Ou ainda: IH FOI MAL A MINHA É A CORVINAL
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| ERA PRA SER UMA ÁGUIA, CACETE |
Usando as cores da Grifinória. Óbvio.
Que atire em mim a primeira pedra quem nunca se imaginou como o novo amigo do Harry; cruzando os corredores de Hogwarts ou arrasando no campo de Quadribol de uniforme vermelho e dourado, se sentindo o máximo por não ter caído naquela casa que só tem panacas, aquela outra onde estão todos os vilões (com uma COBRA como emblema, francamente), ou aquela outra completamente irrelevante. No princípio, era a Grifinória, porque nenhuma outra opção parecia boa o bastante pra um protagonista - e também porque sabíamos pouco demais sobre as outras três.
Então eu cresci. E aí vieram as fanfics. E claro, Draco Malfoy.
E a Sonserina.
A ideia de que em algum lugar do espaço tempo eu poderia ser aceita na Sonserina é tão maluca que me faz RIR - embora claramente minha versão ficrwiter não estava nem aí pra isso. Não tenho sangue nobre e muito menos ambições de poder, além ter de uma tendência a colocar o bem-estar dos outros na frente do meu, o que faz de mim uma legítima panaca. Passei um bom tempo imaginando que por conta disso, seria bem recebida da Lufa-lufa - a casa mais subestimada de Hogwarts, a mais inclusiva e que teve o menor número de bruxos das trevas da história. Mas aí veio o Pottermore, e J. K. Rowling me botou na Corvinal.
Sabemos muito pouco sobre a Corvinal, e J. K. Rowling não nos faz nenhum favor na hora de apresentar os alunos: Cho Chang é odiada por metade do fandom, Lockhart é um palhaço mentiroso, Trelawney é charlatã e doida ao mesmo tempo... e tem a Murta-que-geme, a maior piada pronta dos livros. Prof. Flitwick, mesmo sendo um professor talentoso (que também foi hatstall), é metade duende. E claro, temos Luna Lovegood.
Ela é boazinha, ela é do bem, ela salva o dia, mas ela é estranha. As pessoas riem dela, colocam apelidos lunáticos e somem com as coisas dela, porque isso parece ser um passatempo de primeira. Luna é uma doida varrida, e seu comportamento gentil não é suficiente pra que as pessoas deixem de julgá-la ou tentem se aproximar dela de verdade, incluindo Harry e seus amigos.
A Corvinal

Se a Luna andava por aí sozinha usando brincos de rabanetes e caçando Bufadores de Chifre-Enrugado, eu também passei bons recreios na biblioteca, abraçada aos meus livros de ficção sobre um menino que frequentava uma escola mágica sobre os quais ninguém queria saber. Livros são mais importantes do que pessoas porque às vezes, pra alguns de nós, o único conforto possível de ser encontrado pra nossas emoções ou ideias não está nas pessoas de verdade que nos rodeiam, mas sim em ideias de outros igualmente doidos e esquisitos que deixaram isso registrado no papel. A sala comunal, de teto alto e decorado com motivos celestes e janelas em arco parece o lugar perfeito pra passar o dia todo lendo, sendo transportado para um outro lugar- qualquer lugar, em qualquer época, desde que seja diferente do aqui e do agora que às vezes são tão limitados e torturantes. Os alunos não estão mortalmente interessados em validação, poder ou status - a Corvinal é a casa dos introvertidos, das pessoas quietas com mentes barulhentas demais, que mergulham muito fundo dentro de si mesmas e às vezes basta saber que existe alguém ali, igualmente interessado em discorrer sobre teorias suspeitas ou ideias não-conformistas pra afastar de vez o desconforto da solidão. Aliás: estar sozinho não é um horror pros Corvinais, já que no fundo, no fundo, nossa jornada não vai ser percorrida por ninguém além de nós mesmos; e dizer sim pra nós e nossas ideias invariavelmente se afasta de seguir as ideias e a companhia de algumas pessoas ao longo da vida.
A Lufa-lufa pode aceitar as diferenças, mas é a águia da Corvinal
Os Corvinais também são corajosos, não por lutarem contra dragões a sangue frio ou saírem por aí caçando bruxos das trevas, mas por exporem seu eu verdadeiro pro mundo acima de qualquer outra coisa. O verdadeiro tesouro de cada um está ali entre as orelhas e diz respeito àquilo que cada pessoa viveu, pensou e levou adiante, e cada bagagem é única e preciosa. Os testrálios que a Luna enxerga são uma boa metáfora de como nossos olhos podem ver coisas que outras pessoas não percebem quando não possuem uma história que dá sentido àquilo - e saber que o mundo poder ser mais do que a sua percepção te comunica é de uma capacidade muito maior do que apenas decorar livros e tirar boas notas.
O real trunfo da Corvinal não é dar sempre a resposta certa, mas sacar que podem existir múltiplas respostas certas - e ainda saber quando e como usá-las. O lema da casa, em inglês, usa a palavra wit, e acho engraçado como essa palavra não tem uma tradução exata pro português: pode significar inteligência, esperteza ou até mesmo miolos. Pra além do conhecimento acadêmico, alguém que é witty é uma pessoa divertida, espirituosa, rápida e sagaz no humor. Wit beyond measure talvez queira dizer isso: de pouco adianta fama, riqueza ou outros troféu, quando a coisa mais preciosa é aquilo que somos, sabemos e pensamos. Não se trata somente do cérebro e do intelecto, mas sim do espírito e do nosso "eu" em todos os sentidos. O avô que eu só pude conhecer por meio de histórias dizia que saber não ocupa lugar e, mesmo sendo de uma família que não pode optar pelos estudos, acumulou conhecimentos de todas as fontes que pôde pra passar adiante. A única riqueza possível, aquela que não pode ser roubada, é a riqueza do pensamento, do nosso mundo interno. Amém, Rowena Ravenclaw.









Sou da Corvinal também e esse post foi tão lindo <3 Nunca tive tanto orgulho da minha casa quanto agora. Acho que a JK foi bem sacana com as pessoas que colocou na Corvinal pela história, porém as melhores pessoas que conheci na vida são da Corvinal.
ResponderExcluir(ps: estou amando beda por ter posts seus todos os dias. já chego no trabalho abrindo seu blog <3)
QUE POST MAIS LINDO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! <3 eu sou grifinória e nem sei muito bem o que comentar sobre tudo isso que você disse, mas amei demais ler todo esse seu ~parecer sobre corvinal. pra falar bem a verdade, eu consigo ver coisas boas de todas as casas (e acho que todo mundo tem um pouquinho de todas). é claro que é legal defender a sua, né? RISOS. mas todas são maravilhosas e com bruxos incríveis que passaram por lá. até a sonserina, que é a casa que cai pra mim em TODOS os testes que eu faço. mas como me nego a aceitar isso, continuo escolhendo grifinória pelo coração, e aceito meu ascendente de cobrinha, HAHA.
ResponderExcluirQUE TEXTO LINDO ♥ Amiga, abraça aqui, Ravenclaw pride!
ResponderExcluirEU QUERO VOLTAR A SER DA CORVINAL!!!
ResponderExcluirSempre me identifiquei com os nerds que acham que os livros são melhores que as pessoas (porque, dããããã, é óbvio que são), mas meu último teste me colocou na sonserina. Qual a lógica? Não sei. Como um site tem coragem de me colocar na sonserina com base em um monte de peruntas non sense? Também não sei. Mas queria voltar pra corvinal.
Saudades </3