na chapa e coxinha por aqui, mas não seria isso parte do turismo? Você não acharia absurdo que alguém viesse pra cá e fosse embora sem provar a coxinha de mandioca mais deliciosa do boteco da esquina (ou açaí, ou acarajé, ou tapioca)? Pois bem, deixe o contador de calorias de lado, peça a opinião dos locais e explore a gosto. Você também consegue gastar em torno de doze a quinze euros por dia em duas/três refeições, mas você também consegue gastar (facilmente) isso numa única refeição, e o segredo pra não estourar o orçamento aqui é ignorar completamente as refeições instagramáveis (tem muitas outras coisas de graça pra postar) e comer o baratão do dia. Se você tiver fogão disponível no hostel, passe no mercado e cozinhe. Se você não tiver fogão, passe no mercado e compre litrões de água ou suco. Essa é a parte menos glamourosa da viagem, que uma colega definiu com excelência como "todo mundo vê as fotos que eu posto mas ninguém vê as marmitas que eu como".
Café da manhã incluso: se estiver incluso e não implicar num aumento de preço, ótimo. Se você tiver que pagar por ele, só acho que vale a pena se for um café tipo buffet (às vezes é só um café e um croissant, risos) e você for uma daquelas pessoas que acorda com apetite de avestruz, pronta pra DEVORAR tudo o que puder e chegar sem fome até duas da tarde.

Transporte
Você pode ir a pé? Se sim, então vá a pé. Acho importante ressaltar que essa viagem de baixo orçamento tem TERMOS E CONDIÇÕES, e um deles é estar em condições de abrir mão de uns confortos, como ter uma dieta pouco balanceada e andar a pé. Alerta médico: se a sua saúde é delicada em algum desses aspectos, não seja mão de vaca e aumente seu orçamento, você não vai querer passar mal no meio do rolê e ter todo o transtorno de acionar o seguro saúde quando você poderia estar turistando por aí.
Se esse não é seu caso, não seja preguiçoso e coloque seu sapatinho confortável na rua: andar é um ótimo jeito de fazer turismo. Você pode descobrir restaurantes locais, parques bonitos que a internet não listou e lugares bonitos pra fazer uma foto ótima.
Se você não puder ir a pé (no caso de traslado pro aeroporto, pontos turísticos muito longe ou idas pra outra cidade), isso precisa ser calculado com antecedência, e as informações sobre preços normalmente estão disponíveis na internet. Se essa parte da viagem envolver passagens entre cidades, a compra com antecedência pode sair mais barata.
É importante pensar que numa viagem de dez dias, você pode:
a) conhecer uma capital com folga, explorar os bairros dela, conhecer a programação da semana (dependendo, tem até alguns dias do mês em que as atrações famosas não cobram ingresso) e se sentir um local arrumando um lugar pra tomar café da manhã em um ou vários lugares diferentes;
b) se dividir entre duas cidades próximas, com cinco dias pra cada uma, o que ainda dá pra fazer um turismo bem legal e sem afobação;
c) conhecer três cidades em três dias, o que pode ser meio corrido;
d) conhecer cinco países diferentes, passar 24 horas dentro de um veículo, morrer de exaustão.

Pode ser tentador adotar a opção D e emendar fotos na Torre Eiffel, na Torre de Pisa, no Muro de Berlim e no Big Ben (esse guia de viagem não garante o mesmo valor pra Inglaterra, a libra na presente data custa R$ 4,73), mas do ponto de vista dos custos isso também pode te falir, já que os trens podem ser carinhos e as companhias low cost de viagem cobram (cinquenta euros, no nosso caso) por bagagem despachada. Além disso, capitais são realmente grandes e tem MUITO a oferecer, e fazer turismo em dois ou três dias pode te deixar frustrado por não conseguir aproveitar tudo, e eu recomendaria as opções A ou B. Esse é um guia de viagem barato, e outro dos termos e condições é tolerar a frustração de ter de fazer algumas adaptações :)
A vantagem disso é que você pode conhecer alguma cidade não muito badalada e se apaixonar por coisas inéditas que nenhum blog de viagens esfregou antes na sua cara, como foi meu caso de amor com Bolonha. Abracem o desconhecido, gente.

Turismo
Você pode passar na frente de todos os pontos turísticos mais marcantes da cidade e tirar uma linda selfie inteiramente de graça!!!!!
Sim, abrace o espírito: você está num país totalmente novo, vendo pessoas falando uma língua diferente, respirando outro ar, numa temperatura diferente da sua terra brasilis, pisando em calçadas feitas de outros materiais do que a da sua rua. Tudo, absolutamente tudo é turismo. Pensar nisso vai aliviar um pouco a tristeza de não poder fazer todos os passeios maravilhosos que você viu por aí. Exemplo: fui pra Veneza e o role de gondola custava OITENTA EUROS. Podia ser dividido em seis pessoas, mas não tínhamos colegas, e não andei de gôndola, nem sequer de vaporetto (sete euros). Paciência. Não deixou de ser magnífico estar ali, olhar as pessoas andando de gôndola, os gondoliere cantando oooooooooo sole mio tal qual numa novela, a vista bem em frente ao Palazzo Ducale (onde o Pink Floyd armou um palco flutuante em 89 e fez o único show da história de Veneza, que afundou a cidade em cinco centímetros) (gente, eu acho essa história sensacional). Eu realmente acredito que, numa cidade desconhecida, tudo é turismo. Dinheiro permite acesso a certas experiências badaladas, mas não são as únicas experiências que você pode ter.
Dito isso, algumas cidades são mais baratas e algumas atrações são horrivelmente caras - como eu não sou uma expert em rolezinhos pela Europa, só posso dizer que as igrejas em Roma são geralmente gratuitas e o museu do Vaticano é caríssimo, mas vale o role. Carteirinha de estudante pode ou não funcionar (mas não custa levar, se você tiver) e as avaliações do Tripadvisor também costumam ser bem honestas, e você pode ler antes pra saber se a entrada daquele museu de 18 euros (estou olhando pra você, Museu Van Gogh) vale a pena. Se seu orçamento estourar num dia, aproveite o dia seguinte pra conhecer um parque e bater perna tirando selfies na frente de prédios fantásticos que tudo se resolve.

Compras
Você disse compras?
Minha opinião pessoal: fui pra Europa plenamente iludida que ia achar várias pechinchas em artigos de luxo ótimos e voltar cheia de ~comprinhas~, mas a real é que... tudo era caro? Os próprios italianos dizem que as coisas são mais caras por ali, então talvez a história seja diferente nos países vizinhos, ou talvez eu simplesmente seja pobre demais pra fazer turismo em euros (embora eu realmente tenha comprado uns vestidos bem bonitos no ofertão da Zara por 20 euros cada) (não existe Zara na Roça, eu não tenho ideia se fiz ou não um bom negócio, mas os vestidos são ótimos e ainda estão aqui). Vi várias promoções de maquiagem da Dior e afins que continuavam caras demais pro meu bico, mesmo estando lá em janeiro, que é em teoria a época das promoções. Se você tiver no orçamento gastos de quinze euros pra acomodação, quinze pra comida, quinze pro turismo e zero pro transporte, sobra uma quantiazinha que pode ser usada pra comprar souvenires, mas eu não consegui voltar carregada de sacolas e coberta de Valentino do brechó.

No próximo post dessa saga (que pode ou não ser publicado durante ou depois da viagem) eu vou falar sobre o que levar no role. Stay tuned!!

4 comentários

  1. Estou adorando seus textos, porque pretendo viajar no futuro (não faço ideia de quando nem pra onde, mas quero começar pela América do Sul). Vou guardar suas dicas enquanto isso, e me programar mesmo para viagens internas pois sou uma negação com dinheiro e tal.

    Fora isso, essa história do Pink Floyd é maravilhosa, e a imagem que você ilustrou também. E eu não sei se acho incrível de um jeito bom ou ruim porque nossa, coitada da cidade, mas caramba, essa banda tem tudo quanto é momento histórico e único né? Discos 15 anos nas listas de mais tocados, CD orbitando o planeta, shows em cidades vulcânicas e modificação da altura de uma cidade, QUE. É minha banda favorita, não tem jeito.

    Beijo e obrigada pelas informações!

    Helen
    uvm

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  2. Animadíssima com os posts de viagem? Com certeza. Não vejo a hora das fotos desse role.
    Você é MUITO minha digital influencer, porque só de ver seu post com fotos da Itália eu botei na minha cabeça que preciso ir para lá. Estou tentando seguir as dicas para montar a viagem - mas jesus, quando o euro chegou neste pontoooo????
    Meu maior problema é hostel. Posso ir para veneza e me locomover a nado, mas tenho um medo terrível de ficar em hostel. Só a ideia de dividir quarto com estranhos me dá uma ansiedade horrível :( queria muito que minha conta bancária acompanhasse meus tiques, porém por enquanto não.

    Boa viagem <3

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  3. Uma vez eu li o texto de um cara que foi morar fora do Brasil e mesmo depois de ficar quase 10 anos sem andar aqui ele ainda tinha mania de ficar olhando pra trás enquanto andava na rua a noite. Esse é o exato sentimento que tenho em relação a ficar em hostels. Eu só consigo imaginar que um maluco que está em um dos 6 beliches vai pular em cima de mim e tentar me estuprar no meio da madrugada (doentio? sim, mas BR tem traumas...). Isso seria facilmente resolvido se eu fosse daquele tipo de pessoa que acha ok alugar uma casa no airbnb ou "viajar direito tem que ser ficando em hotel risos", porém não sou. Provavelmente se eu viajar pra Europa vou dormir usando 5 calças, pernas cruzadas e ainda vou acordar no meio da noite assustada por nada.
    TU TÁ ME ZOANDO QUE ANDAR NOS BARQUINHO CUSTA 80 EUROS!!! PQP!!!

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  4. Ótimas dicas, ótimo post. Minha irmã fez uma viagem para Europa, se programou certinho, e não foi por base de nenhuma agência, ela realmente economizou um bocado :)

    yeah-dreamhigh.blogspot.com

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